Na Mira do Atirador (The Wall, 2017) – Crítica
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Na Mira do Atirador traz a quebra de alguns clichês do gênero e cativa o público com uma premissa simples, porém rica.

Dois atiradores de elite, Shane Matthews (John Cena) e Allen Isaac (Aaron Taylor-Johnson), estão no campo de batalha no Iraque em 2007. A função deles é observar uma cena onde vários trabalhadores de um oleoduto foram mortos, em um possível ataque terrorista. Quando suspeitam que a coisa está tranquila são surpreendidos com tiros. Feridos, têm que se abrigar perto de um instável muro enquanto travam um jogo de gato e rato com o atirador.

Diferente de muitos outros filmes do gênero, aqui a preponderância é dos diálogos. Não seria difícil adaptar o roteiro para um teatro, por exemplo. No entanto não espere uma estrutura morosa. Dois fatores contribuem para o caminho oposto: Na Mira do Atirador tem apenas 1h30 e há uma guerra psicológica em boa parte das falas – além de volta e meia, com uma precisão de um sniper, termos alguns tiros. Então mesmo aqueles que não são afeitos a filmes mais lentos, serão contemplados aqui.

O símbolo do muro tem amplo significado. O recém clichê na Era pós-Trump dá nome ao filme no original (The Wall). Então mais do que uma sequência de pedras, o que ele representa diz muito sobre a divisão política que aquele americano e iraquiano representam. O longa, apesar de dar o protagonismo para o Isaac (estadunidense) nem de longe o heroifica de modo ingênuo. Há questionamentos, às vezes pouco sutis, sobre a situação e até a inteligência dele. A metáfora do lixo também ganha relevo e é um tanto explícita, o que cansa um pouco.

Já a tensão construída é mais franca. Nunca vemos o rival de Isaac, a presença dele é constante e se mostra perigosa – pelos possíveis antecedentes e pela posição desconhecida. Tubarão, na década de 70, já nos ensinou: o “monstro” não ser mostrado causa mais arrepios que o confronto olho no olho.

Aaron Taylor-Johnson, vencedor do Globo de Ouro por Animais Noturnos, tem portanto a ingrata tarefa de sustentar quase que o filme todo reagindo ao, cinzento, nada cheio de presença. Taylor-Johnson dá conta e entrega tudo que o personagem pedia: cansaço, determinação, uma certa loucura, além boas sacadas. Não é uma atuação para Oscar 2018, porém foi mais uma vez um bom trabalho.

Na Mira do Atirador tem um trabalho técnico digno de aplausos. Mesmo com uma aparente restrição orçamentária, a fotografia e o design de produção são eficazes na transposição do público para aquele universo. O calor é sentido mesmo nas mais gélidas salas de cinema e os raros objetos da história tem um uso pontual. Já nos efeitos a coisa em alguns momentos perde o próprio DNA, não que eles estejam ruins, mas a proposta podia algo mais contido.

Muitos alegam que um filme desta natureza precisa de um final recompensador. Sem obviamente dizer o que acontece, garanto que a solução encontrada pelo roteiro foi precisa. A saída foi corajosa e consciente.

Na Mira do Atirador, do mesmo diretor de Feito na América (que também está em cartaz), o Doug Liman, tem uma identidade sóbria. Mesmo que a mão pese um pouco, a mensagem passada é bem ilustrada por uma condução fluida. Você se coloca no lugar dos personagens, torce por eles, sem nunca perder o debate de vista, isso é algo que não é fácil de ser obtido.

O Muro

20171 h 30 min
Overview

Na Mira do Atirador é um thriller psicológico que acompanha dois soldados americanos encurralados por um sniper iraquiano, com apenas um muro desmoronado a separá-los. O combate transforma-se numa guerra de vontades, inteligência e precisão letal.

Metadata
Diretor Doug Liman
Roteiro Dwain Worrell
Duração 1 h 30 min

Nota do Razão de Aspecto

 

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