LEGO Ninjago – Quando as peças não se encaixam
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E a franquia Lego acaba de lançar seu terceiro longa metragem. Os dois anteriores, Uma aventura LEGO e LEGO Batman: O Filme foram sucessos de crítica e de público, agradando crianças e adultos. Então a expectativa diante de LEGO Ninjago – O filme estão altas. Mas infelizmente o público tem boas chances de sair frustrado.

Antes de falar do filme em si, vale comentar como foi a sessão que assisti. Foi uma pré-estreia para convidados, e apesar da presença de alguns jornalistas e críticos, a imensa maioria do público tinha menos de 15 anos de idade. Uma sala lotada de crianças e jovens, perfeita para acompanhar a reação do principal público alvo. A sessão foi dublada, portanto não havia dificuldades de idioma. E apesar do filme disparar quase que uma piada a cada 3 segundos de filme, os risos foram poucos, esparsos, e vindo majoritariamente dos adultos na sala. Alguma coisa não se encaixou bem.

O visual do filme é excelente, talvez até melhor que seus antecessores. A qualidade da animação é muito alta, tanto tecnicamente quanto esteticamente. Chegamos esquecer, exceto nos momentos que o filme faz questão de nos lembrar, para rir, que estamos diante de bonecos legos animados. Isto mostra o mérito da animação, mas confesso que senti falta do tema LEGO na história, tão presente em Uma aventura Lego. Os melhores momentos da animação ficam por conta de Meowthra (uma homenagem aos filmes de monstro japoneses) e a Arma Super-Poderosa, onde o tema LEGO é abordado de forma inusitada e divertida.

Mas a parte LEGO é periférica, dispensável. A história é uma história de ninjas que lutam com robôs gigantes contra o terrível Garmadon, um vilão que tenta conquistar a cidade de Ninjago. Ou mais especificamente, é a história de um ninja, o Ninja Verde, que secretamente é também Lloyd, um adolescente desprezado  por todos por ser filho de Garmadon. Infelizmente os demais cinco ninjas são tão amorfos e dispensáveis que a única coisa que lembro deles são seus poderes elementais (fogo, água, gelo, terra e eletricidade).

Então a história se divide basicamente em duas partes. A ação das lutas entre os ninjas e Garmadon, com batalhas com dúzias de robôs gigantes, centenas de mísseis e explosões, e milhares de cortes rápidos com cenas de 2 a 3 segundos, alternando bruscamente entre os diversos cenários da batalha. E a narração da  relação familiar entre Lloyd e Garmadon, onde piadas são arremessadas sem muita preocupação, e a relação pai e filho avança sem muito sentido ou coerência. Algo tipo Transformers infantilizado. O breve respiro que temos ocasionalmente acontece por conta de Meowthra ou de Master Wu. O personagem de Jackie Chan é uma boa paródia dos clichês dos mestres ninjas, tão presentes em filmes de artes marciais. Mas juntando Meowthra e Wu, teremos talvez uns 10 minutos de boa comédia, em um filme de 101 minutos.

Apesar da boa produção, boa fotografia e boa trilha sonora, LEGO Ninjago segue a escola Michael Bay de direção: cortes frenéticos, superestimulação de sentidos, falta de substância. O arco sobre o significado do poder verde de Lloyd poderia ser bom, se amadurecesse. Sobrou piadas, faltou criatividade para encaixa-las em uma estrutura. Faltou LEGO.

Nota do Razão de Aspecto

 

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