Kong – A Ilha da Caveira
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Kong: A Ilha da Caveira tem alguns méritos interessantes e alguns problemas que prejudicam a experiência do espectador. Como obra de entretenimento, funciona moderadamente, porém oscila demais no ritmo da narrativa. Vamos discutir as razões.
Sem dúvida, Kong: A Ilha da Caveira é tecnicamente exuberante. A fotografia conseguiu criar o ambiente dos anos 1970, com uma paleta amarelada e um pouco suja, especialmente nas sequências que se passam fora da Ilha, seja em Washington, seja no Vietnã. Somada à trilha sonora, que inclui Black Sabbath, David Bowie e outras grandes bandas daquela década, o diretor Jordan Vogt-Roberts conseguiu construir uma ambientação convincente dos turbulentos anos de Richard Nixon na presidência dos Estados Unidos. Para completar, Kong se utiliza de muitas referências visuais do cinema dos anos 1970, das quais o plano dos helicópteros em frente ao sol, com o surgimento da silhueta de King Kong, é a epítome da sofisticação técnica.
Os efeitos visuais são, em grande medida, ponto forte e ponto fraco de Kong: A Ilha da Caveira. Parece contraditório, mas não é.  O CGI do filme é perfeito. Toda a ambientação da ilha, os animais, os monstros e, principalmente, King Kong são hiper convincentes e criativos. Não hesito em afirmar que se iguala a Mogli: O Menino Lobo. Por outro lado, a extrema competência na execução dos efeitos visuais levou a equipe a incluir cenas completamente desnecessárias, com o claro objetivo de apenas mostrar uma criatura digital diferente. Sim, são criaturas realmente diferentes e tecnicamente extravagantes, mas, ao longo do filme, a repetição desse recurso se torna cansativa, porque pouco serve, ou nada serve, para o desenvolvimento da história e diminui o tempo de tela daquela que devia ser a criatura mais onipresente: King Kong.
Com “grande elenco”, na melhor entonação das vinhetas da Rede Globo, Kong: A Ilha da Caveira prometia atuações de alto nível. A vencedora do Oscar, Brie Larson, Tom Hiddleston, nosso inesquecível Loki, John C. Reily, John Goodman e Samuel L. Jackson são as grandes estrelas, prejudicadas por um roteiro fraco. Todos os personagens são unidimensionais e rasos, sem nenhum desenvolvimento, com diálogos pueris ou previsíveis em 90% do filme. Se há desenvolvimento de algum personagem, este é o próprio King Kong, de quem conhecemos o passado e as motivações. Não posso afirmar se a unidimensionalidade estereotipada da militante pacifista, do ex-militar misterioso, do coronel vingativo, do alívio cômico e do cientista “maluco” foi proposital, mas foi, certamente, uma péssima escolha. O elenco não tem material pra trabalhar e faz o que pode. Consegue, pelo menos, entregar interpretações honestas e divertidas, na medida do possível.
Os pontos mais fracos de Kong: A Ilha da Caveira são o roteiro e a montagem. Na tentativa de desenvolver subtramas demais após a chegada da equipe à ilha, o filme se perde em caminhadas pela mata, diminui o ritmo e ação no segundo ato e quase faz desaparecer por uma hora inteira a razão que nos levou ao cinema: King Kong. Por longos e entediantes minutos, vemos aranhas gigantes, um gafanhoto, os monstros inimigos de Kong e quase nada do nosso protagonista. Embora o personagem de John C. Reily, Hank Marlow, cumpra uma função narrativa importante e, ao mesmo tempo, a de alívio cômico, Kong gasta tempo excessivo com o desenvolvimento desse núcleo, por exemplo, e com as piadas repetitivas sobre aquilo que Hank perdeu enquanto esta isolado na ilha: o vencedor da II Guerra Mundial, a televisão, a chegada do homem à Lua e coisas do gênero. Depois da terceira piada, fica realmente difícil não perder a paciência. Afinal de contas, queremos tiro, porrada e bomba com King Kong!
Neste ponto, chegamos àquilo que faz de Kong: A Ilha da Caveira uma experiência majoritariamente agradável: as sequências de ação com o nosso querido gorila de dezenas de metros de altura. Concentradas no primeiro e no terceiro atos, as lutas de King Kong, primeiro contra os humanos invasores, no fim contra os monstros subterrâneos, são épicas. Felizmente, Jordan Vogt-Roberts não segue a escola Michael Bay de filmes de ação e permite que o espectador tenha noção do cenário geral, utilizando-se de poucos cortes. É muito interessante o uso incidental de câmera subjetiva quando os humanos são atacados pelo gorila, porque dá a dimensão da ameaça que King Kong representa. As sequências de luta contra outras feras da ilha são de tirar o fôlego, algo parecido com os duelos de Círculo de Fogo. Não posso deixar de registrar o uso de vários golpes de artes marciais por parte do gorila gigante, incluindo ipon, mata-leão, estrangulamento e chave de braço (neste caso, chave de asa). King Kong seria um grande campeão do UFC dos monstros gigantes.
Kong: A Ilha da Caveira tem um resultado mediano, sabotado pelas próprias escolhas da produção, porém, é uma digna retomada da saga do personagem no cinema, superior ao filme de Peter Jackson, de 2005. Por se tratar de um personagem icônico, com muitas adaptações para diferentes linguagens, eu esperava mais. Logo eu, que aprendi a entender o que era injustiça com a queda de King Kong do Empire State Bulding, na versão cinematográfica clássica, de 1933.
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Kong: A Ilha da Caveira

2017Duration unknown
Overview

Uma equipa de exploradores reúne-se na missão de explorar uma ilha desconhecida do Pacífico - com tanto de encantadora como de traiçoeira - alheios ao facto de estarem a entrar no território do mítico Kong.

Metadata
Director Jordan Vogt-Roberts
Writer
Author
Runtime Duration unknown
Release Date 8 março 2017

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