Ninguém Entra, Ninguém Sai (2017) – Crítica

Falar de sexo sempre atrai o interesse de um grande público. As comédias mais exibidas nas salas pelo Brasil também fazem muito sucesso. Pensando nesse combo, Ninguém Entra, Ninguém Sai propõe que os espectadores riam de toda sorte de trocadilhos fáceis com sexo (vide o título) e situações bizarras e caricatas, a partir de uma premissa mais bizarra e caricata ainda.

Um misterioso vírus assola um funcionário de um motel de luxo e as autoridades deixam todos os demais funcionários e frequentadores do local em quarentena dentro do local. E é basicamente essa a história. Roteiro, como pode-se perceber, não é uma preocupação aqui. Cada vez que vejo um besteirol com esse nível de trama, olho para American Pie como o novo vencedor do Oscar de Melhor Roteiro.

A criatividade vista em colocar os créditos iniciais nas placas das ruas, mostra um bom uso do espaço e a esperança de que vamos ver algo com o mínimo de preocupação. Ledo engano… As dependências do motel são muito mal exploradas. O próprio conceito de “luxo” e “motel mais caro da cidade” fica em segundo plano e só é utilizado quando convém. Ambientes que poderiam suscitar diversas piadas se limitam a uma banheira apertada em um quarto mais simples ou uma piscina no quarto mais top. Não duvido, amigo leitor, que você ou “um amigo seu” tenha causos melhores….

Os personagens são limitadíssimos, sendo usados os clichês mais rasos. É o casal menor de idade que entra disfarçado, é o garoto virgem que lê o kama sutra na hora H, a Juíza que se relaciona com o segurança, o casal gay cheio de cacoetes, a mulher insegura (e também virgem) na casa dos 30 anos, a outra devassa e que só pensa em casar, tem até a mulher que diz para o marido que foi fazer as unhas (relembrando um caso que viralizou nas redes sociais ano passado), além da funcionária fervorosa dona do pior arco – com um final manjando.

O elenco recheado de rostos conhecidos, que vai de Sérgio Malandro, passa por Guta Stresser e Danielle Winits, e tem nomes do Porta dos Fundos como Rafael Infante, Totoro e a ex-membro Letícia Lima. Ou seja, uma trupe acostumada com humor. Aqui eles não tem o que fazer, a direção os deixou soltos demais. Algumas movimentações, principalmente quando o grupo está reunido, deixam muito a desejar – parece que não houve planejamento básico nesse sentido.

Quanto ao humor, bem…. se você riu do título ou acha graça em chicotadas estalando, então pode se divertir. Eu ensaiei um sorriso na cena com o Sérgio Malandro no começo do filme. Depois disso, só encontrei piadas batidas e previsíveis (inclusive essa com o Malandro se encaixa nesses adjetivos, mas eu ainda estava com bom vontade ali).

O Ninguém Entra, Ninguém Sai, arranha tratar de como seria ficar confinado e das consequências alimentícias, sociais e mentais, mas o faz de modo tão chulo que soa absurdo até para um filme de comédia. Infelizmente mais um filme nacional que entra como candidato a piores do ano….

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Ninguém Entra, Ninguém Sai

Overview

Após fazer uma vaquinha entre amigos, Edu (Emiliano D'Ávila) consegue dinheiro suficiente para levar Suellen (Letícia Lima) ao Zeffiro's, um motel bastante conceituado e caro. Lá também estão a juíza Letícia (Danielle Winits) e seu assessor Acauã (Tatsu Carvalho), os adolescentes Caju (João Côrtes) e Bebel (Bella Piero), a virgem Margot (Mariana dos Santos) e o assaltante Alexandre (Rafael Infante), além de vários outros casais. Paralelamente, o funcionário do motel Donizete (Paulinho Serra) vai até um hospital e lá é diagnosticado com um vírus raro, que até então não existia no Brasil. Por causa disto, o motel é imediatamente colocado em quarentena, com seus funcionários e hóspedes sendo impedidos de deixar o local. Ao mesmo tempo em que temem que suas identidades sejam reveladas, eles precisam encontrar um meio de conviver em harmonia enquanto desfrutam dos prazeres do estabelecimento.

Metadata
Director Hsu Chien Hsin
Writer Paulo Halm
Author
Runtime
Country  Brazil
Release Date 4 maio 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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