Liga da Justiça (Justice League, 2017) – Crítica
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Posters para "Liga da Justiça: Parte 1"

Há uma determinada cena já próximo ao final de Liga da Justiça em que se faz uma clara homenagem ao Superman de Christopher Reeve. Talvez este simples exemplo possa resumir o objetivo do novo filme do Universo DC nos cinemas: a volta da aventura e do heroísmo tradicional como foco do filme, deixando um pouco de lado a sisudez de Homem de Aço (2013) e Batman vs. Superman: A Origem da Justiça (2016). Aparentemente, Mulher Maravilha (2017) provou aos produtores que não é preciso ser sempre tão dark nos filmes da DC.

Dirigido por Zack Snyder, o visionário diretor de 300, o mesmo dos filmes anteriores, e finalizado por Joss Whedon (dos dois Vingadores), após uma tragédia familiar ter afastado o diretor original da obra, Liga da Justiça parece ter-se beneficiado dessa dupla direção (não creditada). A abertura do filme tem claramente todo o “jeitão” Snyder, com ecos de Watchmen (2009) na câmera lenta, acompanhada de uma canção triste, mostram o aumento da violência e da intolerância após a morte do Superman e o vazio deixado por ele na vida de Lois Lane.

A partir daí, o primeiro ato do filme se ocupa com a apresentação da trama e com o recrutamento do membros da Liga da Justiça. Steppenwolf (vivido por um Ciarán Hinds irreconhecível), um guerreiro e conquistador espacial (e nos quadrinhos tio do megavilão Darkseid), planeja reunir três Caixas Maternas, objetos fonte de poder inesgotável, para conquistar a Terra e se vingar de sua primeira derrota, eras atrás, nas mãos de uma aliança entre humanos, atlantes, amazonas e até um pessoal que usa anel…   Para defender o planeta e honrar o sacrifício do Superman (Henry Cavill), Batman (Ben Affleck) e a Mulher Maravilha (Gal Gadot) partem atrás de Arthur Curry, líder dos Dothraki o Aquaman (Jason Momoa), de Barry Allen, o Flash (Ezra Miller) e de Victor Stone, o Cyborg (Ray Fisher), salvo da morte por seu pai utilizando justamente a tecnologia das Caixas Maternas.

Uma vez unida a equipe, a química entre os personagens funciona bem. Para os fãs mais ardorosos do personagem, talvez apenas o Flash seja explorado um pouquinho além da conta como alívio cômico. Há, sim, humor no filme, mas em uma dose mais orgânica e agradável, sem apelar pro deboche no nível de Thor: Ragnarok. Os atores estão à vontade nos personagens – ainda que Miller dê uma exagerada nas caretas –  e a dinâmica entre a capacidade de liderança do Batman e a liderança natural da Mulher Maravilha são bem trabalhadas. Todos os personagens principais têm a atenção devida, embora fique a curiosidade de ver mais dos poderes do Aquaman de Momoa em seu habitat aquático.

Outro elemento deliciosamente inesperado no filme é a trilha sonora. Danny Elfman, veterano vocalista do Oingo Boingo compositor de trilhas para filmes de super-heróis, não tem o menor pudor de fazer citações mais ou menos explícitas (ouvidos a postos!) a suas próprias composições em Batman (1989) e ao tema do Superman (1978) composto por John Williams. Nesse sentido, a trilha sonora é mais um elemento que soma à abordagem mais aventuresca de Liga da Justiça,  com tintas de nostalgia.

O filme conta ainda com coadjuvantes de luxo, como Amy Adams no papel de Lois Lane; Jeremy Irons como Alfred, eterno mordomo de Bruce Wayne/Batman;  J.K.Simmons como o Comissário Gordon; Diana Lane como Martha Kent; Amber Heard como Mera; Robin Wright como Antiope e Connie Nielsen como Hippolyta, rainha das amazonas.

Os efeitos especiais são parte do ponto fraco do filme. Se, por um lado, funcionam bastante bem nas cenas subaquáticas do Aquaman, por outro, em vários momentos perdem um pouco a naturalidade e lembram videogames de penúltima geração. O vilão, em especial, carece de um certo realismo.

Pressionados pelo sucesso de Liga da Justiça como definidor do futuro do Universo DC no cinema, os realizadores optaram por um filme sem grandes riscos ou ousadias. Com isso, se, por um lado, há um roteiro redondinho, por outro temos uma trama e um vilão meio genéricos e vários diálogos explicativos – sendo um dos mais constrangedores o que a Mulher Maravilha explica dos poderes do seu laço para um bandido no meio de um assalto.  O filme é bem-sucedido como aventura, mas tende a escorregar para o pieguismo toda vez que tenta criar densidade dramática (vide as relações familiares de Cyborg, Flash e Aquaman). Ah, sim, estão lá as cenas com closes de abdomens (masculinos e femininos), tara pessoal de Snyder, e cenas vejam-como-eu-sou-f*dão-e-mala em alguns momentos da apresentação dos personagens.

Liga da Justiça vai agradar aos fãs do Universo DC e possivelmente ao público geral. Trata-se de um filme comparativamente curto (121 minutos), com um tom de aventura divertida e que resgata uma noção de heroísmo mais clássico. Embora com um roteiro meio manjado – e talvez por causa disso – é um filme que a DC precisava para rearranjar seus rumos.

PS: Há duas cenas pós-créditos. Uma delas relembra uma velha disputa dos quadrinhos, e a outra, mais importante do ponto de vista de continuidade do Universo DC no cinema, aponta para futuros desafios à Liga da Justiça.

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Liga da Justiça

Overview

A Liga da Justiça marca a união de vários heróis dos quadrinhos da DC Comics, com destaque para Super-Homem, Batman, Aquaman, Mulher Maravilha, Flash e Ciborg.

Metadata
Director Zack Snyder
Writer Chris Terrio, Zack Snyder, Joss Whedon
Author
Runtime
Release Date 15 novembro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 20    Média: 3.8/5]
  • Maurício Costa

    Gostei do filme, me diverti bastante. Também fiquei incomodado com alguns diálogos, mas não comprometram o conjunto da obra. O CGI, sim, me incomodou bastante em vários momentos.