Jumanji – Bem vindo a selva – Crítica
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Se alguém me perguntasse sobre que filme dos anos 90 eu gostaria de ver uma continuação, eu não falaria Jumanji. Também não estaria na minha lista de que filmes eu apostaria que alguém faria alguma continuação. Apesar de eu me lembrar com certa simpatia da comédia, não foi exatamente um filme marcante.

Tudo o que eu me lembrava do filme era do Robin Willians, da temática relacionada a um jogo de tabuleiro e do tema de floresta. Não me lembrava sequer que foi um dos primeiros filmes da Kirsten Dunst. Quase nenhum detalhe da história ficou na minha cabeça. E não é a toa: a história não importa muito, e é bem rasa.  Um filme agradável, mas esquecível. E, após rever o filme para escrever esta crítica, tenho que confessar: Jumanji envelheceu mal. A CGI era importante para imersão na história, e hoje é sofrível. Hoje seu celular consegue fazer um macaco mais convincente que o da imagem abaixo.

Quando descobri que uma continuação estava sendo feita, dei um pequeno sorriso e esperei ver mais um filme juvenil, despretensioso, divertido e um tanto tolo. As expectativas aumentaram um pouco quando descobri o elenco principal: The Rock, Jack Black, Kevin Hart e Karen Gillian.

Jumanji – Bem vindo a selva cumpre quase perfeitamente as expectativas, tanto positivas quanto negativas, e com isto consegue ser uma continuação que supera o original. Diferente do filme de 1995, aqui temos uma narrativa condutora, e não uma mera desculpa para aguardarmos o que mais irá surgir do tabuleiro. Assim como o jogo passa por uma modernizada no filme, se transformando de tabuleiro em videogame, a narrativa ganha agora alguma estrutura e corpo. Nada muito elaborado no entanto. A história é apenas atravessar uma série de desafios para levar uma joia ao seu devido lugar: o olho da estátua de um Jaguar, no coração de Jumanji. Uma tolice, mas um avanço se lembrarmos que no filme anterior o objetivo era apenas terminar o jogo.

Mas a história da jóia é o que menos importa. O que importa aqui é a resolução dos conflitos juvenis dos quatro personagens principais. No velho estilo de Clube dos Cinco temos uma reunião de quatro arquétipos do ensino médio americano na detenção escolar. O geek de videogames, o atleta, a patricinha e a CDF. Este grupo improvável acaba sendo sugado para dentro de um videogame, no corpo de avatares opostos a suas personalidades no mundo real. O geek se transforma em um intrépido arqueólogo aventureiro, uma versão mais musculosa de Indiana Jones (Dwayne Johnson). O atleta se transforma no fraco e intelectualizado ajudante (Kevin Hart). A CDF se transforma em uma sensual e fatal aventureira (Karen Gillian). A patricinha perde seu celular e se transforma no Jack Black.

A alma do filme está exatamente ai: em botar os quatro atores interpretando o desconforto de terem personalidades opostas a seus corpos e terem que aprender a usar habilidades e exercerem funções opostas as que valorizam. Isto dá ótimas oportunidades para os atores exercerem sua comicidade.

Ver Dwayne Johnson se assombrando com seus enormes bíceps ou Jack Black dando aulas de como sensualizar é pura comédia. Os dois atores estão hilários. Não chego a dizer que são grandes atuações, pois seus personagens são uma mistura de arquétipos e avatares, ambos unidimensionais. Mas em termos de causar risos, funciona, e muito bem. Karen Gillian tem enorme talento para comédia corporal, e consegue realmente transmitir desconforto com seu corpo. Tem momentos em que ela parece quase tropeçar em suas longas pernas, em outros se envergonha de sua própria beleza. No entanto a hipersexualização de sua personagem pode incomodar alguns, em especial nos momentos em que o filme tenta fazer piada em cima disto. Kevin Hart é engraçado, mas não consegue manifestar real desconforto como os outros três atores, parecendo mais um típico alívio cómico, desnecessário para um filme 100% comédia.

A linguagem de videogame está inserida na medida certa. Há referências a como os diálogos aparecem para os jogadores, as fichas de personagens e suas habilidades, as fases de jogo, as vidas, etc. Mas sem muita profundidade e sem muita fidelidade, o que é bom. Apesar da história se passar em um videogame, o tema não é estar dentro de um jogo.  Jumanji – Bem vindo a selva não é um Tron na floresta, mas sim uma história de jovens se descobrindo e amadurecendo.

Os efeitos visuais são propositalmente artificiais em alguns momentos. O cenário, os animais e o visual como um todo volta e meia nos diz: isto é um videogame. Um caso raro onde CGI de qualidade questionável ou iluminação esquisita combina com a história. A trilha também carrega um pouco no cartunesco e óbvio, aumentando a sensação artificial. Cores e sons em Jumanji estão sempre um tom acima do esperado, como um videogame antiquado. Defeitos propositais que apreciei bastante.

O roteiro é previsível e superficial, os personagens são estereotipados, os conflitos são bem banais e algumas soluções meio forçadas. Há alguns momentos em que o filme para a história para dar mais espaço ao atores e suas piadas. Mas Jumanji sabe de suas próprias limitações, e em nenhum momento tenta ser mais que uma comédia leve. Entretenimento para toda família. Assista em um domingo a tarde com um grande balde de pipoca e quantidades acima da recomendável de refrigerante.

Nota do Razão de Aspecto

 

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[Total: 8    Média: 3.8/5]