O Outro Lado da Esperança (2017) – Crítica
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O Outro Lado da Esperança

O Outro Lado da Esperança traz um tema pesado e fervilhante, a questão dos refugiados. Cada crítica, contudo vem embalada com um alto teor de ridículo – um ridículo consciente. Há caricaturas absurdas, planos exagerados e até um jeito estranho de se movimentar/falar.

Aki Kaurismäki, que escreve e dirige, tem um caminho muito claro. Ao rir das desventuras de alguém naquela situação – no caso um sírio que pede abrigo na Finlândia – ele não quer desmerecer a causa, muito pelo contrário: há um reforço do tema. E mais o humor aqui não é gratuito como no documentário Human Flow, onde em meio a depoimentos tristes temos um tigre com flatulências e defecando…

O Outro Lado da Esperança

Outro ponto que merece uma ressalva, você pode discordar da visão política-social do filme, mas tente entender a construção do roteiro que tem um primeiro ato sem pressa, mostrando o lado do dono do restaurante e o lado do refugiado. Tente perceber como se dá a relação de Khaled (Sherwan Haji) com a cidade e com as pessoas, o olhar fixo e distante não é à toa. Ou então o design de produção rico em cenários, objetos e figurinos, principalmente no restaurante.

Vale o destaque para as cenas de interrogatório e para as trocas da fachada do restaurante. Os dois refletem como a questão da identidade é volátil e precisa se adequar às necessidades. Essa rima não tão óbvia é só um dos elementos ricos nesse filme.

O Outro Lado da Esperança tem alguns momentos que soam galhofa – e de fato o são – mas o potencial aqui às vezes está um segundo antes, ou um segundo depois do óbvio. Esse timing, aliado a um texto inteligente, resultam em um brilho incomum.

Há sim, alguma redundância, algumas relações poderiam ser melhor aprofundadas e a própria trama central para o protagonista (achar a irmã) dá umas vaciladas. Nada que tire a sagacidade de Kaurismäki, está, portanto, plenamente justificado o prêmio de Melhor Direção no Festival de Berlim.

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Toivon tuolla puolen

Overview

Khaled (Sherwan Haji) fugiu da guerra na Síria e foi buscar asilo na Europa. Depois de percorrer vários países, solicita a permissão de estadia na Finlândia. Enquanto espera pela resposta, busca pela irmã, desaparecida, e consegue a ajuda de um pequeno comerciante, Wisktröm (Sakari Kuosmanen), que aceita empregá-lo em um restaurante.

Metadata
Director Aki Kaurismäki
Writer Aki Kaurismäki
Author
Runtime
Country  Finland Germany
Release Date 3 fevereiro 2017

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