A Odisseia (L’odyssée, 2016) – Crítica
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A Odisseia é o típico longa onde temos um personagem mais interessante do que o filme em si. Inventor, explorador e documentarista Jacques Cousteau cravou o nome na história dado o pioneirismo e o amor pelos mistérios no fundo do mar.

Neste último ponto a produção de Jérôme Salle dedica um bom tempo a elevar o personagem a um status de herói. Por um lado isso é positivo como forma de apresentar a figura, mas por outro dá um ar chapa branca que incomoda.

A Odisseia
Recheado de belas imagens e uma trilha edificante, não é difícil que o público compre os sonhos megalomaníacos de Cousteau. O porém é que as coisas por vezes parecem fáceis demais “temos um desafio… ops, tropecei em meia duzia de frases feitas e tudo está resolvido”.

Outro ponto que merece destaque é que, ironicamente, A Odisseia passa a primeira metade sem respirar. Ou seja, tudo muito acelerado, com as coisas se atropelando. A consequência natural: a segunda metade fica sem fôlego e temos uma narrativa muito arrastada.

A enorme barriga torna a experiência muito pior do que ela poderia ser, sim mais do que propriamente ruim o adjetivo que cabe é: frustrante. Nas mãos de um Spielberg (e ajudaria se o personagem fosse americano…) a grandiosidade seriam amplificada junto com o filme e possivelmente não teríamos esse gosto amargo.

A Odisseia

Algumas referências e rimas são muito óbvias. Logo no começo vemos personagens falando: “quando ele está diante de mulheres bonitas ele gagueja”, não tarde para o gago em questão travar diante de um público grande para que o nosso protagonista apareça como herói do dia. A cena do homem chegando à Lua quer traçar um comparativo entre um olhar pra os céus e outro para as profundezas do mar….

Agora o que pesa negativamente são os 20 minutos finais. Se a conclusão da cena inicial já envereda por um pieguismo, nada nos prepara para o que vemos. Basicamente esqueceram de fazer um filme e disseram “é hora de chorar, amiguinhos… ah e sem esquecer da mensagem ecológica”.

Ainda assim, mesmo com esses senões, o personagem é tão incrível que a aposta praticamente só nele faz com que seja possível se engajar e torna o filme palatável.

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The Odyssey

20162 h 02 min
Overview

O aventureiro oceânico e cineasta francês Jacques-Yves Cousteau (Lambert Wilson) larga a vida na terra ao embarcar em uma grande viagem no imenso navio Calypso, sua nova casa. Com o passar dos anos, no entanto, seu amor pelo mundo submerso - e principalmente suas possibilidades de negócios - relega a segundo plano a mulher (Audrey Tautou) e os filhos. Após crescer ressentido num internato, Phillippe (Pierre Niney) volta a bordo apesar da péssima relação com o pai e os dois precisam superar as diferenças e mágoas para sobreviver em mares gelados.

Metadata
Director Jérôme Salle
Writer Jérôme Salle, Laurent Turner
Author
Runtime 2 h 02 min
Country  France
Release Date 12 outubro 2016

Nota do Razão de Aspecto

 

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  • Maurício Costa

    Você ficou somente na história, mas to curioso pra saber da fotografia e das imagens. O filme é visualmente lindo como parece ou fracassa nisso também?

    • Lucas Albuquerque

      “Recheado de belas imagens e uma trilha edificante, não é difícil que o público compre os sonhos megalomaníacos de Cousteau.” tá no texto…
      As imagens não são o suprassumo, mas sim são valorozas