O Melhor Professor da Minha Vida (2017) – Crítica
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O Melhor Professor da Minha Vida é clichê, divertido, raso e carismático… com tantos altos e baixos o longa tem dificuldades em ser consistente.

Filmes com a temática “Ao mestre, com carinho” são comuns por dois motivos: a educação como mote para mudar vidas rende ótimas histórias e todos nós já tivemos professores marcantes, ou seja, a identificação secundária fisga o público. Produções como Sociedade dos Poetas Mortos, Escritores de Liberdade e até Escola do Rock giram em torno desse tema.

As possibilidades de um professor, François Foucault (Denis Podalydès), que dava aulas na capital francesa em uma escola de luxo, tendo que ir para a periferia, geram um humor pelo contraste e dramas que nós conhecemos. O longa prefere se deter pouco na situação geral e focar em um aluno. Tal opção reforça a relação emocional professor/estudante-público, mas sinto que deixou outras boas histórias de lado.

A questão da imigração também é posta. Boa parte dos alunos da nova escola são de origem africana, o que também causa uma tensão a mais sobre a situação deles no país. Contudo, como falei, tal elemento é pouco explorado.

As passagens de tempo no período das férias são bruscas. Com isso, o trama é acelerada, mas gera um atropelo preguiçoso. Em uma cena há despedida e na outra alguém já comentando: “como foi de férias?”. Ficou esquisito. Há um interesse amoroso com o intuito de dar uma camada a mais. Esse arco sobra e rouba tempo que poderiam melhorar as tais passagens que mencionei.

Os vários conflitos engajam, porém tem uma linha um tanto óbvia. Se a montagem é preguiçosa, o roteiro é pouco criativo. E talvez esse seja o principal problema aqui: há momentos divertidos? Sim. A história toca em assuntos interessantes? Também. Mas o como isso é desenvolvido soa muito água com açúcar.

Podalydès, dentro de caracteres previsíveis, consegue imprimir força ao personagem principal. O humor, voluntariamente involuntário e ranzinza nos ganha logo de cara. Nesse sentido, o filme é inteligente ao apresentar o personagem. Graças ao ator vemos com clareza a linha paternal que o personagem assume. O núcleo adolescente dá um ar natural, com risadas gostosas, que serve de bom complemento.

Destaque para a aula sobre Os Miseráveis e a brincadeira com o selfie, além dos momentos envolvendo drogas. Tais situações seguram o filme e por pequenos detalhes, uma fala, um movimento e principalmente por terem o timming ideal, funcionam.

Já a desculpa para ele mudar de escola é ao mesmo tempo engraçada e forçada. A relação com os demais professores também. Há o rival ideológico, a amiga/companheira, o diretor dúbio… As reuniões da Comissão Disciplinar ganham muito espaço e não são tão grandiosas como o filme queria entregar. Novamente problemas de montagem e roteiro… além de direção, que não consegue extrair o sentimento necessário das situações.

O Melhor Professor da Minha Vida acaba sendo esquecível, meio que contradizendo o título. Há pouco ou nada de novo e o jeito como trata as velhas fórmulas não tem viço.

Les Grands Esprits

Overview

O professor François Foucault (Denis Podalydès) leciona no renomado Liceu Henri IV, perto do Panthéon de Paris. Ele acaba sendo obrigado a aceitar a transferência de um ano para uma escola no subúrbio da cidade.

Metadata
Roteiro Olivier Ayache-Vidal
Duração
País  France

Nota do Razão de Aspecto

 

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