Não Se Aceitam Devoluções (2018) – Crítica
Não se aceitam Devoluções

Depois do longa francês Uma Família de Dois adaptar o original mexicano, agora foi a vez do Brasil ter a própria versão daquela trama. Remakes por vezes deixam aquele gostinho meio torto, mas a priori não são problemas em si, há vários exemplos bem sucedidos na história do cinema. Infelizmente não foi o caso de Não Se Aceitam Devoluções (2018), versão brasileira.

Confira a nossa crítica de Uma Família de Dois

Leandro Hassum é Juca Valente. Um solteirão convicto que tem relações passageiras com várias mulheres (sim, acostume-se a esse novo tipo do ex-gordinho Hassum). Uma dessas mulheres retorna anos depois com um bebê no colo e não só anuncia a paternidade como foge. Deixando o covarde Valente (sim, trocadilho empurrado pelo roteiro) sem saber o que fazer. Na tentativa de achar a mãe da criança, ele viaja para Los Angeles sem ter uma profissão e sem saber o idioma.

Não Se Aceitam Devoluções gira em torno da relação pai e filha – com ares de fantasia criadas pelo pai,  das piadas relacionadas ao conflito cultural e da profissão que ele arranjara de supetão: dublê. Cada um desses elementos traz no desenvolvimento problemas graves.

A relação carece de química. Aqui, abrindo uma injusta comparação, vale a volta no francês, que eu cito por não ter visto a mexicana. . Um dos pilares era a dobradinha Omar Sy e Gloria Colston. Muito superiores as respectivas contrapartes brasileiras (e por favor, nada de argumentarem “complexo de vira lata”. Não raro elogiamos produtos nacionais, veja em breve a nossa crítica do brasileiro Boas Maneiras ou tantas outras que já fizemos).

A questão da língua vira quase que o foco do humor. Na primeira vez pode agradar alguns, depois de algumas repetições, tal ferramenta satura e deve perder os fãs que conquistara. Além disso, fala-se o idioma que convém nas variadas cenas, por vezes os mesmos personagens.

O arco importante da profissão de Juca inicia-se em uma cena completamente errada. Um salto na piscina tem problemas de montagem, efeitos e até continuidade. Segue-se em sequências alongadas e com um humor que aposta em gritos, câmera lenta e outros elementos pedestres.

Não se aceitam Devoluções

O elenco de apoio basicamente tem nas mãos tipos extremamente caricaturais e bobos. Cada vez que aparecem alguns daqueles personagens ficamos na esperança do humor ter uma oxigenação, mas tudo é tão vazio e se rende a uma piada única.

A parte dramática erra tanto quanto no tom. Em resumo falta sutileza. O longa tem reviravoltas que poderiam ter um peso grande, mas há um autoboicote. O desfecho de uma cena no tribunal, onde uma ideia brota do nada, completamente deslocada, o epílogo onde muitos poderiam (e talvez até vão) se emocionar não tem força ou ainda uma briga entre pai e filha, nada disso pode ser pontuado positivamente – novamente o oposto do que ocorre na contraparte francesa.

Não se Aceitam Devoluções cai naquele rol de comédias nacionais que trazem a média das ótimas produções pra baixo. Uma pena um país tão rico ainda dar espaço para tipos assim, com piadas retrógradas, sem criatividade e repetidas (dentro do próprio filme).

O título acaba sendo uma previsão na hora de você reclamar do ingresso….

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Não Se Aceitam Devoluções

Overview

Juca Valente é dono de um quiosque no litoral de São Paulo e só quer saber de diversão. Eterno namorador, ele detesta grandes responsabilidades e não pensa em ter nada sério com ninguém. Mas sua vida toma um rumo totalmente diferente quando uma ex-namorada americana larga um bebê com ele e desaparece. Juca logo parte parte para os Estados Unidos, na intenção de devolver a criança, sem nem imaginar que começaria a gostar da ideia de ser pai.

Metadata
Director André Moraes
Writer
Author
Runtime
Country  Brazil
Release Date 1 maio 2018

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