Maria Madalena (Mary Magdalene, 2018) – Crítica
Maria Madalena

Infelizmente ainda é necessário começar o texto com o seguinte comentário: esta não é uma crítica religiosa e tampouco vai entrar no mérito de se a personagem retratada é ou não fiel à crença X ou Y. A análise será exclusivamente cinematográfica do filme Maria Madalena (2018). Ademais, há longas religiosos bons (vide a animação Estrela de Belém) e ruins (como A Cabana), então o tema não importa a priori.

A trama segue os últimos dias de Jesus (Joaquin Phoenix), mas, como o título indica, sob o ponto de vista de Maria Madalena (Rooney Mara). A história contada de um outro ângulo poderia trazer um frescor a narrativa que você já conhece (falar em crucificação, milagres e traições não é nenhum spoiler, né?).

Contudo, parece não haver muito o que ser dito pelo roteiro de Helen Edmundson e Philippa Goslett. A batuta de Garth Davis (que entre outras coisas tem na carreira o péssimo Lion) também não imprime um traço marcante ou mesmo que seja digno de algum elogio. Ele trata tudo de modo burocrático e quadrado.

Maria Madalena

A trilha sonora, por exemplo, é uma presença constante. Todos os momentos dramáticos são guiados pelas notas do ótimo e saudoso Jóhann Jóhannsson. Contudo, aqui – até pela repetição – o efeito não é positivo. Acaba aparecendo mais do que devia e servindo de muleta ou até como duvida da inteligência do público “espectadores, agora vocês estão autorizados a se emocionar”. Entenda: musicalmente os acordes não são ruins, Jóhannsson não desaprendeu. Mas no contexto do filme teve esse peso negativo.

Outro artifício preguiçoso são os famigerados letreiros que indicam a localização. Quando um filme usa tal ferramenta ele indicou que não foi capaz de ilustrar dentro daquele universo onde se passa a ação (o que pode tirar a imersão). E, novamente, trata o público como uma mãe ao segurar a mão do filho ao atravessar a rua.

Muitos diálogos são completamente maniqueístas, rasos e traçam os caracteres de sempre daquelas personas. Há até um bom diálogo entre Maria e Jesus que realmente propõe um questionamento sobre a divindade dele, a conclusão infelizmente não seguiu no mesmo nível. No mais, raros são os momentos que acrescentam algo, até mesmo um subtexto feminista fica pobre, em especial no terceiro ato.

Há também sequências repetitivas de batismo. Entendo a importância do simbolismo, contudo, a repetição só deixa o todo, que já era arrastado, ainda mais intragável. Desnecessária a duração de 120 minutos.

Maria Madalena tem um claro propósito de dar uma releitura, como indica o letreiro final. Porém fica o panfleto pelo panfleto. mãe! continua sendo o melhor filme neste sentido.

Nota do Razão de Aspecto

 

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