Millennium: A Garota na Teia de Aranha (2018) – Crítica
Millennium: A Garota na Teia de Aranha

A, já podemos chamar assim, franquia Millennium conta com diversos livros e filmes de diferentes nacionalidades. Neste mais novo episódio, temos a hacker e faz tudo Lisbeth Salander (Claire Foy, do recente O Primeiro Homem) resolvendo uma intrincada trama e acaba tendo que lidar com fantasmas passados. Para isso ela conta com ajuda, quase inútil, de uma série de coadjuvantes, incluindo o jornalista Mikael Blomkvist (Sverrir Gudnason outrora interpretado por Daniel Craig – aliás esta versão atual é bem mais modesta no elenco).

A cena inicial já mostra algumas características do todo: uma questão moral, a luta contra homens abusivos e o caráter destemido da nossa protagonista. Logo vemos também mais uma das características marcantes: as habilidades motoras para além do normal. Ela salta, aparace e desaparece com rapidez e luta com quem ela quiser – sem contar o fator sorte, mas isso falamos mais tarde.

Millennium: A Garota na Teia de Aranha

Há um mcguffin aqui que, mais uma vez, gira em torno do clichê de algo com potencial destrutivo devastador. É inacreditável como os personagens lidam essa coisa. As questões de segurança e movimentação não fazem sentido algum. É normal termos uma certa suspensão da descrença em filmes do gênero, mas aqui a coisa exige muito do espectador. São coisas acontecendo no momento certo na hora certa ou ações que estão lá só para serem cool, regadas por uma frase de efeito ou uma quase morte.

Outro aspecto que irrita é o super poder de transformar todos ao redor em estúpidos (poder que já “acusaram” o Batman de ter…). Aqui a burrice é seletiva e ajuda o roteiro. Os roteiristas pensam: “Os policiais, capangas e até quem já tinha se mostrado inteligente precisam de 5 segundos de ausência cerebral? É pra já…”. As agências de inteligência ganham aqui o troféu abacaxi e merecem gongadas, parecem calouros.

O oposto também ocorre, em especial com a nossa gloriosa Lisbeth. Ela acha saídas impossíveis sem nunca ter indo aos locais ou ter tempo de planejar (neste caso até o Batman ficaria com inveja). Mais um clichê: criança super dotada como figura importante. Uma série de filmes trazem essa marca e quase sempre com os mesmos maneirismos. E vamos ser justos: também há movimentos de inteligência para além do normal (diria que paranormal quase) por parte dos antagonistas.

Millennium: A Garota na Teia de Aranha

Apesar de todos os problemas na personagem, a composição de Claire Foy está bem digna. E ela vence um adversário de peso: o estilo. Mesmo com aquele ar gótico batido, a atriz consegue passar sentimentos que engrandecem o filme como um todo. As lágrimas e dores são genuínas. Você sente o peso do passado e presente complicados.

A fotografia opta por uma paleta mais fechada. Sim, de certo modo coaduna com o ambiente gélido, mas creio que o objetivo é realçar a vermelhidão de uma personagem. O destaque é tão exagerado que dá um ar caricato que não sei se era a ideia ou se cabia. Além disso, a câmera busca super closes em pequenas aranhas… tal medida é apenas para lembrar o espectador do título, já que tem zero função.

O público acabará refém de Millennium: A Garota na Teia de Aranha, já que não é difícil nos fisgar por um suspense. Queremos saber o que vai acontecer, mas além de uma estrutura bem formulaica, temos uma resolução pra lá de óbvia. Então as reviravoltas (se é que elas tentam ser isso) são antecipáveis e sem o impacto devido. Soa muito como oportunidade desperdiçada. Parte dos problemas inclusive lembram o nacional O Doutrinador. E o filme de 2018 é notadamente inferior a versão Millennium de David Fincher, lançado há 7 anos.

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A Rapariga Apanhada na Teia da Aranha

20181 h 57 min
Overview

Adaptação do quatro livro da saga "Millenium". Após os eventos de "Os Homens que Não Amavam as Mulheres", o jornalista Mikael Blomkvist e a hacker Lisbeth Salander se veem em meio à uma teia de corrupção, espionagem e intriga internacional.

Metadata
Director Fede Alvarez
Writer
Author
Runtime 1 h 57 min
Release Date 26 outubro 2018

Nota do Razão de Aspecto

 

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