Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs, 2018) – Crítica
Ilha dos Cachorros

Ilha dos Cachorros é a nova animação do diretor Wes Anderson (Grande Hotel Budapeste, Moonrise Kingdom, O Fantástico Sr. Raposo). Muito além de um “esses cachorrinhos da pesada irão aprontar muitas confusões”, o longa traz diversas metáforas de temas históricos-culturais. Logo no prólogo já somos imerso em uma bela e trágica história. Não tarda para comprarmos aquele universo onde os cachorros são vilanizados e expurgados da sociedade por um clã corrupto adorador de gatos.

Em meio a um visual acachapante, algo comum quando falamos de Wes Anderson, com cenários riquíssimos em detalhes (típico filme que vale muito rever para prestar atenção em tudo), há uma sensação de estarmos contemplando algo belo mesmo em meio a uma imundice. A mistura de elementos diferentes acrescenta um contraste raro. Cachorros-robôs, feridas carcomidas, brigas cartunescas, ritos japoneses, tudo no mesmo balaio e todos sob o guarda chuva de um deslumbrante trabalho de stop motion.

Ilha dos Cachorros

Talvez você não ache a história espetacular. E sim, ela tem personagens demais e desenvolve-os de menos, há problemas em equilíbrio narrativo, contudo, o aspecto áudio-visual impressiona. E digo também “áudio”, pois a trilha com tambores e assobios dão um tom essencial. Como trabalho técnico-artístico esta é uma das obras mais destacáveis do ano.

Apesar de algumas ressalvas, o texto não é um elemento desagregador. Pelo contrário, há um humor ardiloso e que funciona desde formas mais infantis (vale o alerta: o filme não é para crianças, vide classificação indicativa de 12 anos), até passagens sutis e sátiras mais escrachadas. As piadas com fofocas e a revolta democrática do bando do Chief têm potencial para gargalhadas.

Os dramas (que por sinal também estão intrincados com a verve cômica do filme) trazem temas clichês como amizade, vingança, amor e poder, mas abordados com precisão. Não será difícil ver o público engajado naquelas personalidades e na busca do menino pelo cãozinho.

As questões linguística (principalmente para o público ocidental e não falante de japonês) saltam aos olhos. Os humanos tem primordialmente falas em japonês – por vezes traduzidas através de interpretes diegéticos ou outros mecanismos, ou simplesmente deixados de forma bruta. Já os cachorros falam inglês e se comunicam de maneira plena.

Ilha dos Cachorros

Os temas abordados nos remetem a uma limpeza étnica, a personalismos e extremismos. Quaisquer relações com temas, ainda presentes, não são meras coincidências. Colocá-los de forma quase lúdica permite ganhos que se fossem abordados (mais) diretamente talvez não tivessem a mesma força.

Dando voz, em um trabalho interpretativo grandioso, temos atores consagrados (imagino que este filme não virá dublado, mas ser vier não cometa a heresia de dispensar a versão original):  Bryan Cranston, Edward Norton, Bill Murray,  Jeff Goldblum,  Frances McDormand, Greta Gerwig,  Harvey Keitel, Scarlett Johansson, Tilda Swinton,  Liev Schreiber e até Yoko Ono. Em participações principais ou pequenas pontas, este seleto grupo rouba o título dos Vingadores de elenco mais encorpado do ano.

A Ilha dos Cachorros pretende abraçar o mundo, um mundo cheio de espinhos, e o faz de forma quase perfeita.

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Ilha dos Cães

Bem-vindo a ilha dos Cães

20181 h 41 min
Overview

Ilha dos Cães conta a história de Atari, um miúdo de 12 anos sob a tutela de Kobayashi, o corrupto presidente da câmara. Quando, por decreto executivo, todos os animais de estimação caninos da cidade de Megasaki são exilados para uma vasta lixeira chamada Ilha do Lixo, Atari parte sozinho num turboélice miniatura e atravessa o rio à procura do seu cão de guarda, Spots. Nessa ilha, com a ajuda de uma matilha de rafeiros, começa uma jornada épica que irá decidir o destino e o futuro de toda a cidade.

Metadata
Director Wes Anderson
Writer Wes Anderson
Author
Runtime 1 h 41 min
Release Date 23 março 2018

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