Legalize Já – A Amizade Nunca Morre (2018) – Crítica
Legalize Já

Dado o título e um dos temas do filme, vale a ressalva: não importa a minha visão sobre a questão da legalização, os elogios e críticas aqui serão só cinematográficas e não entrarão em outra ceara. Você como espectador fique à vontade para decidir o que te atrai ou ofende, mas como recomendação, vale tentar separar: um filme não se torna bom ou ruim a priori só por conta de um assunto. Legalize Já – A Amizade Nunca Morre conta a história da construção de dois personagens que deram origem à banda Planet Hemp, Luis e Marcelo, futuro D2.

Acompanhamos Marcelo (Renato Góes) pouco antes dos trinta anos tentando se estabelecer na vida vendendo como camelô camisetas de bandas de rock, além de lidar com o pai que quer expulsá-lo de casa e com a namorada grávida. Em paralelo, Luis (Ícaro Silva), conhecido como Skunk, que está com um problema de saúde grave, tenta viver da música. Quando os dois se encontram, uma amizade nasce – não de pronto, vale dizer.

Legalize Já

A fotografia lavada, quase em preto e branco, não é só um capricho da direção. Para além de retratar uma época que não a atual, o tom escolhido reflete bem o momento dos personagens. A falta de vida e esperança diante do concreto da cidade e do sistema. Outro acerto visual é no uso do espaço urbano, em especial os Arcos da Lapa e os trilhos. Nestas cenas, além de muito bem filmadas, criando um ambiente próprio em meio a algo comum, expõe, implicitamente, alguns contrastes típico da região.

Na parte musical, essencial em um cinebiografia de um cantor, temos um contexto bem delineado. Desde conversas sobre músicas, passando por pensamentos na hora de compor, seguimos os ensaios e apresentações – algumas bem inusitadas inclusive. Há uma certa insistência na música tema/título. A ideia fica pra lá de reforçada e isso causa o efeito oposto: a de enfraquecer pela redundância, até porque há outros momentos que a questão é abordada.

Mas vale muito a nota: as drogas não são exatamente o tema central. Aborto, preconceito, lutar pelo sonhos estão também na pauta. Tudo isso ajuda a construir a dupla principal que não se atém a bater na mesma tecla, longe disso. Neste ponto, os personagens secundários exercem uma força motora eficaz. Eles beiram a caricatura, mas dentro do contexto são funcionais. Destaque para o “empresário” dos artistas, o argentino dono do bar.

Legalize Já

Narrativamente o longa segue alguns princípio da jornada do herói: há a negação da jornada, a parceria/mentoria, a saída da zona de conforto, as provações e, claro, a recompensa. E mesmo com esses quesitos pra lá de conhecidos e com parte do público conhecendo a história, o trajeto até o o final não é amargo, pelo contrário. Legalize Já – A Amizade Nunca Morre rende muitos momentos de risada e de um humor variado.

Parte do carisma da obra está na dupla de atores principais, Ícaro Silva e Renato Góes. Eles conseguem se sair bem isoladamente, mas têm uma química invejável e funcionam mesmo em dupla. Seja em cima dos palcos, seja sentado no meio fio/guia, a dinâmica fica natural. O ar decidido de Luis é um ótimo contraponto ao olhar perdido de Marcelo, sentimentos passados com clareza pelos intérpretes.

O terceiro ato acaba se atropelando e resolvendo as coisas de forma corrida. A montagem neste momento fica desequilibrada e destoante do resto. Parece que faltou cena. Ainda assim, há um viço emocional, musical e temático que ainda sustenta e faz com que o todo não desande por completo.

Legalize Já – A Amizade Nunca Morre  sabe bem a história que quer contar e preenche o cenário com diálogos sobre alcachofra e aspargos (no melhor estilo Tarantino em Pulp Fiction) ou simplesmente criticando o “na boquinha da garrafa” que estava em alta na época. No coração do filme há espaço para de tudo um pouco em meio à bandeira levantada.

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Legalize Já!

20171 h 35 min
Overview

planet hemp biografia

Metadata
Writer Felipe Braga
Author
Runtime 1 h 35 min
Country  Brazil
Release Date 6 outubro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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