O estrangeiro (2017) – Crítica
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Jackie Chan para mim é um dos principais nomes da comédia corporal da atualidade. Ninguém consegue trazer humor para os filmes de artes marciais com a mesma categoria. Não pelo lado técnico, mas principalmente pelo lado cômico. Infelizmente Chan tem deixado a desejar nas suas últimas aparições. Em Lego Ninjago ele não comete nada de grave além de se envolver no projeto errado. Mas em Fora do Rumo cheguei a me preocupar com o futuro da carreira do ator. As poucas cenas de luta e a simplicidade delas me deixaram com a sensação de que a idade estava pesando. Afinal de contas são 63 anos.

Então fui assistir  O estrangeiro um tanto apreensivo. Será que teríamos novamente aquela mistura entre Bruce Lee e Buster Keaton que é a essência do sucesso de Jackie Chan? Ou teríamos apenas uma lembrança idosa do ator? A resposta é: nenhum dos dois.

O estrangeiro não é uma comédia. Sequer há alívio cômico. Não há uma única cena de humor corporal de Jackie Chan. Seu personagem, Quan Ngnoc Minh, provavelmente tem dores musculares quando sorri, por não usar estes músculos. O filme é uma clássica história de vingança, com todo tom de drama e fúria, sem tempo e espaço para palhaçadas. E ao contrário de em Fora de Rumo, temos cenas de luta de sobra (a primeira demora um pouco a aparecer, mas outro tipo de ação toma o lugar). E coreografias ágeis e eficientes. Inclusive a idade de Chan aparece em diversas cenas. Quan Ngnoc Minh é claramente um sexagenário… exceto quando em modo de combate. Então minha impressão de que Chan estava velho demais para repetir suas melhores cenas estava errada.

O segundo elogio que faço a Chan é que, apesar dele estar fora de sua zona de conforto, apresenta uma excelente atuação. A tristeza, a raiva e a disposição para violência transparece o tempo todo. Junto com o cansaço e o peso da idade. Esta carga de emoções negativas apresentadas por Chan é o melhor do filme. Normalmente em um filme de vingança, torcemos para que o protagonista trucide seus oponentes e entramos em catarse com as cenas violentas. Não em O estrangeiro. Não há uma identificação do espectador com Quan Ngnoc Minh. Temos aqui um protagonista assustadoramente violento.

Contracenando com Chan temos outro ator que poderíamos achar que já ultrapassou sua melhor fase. Pierce Brosnan não é mais o galã de sua fase 007. E nunca teve muito mais que charme e carisma em suas atuações. Aqui ele surpreende interpretando o Vice-Ministro da Irlanda, ex-membro do IRA. Sim, é um personagem charmoso até certo ponto, mas assim como Chan carrega uma disposição a violência incômoda. O sotaque irlandês de Brosman convence (afinal, ele é irlandês!), assim como sua ira suprimida por uma superfície diplomática.

Infelizmente isto é tudo que O estrangeiro nos oferece de bom. Dois atores veteranos em atuações inspiradas, e boas cenas de luta. O roteiro é algo que todos já vimos em 250 filmes da Tela Quente. Uma jovem é morta em um atentado terrorista. Seu pai, um ex-militar de elite, e com passado violento, enfrenta a tudo e a todos para vingar a morte da filha. Os vilões são irritantemente incompetentes, e desimportantes, e tudo acontece para o crescendo final de violência. Um excesso de frases de efeito em meio a ação tenta substituir diálogos, sem muito sucesso. E vez ou outra o exagero na competência marcial dos personagens desafiam a suspensão de descrença.

As coreografias funcionam, bem como os os efeitos e trilhas, mas nada que já não tenhamos visto antes. Os personagens coadjuvantes são um tanto genéricos, e algumas reviravoltas previsíveis sobre quem trairá quem não precisavam acontecer. Ficamos assistindo impacientes as cenas sem ação, para que os tiros e porradas voltem logo. Felizmente temos porrada de sobra.

Na soma final temos um filme que distrai e anima nos momentos de ação, e no resto sobrevive graças a Chan e Brosnan. Vale pela curiosidade de um filme de vingança que não torcemos pelo vingador. Ainda prefiro o Chan comediante, mas convenceu no drama, apesar do excesso de clichês.

Not rated yet!

O Estrangeiro

20171 h 54 min
Overview

Um humilde empresário com um passado secreto procura justiça quando a filha é morta num atentado terrorista. Segue-se um confronto de gato e do rato com um funcionário do governo que pode ter pistas sobre as identidades dos assassinos.

Metadata
Director Martin Campbell
Writer Stephen Leather, Peter Buchman
Author
Runtime 1 h 54 min
Country  China United Kingdom
Release Date 24 setembro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 1    Média: 3/5]
  • Lucas Albuquerque

    Demos a mesma nota mas discordamos de algumas coisas. Vou publicar a minha já já

  • Maurício Costa

    Até me animei um pouco pra ver o filme.

  • Daniel Szmidt

    Gostei do filme, mas a percepção que tive é que houve dois tipos de estilos distintos de conduzir o roteiro. De um lado, um thriller sobre terrorismo. De outro, a clássica história de vingança.

    Pessoalmente, prefiri a parte em que as ações se concentraram no personagem do Brosnan e na situação relacionada à política interna da Irlanda do Norte.

    Chang entra em ação e, com ele, o clichê do vingador que tudo pode.

    Realmente, não achei que houve alívio cômico.

    O público do cinema, porém, deu intensas risadas em algumas cenas, como uma em que um capangas do Brosnan fura o pé em uma armadilha (sério, quem ri de uma cena dessas?).

    Abs,