HOMEM-ARANHA: DE VOLTA AO LAR (2017) – Crítica
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Posters para "Homem-Aranha: Regresso a Casa"

 

Criado nos quadrinhos em 1962 pelo excelsior(!) escritor Stan Lee e pelo desenhista Steve Ditko, o Homem-Aranha já foi objeto de cinco longas-metragens nos últimos 15 anos, além de adaptações para a TV, desenhos animados, adaptação para mangá, web series e fan films, sem falar nos incontáveis produtos derivados, que vão de fraldas a relógios (e nem quero saber o quê mais…).  Como conseguir, após tanta exposição, produzir um filme que traga algo de interessante?

O fato é que Homem-Aranha: de volta ao lar consegue. E faz isso optando pelo simples: o homecoming do título original (que talvez fosse melhor traduzido por “reencontro”), traz o personagem de volta não apenas ao estúdio Marvel (em parceria com a Sony), como ao espírito original do personagem, um Peter Parker moleque, que tem de se dividir entre as tarefas da escola, as paixões da adolescência e os poderes que trazem as tais grandes responsabilidades.

Dirigido por Jon Watts (de A Viatura e Clown) e roteirizado por ele e mais cinco parceiros, o filme acerta ao decidir não recontar a origem do personagem. O foco recai sobre as consequências para o jovem Parker (Tom Holland) de sua interação com Tony Stark e com os Vingadores (como visto em Capitão América: Guerra Civil). Enquanto tenta superar a timidez nerd e se declarar para a colega de escola Liz (inspirada em Liz Allan, de fato um interesse amoroso do personagem, menos conheci
do), Peter tem ainda de lidar com uma gangue que revende armas baseadas na tecnologia chitauri, liderada pelo Abutre – vilão da galeria clássica do Aranha, aqui interpretado por Michael Keaton (de… Batman, Birdman… vejo aqui um padrão…).

Holland é o mais jovem (20 anos na época das filmagens) a interpretar o personagem, o que encaixa na abordagem do filme. Ele mistura a energia e a frustração típicas da idade, e entrega um Peter Parker a quem é difícil não se afetuar (embora na primeira sequência do filme – quase um making of de Guerra Civil – ele ameace ser um adolescente meio demente… wait…). Por sorte, depois disso ele acerta o tom. Keaton, embora sem conseguir escapar dos maneirismos de atuação de sempre, traz um Adrian Toomes com mais camadas do que os vilões médios de filme de ação, e, em determinados momentos, é possível desenvolver uns 2% de simpatia pelos seus atos. Seu visual é modernizado e sua origem é recontada aqui, ligando-o (como quase tudo no filme) diretamente a outros filmes do Universo Cinematográfico Marvel (MCU).

O elenco de apoio também funciona. Marisa Tomei retorna como uma Tia May mais jovem e jovial, enquanto Ned Lee é interpretado por Jacob Batalon, e resulta em um misto do Ned clássico com Ganke Lee, personagem que ocupa posição similar no universo do Homem Aranha/Miles Morales. Liz é interpretada por Laura Harrier e Flash Thompson continua a perturbar Parker, desta vez na pele de Tony Revolori. Impossível não perceber que a Marvel fez questão de utilizar o elenco coadjuvante para diversificar a etnia do filme: Batalon tem pais filipinos, Harrier é negra e Revolori tem ascendência guatemalteca. O movimento de diversificação da editora dos quadrinhos encontra eco no cinema.

E temos, claro, várias participações especiais do MCU. Os trailers já revelaram que Robert Downey Jr. veste novamente a armadura de Homem de Ferro. Há pelo menos a participação de mais três personagens conhecidos – que não vou citar aqui para preservar a surpresa -, além da tradicional ponta do criador do personagem.

É nessa vasta presença e interação com o MCU que o filme pode incomodar parte da audiência. Para quem não acompanha os outros filmes da Marvel, será impossível entender muitas das referências. Além disso, a diferença de idade e a acentuação da relação de figura paterna entre Parker e Stark  – ademais da presença recorrente do Homem de Ferro – torna o Aranha meio carente e dependente demais, o que atrapalha um pouco a ideia de “filme solo”. Além disso, é inevitável que algumas cenas fiquem a serviço da interação com os outros filmes, e não diretamente com a história que se quer contar. Outro probleminha é que as cenas de ação ao longo do filme são mais interessantes e mais impactantes visualmente do que a do terceiro e último ato. Mas não chega a prejudicar a experiência.

Apesar desses detalhes, Homem Aranha: de volta ao lar consegue regressar ao “romance-adolescente-mas-com-ação”, um Anos Incríveis serelepe, que parece ser a fórmula que mais funciona com o personagem (e que, desde o filme dirigido por Sam Raimi em 2004, não era encontrada de forma tão precisa). É mais um acerto da Marvel, que abre espaço para as continuações que certamente virão.

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PS: prestem atenção na deliciosa homenagem ao desenho animado clássico do Homem-Aranha logo durante o logo da Marvel Studios

PS2:  o filme tem uma cena extra do meio dos créditos, e outra ao final. Mas você vai se sentir trollado…..

Not rated yet!

Homem-Aranha: de volta ao lar

20172 h 13 min
Overview

Depois de atuar ao lado dos Vingadores, chegou a hora do pequeno Peter Parker (Tom Holland) voltar para casa e para a sua vida, já não mais tão normal. Lutando diariamente contra pequenos crimes nas redondezas, ele pensa ter encontrado a missão de sua vida quando o terrível vilão Abutre (Michael Keaton) surge amedrontando a cidade. O problema é que a tarefa não será tão fácil como ele imaginava.

Metadata
Director Jon Watts
Writer John Francis Daley, Jonathan M. Goldstein, Jon Watts, Erik Sommers, Chris McKenna, Christopher D. Ford
Author
Runtime 2 h 13 min
Release Date 5 julho 2017
Actors
Starring: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr., Marisa Tomei, Jon Favreau, Gwyneth Paltrow, Zendaya, Donald Glover, Jacob Batalon, Laura Harrier, Tony Revolori, Bokeem Woodbine, Tyne Daly, Abraham Attah, Hannibal Buress, Kenneth Choi, Selenis Leyva, Angourie Rice, Martin Starr, Garcelle Beauvais, Michael Chernus, Michael Mando, Logan Marshall-Green, Jennifer Connelly, Gary Weeks, Christopher Berry, Jorge Lendeborg Jr., Tunde Adebimpe, Tiffany Espensen, Isabella Amara, Michael Barbieri, J.J. Totah, Hemky Madera, Zach Cherry, Kirk Thatcher, Yu Lew, Sondra James, Bob Adrian, Gary Richardson, Stan Lee, Joe Hang, Wayne Pére, Chris Evans, Alexa Laraki, Liza Fagin, Kerry Condon, Ethan Dizon, Miles Mussenden, Martha Kelly, Jona Xiao, Lorenzo James Henrie, Jonah Bowling, Rebeca Donovan, Stephen Vining, John Penick, Amy Hill, Kevin LaRosa Jr., Ren Colley, Jennifer Kim, Ari Groover, Louis Gonzalez, Stewart Steinberg, Andy Powers, Omar Capra, Nitin Nohria, Vince Foster, Brian Schaeffer, Chris Adams, Myles Anderson, Cassidy Balkcom, Sydney Shea Barker, Jeremy Francis Bell, Romar Bennett, Jonnah-Blaine Bowling, Maiya Boyd, Dante Brattelli, Michael Breath, Lauren Brumbelow, Wayne Burley, Randy Burnett, Liam Capek, London Carlisle, Friday Chamberlain, Leonardo Collaguazo, Richard R. Corapi, Marmee Regine Cosico, Joy Costanza, Roy Coulter, John Druzba, Elli, Adrian Favela, Gregory French, Tahseen Ghauri, Davvy Glab, Melissa Kay Glaze, Emelita T. Gonzalez, Austin Handle, Jonathan Randall Hunter, Jada Jarvis, Jerome Joyce, Faith Logan, Destiny Lopez, Sherin Maldonado, Melvin Kindall Myles, Donald K. Overstreet, Darshan Patel, Felix Perez, Calvin Powell, Salena Qureshi, Hallie Ricardo, Doug Scroggins III, Chris Sepulveda, Johnny Serret, Stephen Vining, Megan Wilkens, Nickolas Wolf, Trevor Wolf, Tiani Wright

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 10    Média: 3.3/5]
  • Maurício Costa

    Considerando que a Marvel tem como objetivo totalmente claro a construção de um universo, a referência a outros filmes e o links para outras histórias não são um problema real. O filme não pretende ser fechado em si mesmo, e não dá pra ignorar esse fato. Quanto ao excesso de referências ao universo marvel, bem, restam duas coisas: a) o público alvo é o de fãs da Marvel, b) eles acreditam que isso isntigará os desavisados que não viram nenhum filme desse universo a o fazerem em breve. 😉

  • Lucas Albuquerque

    O problema das referências é que elas não são só referências, mas fazem parte da narrativa. Uma coisa é o Stan Lee aparecer e dar o tchauzinho de sempre ou é você comprar o ingresso para um filme (que não é uma sequência explícita) e precisar ter um belo background…..

    e eu tive bem mais de 2% de simpatia pelo vilão hehe a frase que ele justifica os atos é quase uma redenção.

  • Helio Paiva Neto

    Excelente a crítica. Concordo com praticamente tudo, só não achei que a presença do Tony Stark tenha sido excessiva, o que era um medo meu pelos trailers. Talvez por ter sido menor do que eu esperava eu tenha achado que foi no ponto (é aquela coisa de jogar a expectativa pra baixo e quando ela é superada tudo é maravilhoso). Em resumo, eu não senti o Aranha “carente e dependente”, achei que era fanboyzice natural de um moleque para um super-herói que ele cresceu idolatrando (Já que Parker tem 15 anos no filme, tinha 7 anos quando da Batalha de NY).

    E a homenagem a Curtindo a Vida Adoidado foi a cereja do bolo. Isso sim é que é referência de qualidade!

  • Péterson Paim

    Concordo em muito com a crítica, mas há algumas coisas importantes das HQs e dos desenhos animados que faltaram no filme:
    1 – Sensor Aranha
    2 – Ben Parker (não para recontar a origem, mas Peter Parker sempre carrega consigo a culpa pela morte do tio, que no caso de um Homem-Aranha ainda mais jovem, seria recente – Apesar de repetitiva, a frase “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades” poderia ao menos ser mencionada em off por Peter em pelo menos um dos dois momentos que teve chance.
    3 – Parker só conhece o JJ do Clarim Diário quando vai para a faculdade, mas senti falta de ao menos uma referência a esse “antagonista”, seja publicando algo contra o Homem-Aranha ou mesmo em relação a crimes – isso daria um clima a mais do universo Aranha para o filme
    O Homem-Aranha 2, de Sam Raimi, muito bem lembrado na crítica, ainda considero o melhor, mesmo tendo envelhecido um pouco nos efeitos visuais. Este é bom, mas não empolga como os dois primeiros (principalmente o segundo), talvez até mesmo pelo excesso de Homem-de-Ferro no filme, resolvendo questões que o próprio protagonista poderia resolver, ou ainda pela substituição de poderes do próprio Aranha por uma roupa tecnológica – ele mesmo poderia ter feito a roupa (não tão tecnológica) – se ele consegue criar teia, não vejo problemas em criar um uniforme maneiro.

    • Lucas Albuquerque

      mas como adaptação o filme não precisa prestar reverência a tudo dos quadrinhos. Inclusive acho um avanço não ter a frase “grandes poderes…”, já que ela virou um clichê batido, tal qual a morte do Tio. Vi gente reclamando que mudou a etnia de alguns personagens e por isso o filme é ruim… aí complica. Acho justo o longa ter fanservices, mas mais justo ainda os responsáveis por esta expressão terem a liberdade para criar.