O Cidadão Ilustre (El Ciudadano Ilustre, 2016) – Filme argentino – Crítica

Começa agora no Razão de Aspecto uma onda de filmes argentinos que estão/estarão em cartaz nos cinemas brasileiros. E já começamos pelo melhor deles e nada menos que um dos melhores filmes do ano. O Cidadão Ilustre tem um humor ácido, metalinguístico e vai além dos roteiros comuns ao gênero.

O ótimo Oscar Martinez dá vida a Daniel Mantovani, um fictício escritor de sucesso que acabara de vencer o Nobel de Literatura. O discurso de premiação dele é nada menos que sensacional e subverte a coisa toda (mesmo sendo a cena inicial não vou dizer o teor das palavras para não estragar o momento).

A volta para a cidade natal, a pequena Salas traz memórias do local que ele não visitava há décadas. Mas mais do que isso, as pessoas que ali estão são bastante peculiares. Cada tipo é um encontro rico em histórias e situações hilárias. Desde o motorista que o pega no aeroporto, passando por antagonistas e até antigos amores. E coisa não soa episódica, tudo funciona de modo orgânico. Como  tempero a mais terem ou não relação com a obra de Daniel, inclusive um dos habitantes jura que um dos personagens seria o próprio pai.

Todo o longa se baseia nesses encontros e nas diferenças entre um renomado escritor de personalidade forte com os simpáticos nativos. Para não ficar monotônico, o roteiro ganha uma camada com discussões muito sagazes sobre o julgamento da arte e o fazer artístico. Na realidade tal elemento se sobrepõe e ganha viço, podendo ser definido como o cerne da trama.

Mantovani é um dos personagens mais legais do ano. Um pouco arrogante, meio chato e um tanto blasé em alguns momentos, tem um lado atencioso, preocupado e fiel às raízes – mesmo sendo um espírito livre. Em suma: nosso protagonista é complexo, tem profundidade e causa uma empatia estranha com o público, não é uma empatia fácil, decorrentes de virtudes marcadas.

O humor de O Cidadão Ilustre merece todos os elogios, tanto no conteúdo, quanto na forma. As piadas não são jogadas de qualquer jeito e a todo tempo. O longa tem a precisão de saber pontuar as gags de modo a não saturar o público. Boa parte dos momentos cômicos são decorrentes da reação de Daniel ante situações absurdas (e reais), reações que são também nossas. Vemos, também, algumas piadas não ditas, propositalmente não finalizadas – deixando implícito o que está por vir e “exigindo” uma atenção maior que normalmente é vista em um besteirol, por exemplo. Aqui a coisa é mais refinada.

O Cidadão Ilustre é um filme gostoso de assistir, provavelmente você terá uma ótima sessão e conhecerá uma ótima persona e várias figuras que deixarão saudades. Quem gostar de literatura ou por ventura for escritor terá um sabor a mais.

Fique ligado no Razão de Aspecto que esta semana ainda teremos mais produções argentinas!

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O Cidadão Ilustre

Overview

Daniel Mantovani (Oscar Martínez), um escritor argentino e vencedor do Prêmio Nobel, radicado há 40 anos na Europa, volta à sua terra natal, ao povoado onde nasceu e que inspirou a maioria de seus livros, para receber o título de Cidadão Ilustre da cidade - um dos únicos prêmios que aceitou receber. No entanto, sua ilustre visita desencadeará uma série de situações complicadas entre ele e o povo local.

Metadata
Director Mariano Cohn, Gastón Duprat
Writer Andrés Duprat
Author
Runtime
Country  Argentina Spain
Release Date 8 setembro 2016

Nota do Razão de Aspecto

 

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