Human Flow – Não Existe Lar se Não Há Para Onde Ir (2017)- Documentário Sobre Refugiados – Crítica
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Human Flow – Não Existe Lar se Não Há Para Onde Ir é um documentário sobre a questão dos refugiados ao redor do mundo. Tema que afeta milhares de pessoas e com certeza é uma das pautas mais urgentes e complexas atualmente. Antes de seguir no texto, querido leitor, entenda que o objetivo desta crítica não é classificar o TEMA como “necessário” ou “importante”, mas somente analisar o filme enquanto obra cinematográfica. Há espaços em que o assunto do filme pode e deve ser discutido. A proposta aqui será: como o diretor Ai Weiwei usa o cinema para trazer à tona aquelas questões?

Infelizmente temos diversos problemas aqui. Fica claro que a ideia é mais um panfleto do que técnica. Não duvido que o diretor tenha se debruçado sobre o assunto e nem o quanto ele se esforçou. Isso fica claro na abordagem global que ele faz. Diversos países e continentes são postos na mesa. É estabelecido como o problema não é só local. Contudo, não premio o esforço pelo esforço.

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Se por um lado essa visão mundial traz um ponto a mais para a discussão, por outro transforma o filme em um ar episódico. Seria talvez mais produtivo transformá-lo em uma série documental. Material para isso havia. Outra consequência negativa recai sobre o tempo do longa: 140 minutos. Na ânsia de abraçar todos os problemas do mundo, Weiwei acaba se prolongando.

Isso não seria um revés caso o filme tivesse dinâmica para tal ou então justificasse uma possível lentidão. Todavia, muitas cenas do filme são apenas masturbação da direção em planos longos que mostram pouco. Por diversas vezes me peguei questionando a necessidade de determinada cena. O ápice disso fica nos momentos com os bichos.

Alguns closes sem função, ou metáforas vazias são vistas. Há até um inacreditável momento que o filme para para vermos e escutarmos um tigre tendo flatulências e defecando. Sim, repito: tendo flatulências e defecando. Algo que talvez eu condenasse até em um filme de comédia. Alívios cômicos são bem-vindos, mas fica um tanto deslocado tal momento dentro de Human Flow.

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Outra coisa que denota um excesso é a quantidade de vezes que o diretor aparece. Não é raro em documentários, quando o diretor faz uma pergunta a câmera sai do entrevistado ou mesmo se usar um plano onde as costas do entrevistador, por vezes o próprio diretor, são vistas. Aqui a coisa vai muito além e Weiwei vira um quase personagem. O pior é que ele não tem um arco, são apenas momentos aleatórios e que exprimem uma vaidade dele. Ele por ser também refugiado poderia caber no filme, o que pesa é o tanto de aparições.

Como que não acreditando na capacidade dos depoimentos e na montagem pseudo poética da própria obra, ele opta por colocar diversos letreiros explicativos. Em filmes dessa natureza algum contexto é bem-vindo. Mas as inserções são constantes e quebram o ritmo – que já era ruim. O trato com esse didatismo infantil enfraquece ainda mais o longa e estica o problemático tempo.

Dada a circunstância, era normal o público se emocionar com os personagens e histórias. Seria até comum críticas ao apelo à emoção. Aqui em Human Flow nem isso pode ser apontado. A coisa é tão jogada que um natural vínculo é dissipado. O instrumento encontrado é deixar uma câmera filmando diante de um grupo de crianças fazendo brincadeiras.

Há diversas maneiras de tratar de assuntos pesados em um documentário. A poesia e quase ficcionalidade em Fogo no Mar (também sobre refugiados), a dinâmica da montagem e um didatismo preciso no Era dos Gigantes ou até usar o próprio cinema como metalinguagem como em Eu Não Sou Seu Negro. Caso você tenha pouca experiência vendo documentários, já que infelizmente eles não costumam ir para muitas salas, não tome este como exemplo.

Human Flow é expositivo, no pior sentido, deixa-se levar por um capricho do diretor e torna a denúncia sem força temática e principalmente dramática. Human Flow foi a experiência mais desagradável que eu tive no cinema em 2017.

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Human Flow

Overview

Ao longo de um ano, o diretor Ai Weiwei acompanhou crises de refugiados em 23 países, incluindo França, Grécia, Alemanha, Iraque, Afeganistão, México, Turquia, Bangladesh e Quênia. Ele retrata as causas que levam milhões de pessoas a abandonarem seus países de origem, como a guerra, a miséria e a perseguição política, refletindo sobre as dificuldades encontradas na busca por uma vida melhor.

Metadata
Director Ai Weiwei
Writer Chin-Chin Yap, Tim Finch, Boris Cheshirkov
Author
Runtime
Release Date 1 agosto 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 1    Média: 1/5]
  • Maurício Costa

    O diretor como personagem ativo é algo muito comum em certos subgêneros documentais. Pelo que você descreveu, parece ser uma mistura de documentário observacional com documentário em primeira pessoa. Mal-sucedida, pelo visto.