Homem-Aranha no Aranhaverso (2018) – Crítica
Homem-Aranha no Aranhaverso

Homem-Aranha vem se tornando um dos heróis mais populares do cinema. Ele, que já era querido pelas HQs e pelas animações para a TV, ganhou, nos últimos anos, diversas versões na telona (por exemplo, veja a nossa crítica do De Volta ao Lar). Lançado em 2018 nos EUA e chegando dia 10 de janeiro de 2019 no Brasil, Homem-Aranha no Aranhaverso usa bem o novo poder adquirido pelo teioso: a popularidade.

Vide a excelente fala de Peter Parker aqui no filme: “Oi, eu sou o Peter Parker e o resto vocês já sabem…”, seguido de uma descrição ágil dos feitos que serve tanto para apresentar para aqueles que por ventura não conheçam o personagem (em uma aula de exposição bem feita) e serve como alívio cômico para aqueles que já passaram por aquelas histórias muitas vezes.

Mas sabiamente, o longa dirigido pelo trio quase iniciante na função Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman, não se contenta em ser apenas um fanservice e nos entrega uma obra-prima! Sim, querido leitor, estamos diante daquele tipo de filme que merecerá elogios hiperbólicos e vai fazer a lista de melhores animações e melhores filmes de herói de muita gente mexer.

Homem-Aranha no Aranhaverso

A história é simples, porém cativante. Pautada no monomito de Joseph Campbell, temos em um certo olhar um arroz com feijão – e não vamos menosprezar a iguaria, ela combina muito bem, dá sustância e está nos pratos do nosso dia a dia por um motivo: é uma delícia. Contudo, a mistura aqui é tão bem temperada que os movimentos nem podem ser chamados de clichês.

Acompanhamos Miles Morales. Um garoto comum que, adivinhem, é picado por uma aranha radioativa e desenvolve poderes. Ele tem que lidar com essa nova descoberta, vilões, problemas interdimensionais e, como é caro ao personagem, a família e as desventuras da adolescência. Vale também o comentário da representatividade: Miles é negro. E esperamos que o detalhe étnico cada vez menos seja necessário vir em uma nota.

Não irei revelar muito da trama principal (vocês podem conferir no segundo trailer uma sinopse mais reveladora), mas saibam que o roteiro acerta em várias frentes. O protagonista se transforma ao longo do filme. Nós nos importamos com ele logo de cara. As ações têm repercussões sérias, sim tem personagens que morrem aqui. E as figuras secundárias possuem personalidades próprias, também dignas de atenção e exalando carisma.

Não é um grande segredo que o longa traz para este universo, universo onde o Peter Parker que conhecemos reina e agora tendo o posto assumido pelo Miles Morales, Homens/mulheres/porcos-aranhas. Ou seja, “homens-aranhas” de outros universos. E essa interação, além de uma delícia, tem sentido narrativo. Já que serve tanto para o protagonista se sentir amparado com “iguais”, quanto para unirem as características diferentes/complementares para lutar contra o mal. Ao apresentar e usar o aranhaverso a história cria aquele tempero que falei antes.

Homem-Aranha no Aranhaverso

Essa história tem como principal mérito ser universal: funcionando para crianças e adultos. Para fãs e aqueles que não compartilham de um conhecimento prévio apurado. Ou seja, funciona como cinema. Em um recorte com começo, meio e fim – mesmo abrindo possibilidades futuras, mas sem frustar quem comprou um ingresso para ESTE filme.

O humor usa várias estratégias para chegar ao riso. Piadas gráficas, físicas, situações constrangedoras e referências são alguns dos exemplos, tendo um sucesso pleno em Homem-Aranha no Aranhaverso. A ação nos entrega lutas que exploram bem o fato de ser uma animação, mas ainda assim dão uma lição em outros filmes do gênero, passando intensidade através de movimentos não tão óbvios. O drama também tem a própria camada e aposta nas diversas relações: filho-pai, sobrinho-tio, homem-aranha/homem-aranha e nas reflexões individuais.

O vilão, O Rei do Crime, também merece nota. O plano megalomaníaco é bem caricatural. O visual (a cabecinha minúscula comparada ao corpanzil), idem. Entretanto, ambos são desta forma para reforçar a ameaça e acabam se tornando funcionais. Entendemos, tememos e torcemos contra o vilão. Em outras palavras: ele cumpre a cartilha com louvor do que um antagonista deve oferecer.

O visual de Homem-Aranha no Aranhaverso segue na mesma linha. As homenagens aos quadrinhos estão no DNA. A movimentação, estilo do traço e até os famosos balões de pensamento e onomatopeias na luta. Mas para além do ar cartunesco, temos um gráfico diferenciado, algo que é raro, misturando o 2D com 3D, que vai encantar qualquer um. O valor técnico aqui por si só já daria a alcunha de “obra-prima” que eu citei antes. Sei que muitos vão torcer o nariz pelo termo, mas ao conferirem poderão confirmar o quão mágico é este visual.

Em suma: narrativamente temos uma história que não duvida da inteligência do público e sabe como entretê-lo. Um visual exuberante e que faz por merecer o Oscar de melhor animação (a indicação já está praticamente certa, vencer é outra conversa mas é um dos favoritos fortes). E, claro, as MUITAS referências que farão os fãs chorarem e comemorarem – todas elas sem impedir a narrativa de fluir, pelo contrário elas dão um vigor a mais.

Duas observações:

1 – Há cenas pós-créditos. E a última cena vai ganhar mais um comentário forte: a melhor cena pós-crédito que eu já vi. Corre um pequeno risco de ficar datada, mas no momento atual ela funciona perfeitamente.

2- Inevitável falar de Stan Lee. Um dos principais responsáveis pela criação deste universo maravilhoso, como vocês sabem, faleceu em novembro. Não é nenhum grande spoiler dizer que ele faz uma ponta aqui. As palavras do personagem/autor/ator ganham um outro significado e emocionam.

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Homem-Aranha no Aranhaverso

20181 h 57 min
Overview

Miles Morales é um jovem negro do Brooklyn que se tornou o Homem-Aranha inspirado no legado de Peter Parker, já falecido. Entretanto, ao visitar o túmulo de seu ídolo em uma noite chuvosa, ele é surpreendido com a presença do próprio Peter, vestindo o traje do herói aracnídeo sob um sobretudo. A surpresa fica ainda maior quando Miles descobre que ele veio de uma dimensão paralela, assim como outras variações do Homem-Aranha.

Metadata
Director Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman
Writer
Author
Runtime 1 h 57 min
Release Date 7 dezembro 2018

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