Mulheres Divinas (2017) – Crítica

Mulheres Divinas é basicamente um “remake não oficial” – e localizado em outro tempo e país – do As Sufragistas, filme lançando em 2015. Aqui a trama segue um grupo de mulheres suíças, em especial Nora (Marie Leuenberger) que lutam pelo direito ao voto no país no final da década de 60.

Aqui a chata ressalva é necessária: o tema é historicamente bem importante e mesmo que essa questão tenha sido resolvida, outras relacionadas ao machismo – vide as crescentes denúncias de assédio – ainda se fazem presentes.

Esta critica, contudo, não abordará o filme sob o viés temático, mas sim cinematográfico. E neste, infelizmente, o resultado é fraco. Quase tudo é frágil: repleto de maniqueísmos, o texto carregado que mostra o homem em atitudes de dominação soa mais bobo que uma denúncia contundente.

No As Sufragistas temos sim atitudes machistas (que podem no mínimo serem chamadas de bobas, pra não descer o nível para completamente estúpidas), porém lá temos um diálogo dos dois lados e um embate – aqui, os momentos de discussão são diluídos quando não, ausentes.

Falta sutileza em diversos momentos, seja no drama (como no arco da adolescente) ou no humor (como nas perguntas óbvias feitas pelo filho ou tudo que envolve a louça). Fora isso segue algumas fórmulas banais: a protagonista negando a luta, traição, morte, um grande discurso… Até o arco do marido, em tons de cinza, é antecipável e batido.

Na parte técnica o design de produção faz um bom trabalho imersivo. A câmera intensa também nos coloca no meio daquela situação. A trilha heroica cresce nos momentos errados e novamente carrega nas tintas.

Vale o destaque positivo para algumas cenas isoladas. A mais notória é quando as mulheres se encontram com outro grupo feminista e elas aprendem a lidar com o próprio corpo. Ali tudo funciona. Desde a mensagem, que ainda é atual, que reverbera em cenas futuras, o tom cômico e até a explosão dramática que vai continuar a impulsionar Nora e as companheiras.

Mulheres Divinas não é horrível, mas acaba esquecível. Surpreendente candidato suíço ao Oscar – já fora de disputa, que ainda conta, entre outros com o húngaro Corpo e Alma e com o chileno Uma Mulher Fantástica (de fato filmes melhores).

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Die göttliche Ordnung

Overview

Suíça, 1971. A jovem dona de casa Nora (Marie Leuenberger) vive com seu marido e seus dois filhos numa pequena aldeia. Até então sua vida era tranquila e não tinha sido afetada com as grandes revoltas sociais e o movimento de 1968, mas, é aí que Nora começa a fazer campanha pelo direito de voto das mulheres.

Metadata
Writer Petra Biondina Volpe
Author
Runtime
Country  Switzerland
Release Date 9 março 2017

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