Mentes Sombrias (The Darkest Minds, 2018) – Um pleonasmo em forma de filme
Mentes Sombrias

Mentes Sombrias pretende surfar (tardiamente?) na onda das distopias de adaptações literárias para adolescentes à la Jogos Vorazes, Maze Runner, Divergente, etc. O mote aqui é simples: uma doença/dom afeta todas as crianças, de modo inexplicável – e não ter explicação neste ponto foi a melhor coisa da obra. O resultado: ou elas morrem ou ganham um superpoder.

Os pivetes jovens que sobrevivem são pegos pelo governo e jogados em algo que se assemelha a um campo de concentração. Lá são separados por cores (em uma analogia batida) de acordo com a periculosidade dos poderes que possuem – momento este posto em tela a partir de um diálogo expositivo dos mais cretinos.

Acompanhamos em especial Rudy (Amandla Stenberg). A menina tem um poder de afetar as mentes alheias e, portanto, segundo a lógica do filme, deveria ser exterminada, contudo consegue dar um jeito, dado a condição dela não é difícil pensar qual, para seguirmos a aventura com ela. Não tarda para ela se juntar a um grupo de outros jovens com poderes diversos (em uma tentativa de representatividade que no fim parece apenas com o modelo estereotipado Power Rangers, cada um de uma cor/poder, faltou só o índio ser do time dos vermelhos).

Mentes Sombrias

Todos os gêneros cinematográficos aqui são voltados ao mais reles clichê. Há o momento romântico com a música a balançar corações dos sensíveis, as perdas dramáticas sabiamente colocadas e pensando em continuações, os alívios cômicos que estão lá com um único objetivo. E uma aventura que vai do ponto A ao B sem vergonha de quase seguir uma linha reta.

Se todo o show de horrores já descrito não bastasse, separei quatro momentos que resumem o todo:

“sou a pessoa mais inteligente do mundo, pois sei ler mapas”

Colocar um personagem mega inteligente pode gerar um desequilíbrio, então normalmente tende-se a enfraquecê-lo de alguma maneira, aqui o jeito, preguiçoso, foi de simplesmente usá-lo para coisas pequenas e que deixem explícito o quão inteligente ele é. Além do indefectível acessório ocular, Chubs (Skylan Brooks) sabe vários idiomas e lê mapas e briga com quem não sabe agricultura. Sem falar dos demais “gênios” que são incapazes de pensar em algo para se livrar da situação adversa.

“Mexo na mente de quem e quando o roteiro quiser”

Se superinteligência é uma arma e tanto, alterar as vontades dos outros e descobrir o passado de cada um poderia solicitar a vaga de professor X. Para controlar a nossa protagonista, o roteiro de Chad Hodge sob a direção de Jennifer Yuh Nelson opta por ligar e desligar a coisa conforme convém. Um toque é suficiente? Às vezes. Um esforço hercúleo se faz necessário para a trama, então um toque apenas não será bem-vindo. E quando posso serei cruel ao extremo? Claro, o roteirista disse que deve ser bacana…

” Vou colocar uma criança chinesa fofa a fazer fofurice, novo nível de esquilo do era do gelo”

Zu (Miya Cech) apesar de quase sempre ali, desaparece quando o clima pesa e aparece quando precisamos de um momento “cute”. Não, o dom dela não é ser invisível… no caso, o poder aqui é do diretor, que de forma descarada faz esse movimento. Acho que ele pensou: “ninguém vai reparar, estarão preocupados em chorar pelo desfecho do personagem Y”.

” E darei aula de diálogo expositivo e pergunto: entendeu ou quer que eu desenhe ? E desenho em uma pirâmide colorida”

Já falei deste épico momento anteriormente, mas vale a nota novamente, pois se o filme não tem vergonha de explicar o que acabou de mostrar por que eu terei? Para apresentar a lógica daquele universo, Mentes Sombrias para o fluxo natural e joga um médico de modo desnecessário contando para a personagem principal/público como funciona a separação dos adolescentes em cores. Não satisfeito, a câmera busca uma imagem na parede de uma pirâmide colorida para reiterar caso alguém não tenha entendido o óbvio. A cena segue e na tela seguinte há outra explicação.

Mentes Sombrias

na minha época ter a mão amarela significava alguém com gases…

 

Em suma: pensei em comparar este longa com Crepúsculo ou 50 tons (sem o sexo), mas os responsáveis por Mentes Sombrias devem se achar o novo 2001, pois aparentam crer que a trama é a coisa mais complexa de todos os tempos. Ao assumir tal posição colocam o público como desprovidos de pensar e precisam destrinchar cada movimento – não mencionei ainda, mas há uma famigerada narração que surge do nada e é mais um elemento redundante. E o título é tudo que o filme não é: tudo está às claras e acho que falta uma mente por trás….

Dos piores filmes do ano, Mentes Sombrias deve iniciar mais uma trilogia de sucesso entre o público alvo. Ou será que nem mesmo a galera teen aguenta mais ser tratada desta forma? Aguardemos…

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Mentes Sombrias

20181 h 45 min
Overview

Em um mundo apocalíptico, onde uma pandemia mata a maioria das crianças e adolescentes da América, alguns sobreviventes desenvolvem poderes sobrenaturais. Eles então são tirados pelo governo de suas famílias e enviados para campos de custódia. Ruby (Amandla Stenberg), uma das sobreviventes, consegue escapar com outras crianças e sua vida muda para sempre.

Metadata
Writer Alexandra Bracken, Chad Hodge
Author
Runtime 1 h 45 min
Release Date 2 agosto 2018

Nota do Razão de Aspecto

 

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