LOU (Lou Andreas-Salomé, 2016) – Crítica
Lou

Lou conta boa parte da vida de Louise Andreas-Salomé. Por não ter obras traduzidas para o português, Lou não é tão conhecida do público tupiniquim. Nesse sentido, a obra faz um serviço de apresentação da figura histórica da psicanalista, filósofa e poeta de grande importância feminista. Eu mesmo confesso que não a conhecia.

Para ler outras histórias com mulheres fortes veja os nossos textos sobre: Mulheres Divinas e As Sufragistas e, por que não, Mulher Maravilha.

Para tentar dar conta de um pedaço grande da vida da biografada, o longa da diretora alemã Cordula Kablitz-Post propõe uma história não linear, através de flashbacks e ida e vindas contadas por Lou mais idosa (Nicole Heesters), em uma desculpa das mais esfarrapadas.

Desde o começo, o filme foca em mostrar a personagem como uma mulher forte em qualquer idade. Seja ela caindo de uma árvore quando criança (sem chorar) ou mesmo desafiando diversos paradigmas das respectivas épocas (que são quase os mesmos).

Há alguns poucos momentos de sutileza (nem tão sutil, mas…) como Lou saindo de uma igreja após questionar um padre no meio de um culto e ao abrir a porta ser tomada por um clarão. O signo dela se encaminhar para a luz do conhecimento fica evidente ali – sim, esse é o máximo de sutileza aqui.

Na maior parte do tempo são reiteradas frases como “não preciso casar” ou então movimentos de roteiro repetidos como homens se apaixonando por ela e ela só querendo amizade, o que causa rompantes de raiva/tristeza neles. As repetições ficam maçantes por não avançar a história e martelar ideias já assimiladas.

Os discursos, principalmente os filosóficos, são muito marcados. Basicamente para impressionar quem não conhece. Chega a ser vergonhoso os personagens ao redor reagindo. Falta mão para tornar a coisa mais natural.

O design de produção apresenta cenários ricos em objetos. A sujeira visual dá um ar mais real. A trilha, contudo, acompanha os momentos de forma piegas, repare em como ela aparece de modo que logo antevemos a presença ou o tom.

A montagem, dada as linhas temporais, não consegue equilibrar bem os momentos. Muito concentrada em algum período, a narrativa se esquece de outros. O tempo em tela não é bem distribuído. Tornando a ideia cansativa.

Ainda assim, pequenas passagens salvam o filme como a sequência de sexo (não vou falar exatamente com quem para não dar spoiler) ou as belas fotos onde vemos um personagem se deslocando dentro de fotografias gerando um efeito visual criativo.

Um ponto positivo é que mesmo o filme enveredando muito para as relações pessoais de Lou e não tanto pelos estudos, o longa consegue colocá-la de igual para igual com nome como:  Friedrich Nietzsche , Sigmund Freud , Paul Rée e Rainer Maria Rilke, em geral até com um ar superior, ou seja, dando a devida visibilidade.

As falhas e autoconsciência da personagem ficam no limiar entre a autoindulgência e uma saída inteligente do roteiro para expor mais camadas de Lou. E essas situações, entre o elogiável e o pedestre, resumem a qualidade do filme como um todo.

Not rated yet!

Lou Andreas-Salomé

Overview

A escritora e psicanalista Lou Andreas-Salomé decide reescrever suas memórias aos 72 anos. Ela relembra sua juventude em meio à comunidade alemã de São Petersburgo. Desde criança, sonhava em ser intelectual e estava determinada a nunca se casar ou ter filhos. Além de trabalhar com nomes famosos, ela escreve sobre os relacionamentos conturbados com Nietzsche e Freud, além da paixão por Rilke e conflitos entre autonomia e intimidade, junto com o desejo de viver sua liberdade.

Metadata
Writer Cordula Kablitz-Post, Susanne Hertel
Author
Runtime
Country  Italy Germany Austria Switzerland
Release Date 30 junho 2016

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