A Livraria (The Bookshop, 2017) – Crítica
A Livraria

A Livraria é uma carta de amor a um recinto muito importante, justamente o local-título. Mas tal como uma carta de amor, temos aqui alguns exageros, ingenuidades e muito carinho. Esses sentimentos afloram a todo instante na obra dirigida e escrita por Isabel Coixet.

A trama basicamente tem uma única direção: Florence Green (Emily Mortimer) abre uma um empreendimento (imagino que vocês saibam qual é… dica: envolve livros…), contudo o local não é bem visto pela sociedade local. Começa então uma luta passivo-agressiva  (às vezes só agressiva mesmo) contra Florence.

Perpassando todo o A Livraria, temos diálogos carregados intencionalmente artificiais – principalmente no primeiro ato. A revolta inicial dos outros personagens é quase injustificada tentando foçar que o público simpatize com a protagonista. Em momento algum ela é genuinamente questionada. Não podemos “torcer” pelos vilões. Isso enfraquece o todo.

A Livraria

Embalado por uma narração problemática, pois apesar de reforçar o ar fabulesco, torna-se redundante com frequência – inclusive no referido reforço, já que o resto da obra era o suficiente para dar o tom. Não há que culpar a trilha que segue exatamente o tom que a narrativa precisa, o porém, contudo, é exatamente este: tudo é quadradinho. A coisa é mais conservadora que os personagens que denuncia.

A discussão sobre Lolita é um exemplo emblemático. Mas um tanto óbvia e ao mesmo tempo aleatória. O longa Capitão Fantástico trouxe a discussão à tona de modo muito mais potente.

Na parte do design de produção, aí sim há méritos. Os cenários, figurinos e por que não sotaques são partes essenciais para nos jogar na época e local. A fotografia dessaturada também funciona para a proposta de contrapor a alegria que os livros podem causar.

Os muitos diálogos, diversos deles um tanto dispensáveis, tornam a empreitada um pouco árida. Apesar de ser um filme verborrágico, os atores não tem muito material nas mãos. As interpretações estão dentro dos conformes.

A Livraria não é propriamente um erro… mas beira ares infantis. Talvez muito bem intencionado, o longa acaba sendo uma metonímia metalinguística da visão da própria protagonista.

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The Bookshop

20171 h 50 min
Overview

No final da década de 50, uma mulher (Emily Mortimer) recém-chegada em uma pacata cidade do litoral da Inglaterra decide abrir uma livraria. Contudo, sua iniciativa é vista com maus olhos pela conservadora comunidade local, que passa a se opor tanto a ela quanto ao seu negócio, obrigando-a lutar por seu estabelecimento.

Metadata
Director Isabel Coixet
Writer
Author
Runtime 1 h 50 min
Country  Germany Spain United Kingdom
Release Date 3 novembro 2017

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