Mark Felt: o homem que derrubou a Casa Branca (2017)
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O início dos anos 1970 foi um período especialmente conturbado na história dos Estados Unidos. O país ainda sentia os ecos do final da década anterior, em que a luta pelos direitos civis, o surgimento dos movimentos de contracultura e o envolvimento desastroso na Guerra do Vietnã davam o tom político e social. Se a morte de John Kennedy representou um tiro fatal (pun intended) no “sonho americano”, o escândalo de Watergate iniciaria uma crise constitucional que terminaria com a renúncia do Presidente Richard Nixon, e jogaria a última pá de cal na ingenuidade a respeito da grande democracia do norte.

É exatamente neste contexto que se passa Mark Felt: o homem que derrubou a Casa Branca (o subtítulo desta vez nem é culpa dos distribuidores brasileiros). No filme, acompanhamos o personagem título (interpretado por Liam Neeson), homem-forte do FBI logo após a morte de J. Edgar Hoover, criador e diretor do órgão por mais de 50 anos. Nome natural para a sucessão de Hoover, Felt é preterido por L. Patrick Gray (Marton Csokas), indicado diretamente pela Casa Branca, e começa a testemunhar uma influência política cada vez maior nas investigações, do FBI, historicamente autônomas. Um caso em especial parece especialmente sensível para os donos do poder: a invasão da sede do Partido Democrata, localizada no edifício Watergate (que batizou o escândalo), por homens aparentemente ligados à campanha pela reeleição de Richard Nixon. Quem conhece a história estadunidense sabe que, insatisfeito com a interferência do Executivo nas investigações do órgão e farto da podridão os bastidores do governo, Felt servirá como o informante secreto da imprensa que ganharia o apelido de “Garganta Profunda”, e cuja identidade só seria revelada em 2005.

O verdadeiro Mark Felt

Em um filme histórico, em que já se sabe o desfecho dos fatos, passa a contar muito o recorte narrativo e a forma como serão recontados os episódios selecionados. O grande desafio enfrentando por Mark Felt é que episódio-chave da história dos Estados Unidos já foi tratado de forma genial em Todos os homens do Presidente (1976), em que Robert Redford e Dustin Hoffman interpretam Carl Bernstein e Bob Woodward, jornalistas do Washington Post responsáveis pela investigação sobre Watergate.  Todos os homens…, junto ao mais recente Spotlight (2015), estão entre os melhores filmes sobre investigações já feito.

Em Mark Felt o roteiro concentra-se na figura desse biografado. E disso vem uma virtude e alguns problemas. Liam Neeson é um ator muito competente, que consegue transmitir uma altivez moral misturada a uma insatisfação crescente – e que, em alguns momentos, aflora em arroubos de frustação. Por outro lado, essa mesma rigidez moral dá ao personagem retratado um ar algo hagiográfico, pouco crível em um ser humano real. Há um elenco de nomes famosos (Noah Wyle, Michael C. Hall, Brian d’Arcy James, Tom Sizemore e Josh Lucas, entre outros) como coadjuvantes, que aparecem menos do que seria desejado.

Outro problema do filme é a subtrama envolvendo a família de Felt. Casado com Audrey (vivida com competência por Diane Lane), esposa frustrada com os insucessos do marido e mal resolvida em relação à maternidade, Felt sente falta da filha, Joan, desaparecida e suspeita de integrar grupos contrários ao governo.  Se, por um lado, essa parte do roteiro é importante para humanizar o personagem e mostrar um momento de falta de maior profissionalismo de Felt (ao usar o FBI para uma investigação pessoal), por outro em quase todas as sequências em que o filme dá intervalo à tensão política para lidar com o drama familiar, o ritmo balança.

Dono de uma filmografia dedicada tratar de verdades por trás da versões oficiais (dirigiu e escreveu Um Homem entre gigantes e  JFK, a História Não Contada além de ter escrito O mensageiro), Peter Landesman entrega um filme com bons momentos, amparados em atuações que não comprometem e que capta o espirito de incômodo e tensão política da época. Fica, entretanto, a sensação e que faltou um melhor aproveitamento do potencial que se tinha em mãos.

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Mark Felt: The Man Who Brought Down the White House

20171 h 43 min
Overview

A trajetória de vida de Mark Felt, vice-presidente do FBI que, de maneira secreta e usando o nome fictício de “Deep Throat”, foi um informador dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, contribuindo assim para o desfecho do famoso escândalo de Watergate, responsável por conseguir a renúncia do então presidente Richard Nixon.

Metadata
Director Peter Landesman
Writer Peter Landesman
Author
Runtime 1 h 43 min
Release Date 29 setembro 2017

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