Gabriel e a Montanha (2017) – Crítica
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Gabriel e a Montanha, novo filme do diretor Fellipe Barbosa, chega aos cinemas, no Brasil, depois de uma bem-sucedida temporada em festivais internacionais, incluindo o indiscutível Festival de Cannes. Assim como em seu primeiro filme, Casa Grande, Fellipe Barbosa faz uma obra ficcional baseada em experiências reais- no primeiro, tratou da falência de sua família; no segundo, da perda de um grande amigo em uma viagem pelo mundo. Em ambos os filmes, temos excelentes estudos de personagem, porém, se o primeiro tem camada mais evidente de crítica social, Gabriel e a Montanha é um filme mais pessoal, mais introspectivo e menos vocal na crítica social, muito embora ela faça parte da camada mais profunda da narrativa.

Gabriel e a Montanha segue os últimos setenta dias de vida do jovem Gabriel Buchman, em sua viagem de um ano pelo mundo como mochileiro. Na viagem, Gabriel buscava sempre se integrar aos locais e não agir como turista. Com poucos custos diretos, transferia grande parte do dinheiro gasto na viagem para as pessoas que o hospedavam e alimentavam, na vida de quem acreditava fazer a diferença. Assim, acompanhamos Gabriel no Quênia, em Uganda, na Tanzânia e no Malawi, onde, infelizmente, faleceu durante a escalada no monte Sapitwa.

 

Ao contrário do que se poderia imaginar, Fellipe Barbosa não representou o amigo com condescendência. Sim, o filme é uma grande homenagem a Gabriel, mas não deixa de mostrar algumas de suas fraquezas e falhas de caráter. Se, no começo, nos encantamos com a forma como Gabriel se relaciona com a tribo Masai, no Quênia, nos últimos dias, percebemos como o “playboy” ressurge em alguns conflitos com locais, como a sua arrogância e sua autossuficiência o levaram à morte. Esse processo é construído com calma e sem se utilizar de qualquer recurso raso de roteiro e atuação.

João pedro Zappa, como Gabriel, e Caroline Abras, como Cristina, dão muita veracidade à relação do casal com interpretaçõs fortes, o que resulta em grande intensidade emocional no capítulo de Zanzibar, mas não são o ponto alto do filme. Acredito que a participação dos verdadeiros personagens que Gabriel encontrou em sua viagem interpretando a si mesmos seja o ponto forte do filme. Ainda que não sejam profissionais de atuação, aquelas pessoas reviveram as experiências que tiveram com aquele rapaz simpático (na maior parte do tempo), que mudou suas vidas, de alguma forma, e teve um fim trágico. Além disso, Gabriel e a Montanha se utiliza do recurso documental em momentos chave, ao colocar, em voice over, depoimentos daquelas pessoas a respeito da memória que tinham de Gabriel, incluindo mesmo aquelas com quem o protagonista teve problemas, como Rashid, o mostorista do Safari, e Lewis, o guia que Gabriel dispensou no caminho que o levou à morte.

A reconstrução dos últimos meses de vida de Gabriel Buchman pelo mesmos caminhos, com as mesmas pessoas com quem conviveu na África, resulta em uma experiência única, emocionalmente intensa, visualmente instigante e cineatograficamente marcante. Gabriel e a Montanha é uma linda história de viagem até o fim da linha.

 

 

 

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Gabriel e a Montanha

Overview

Gabriel Buchmann (João Pedro Zappa) tinha um grande sonho: conhecer a África. Entretanto, mais do que visitar seus pontos turísticos ele desejava conhecer como era o estilo de vida do africano, sem se passar por turista. Desta forma, decide encerrar sua viagem ao mundo justamente no continente, onde se envolve com vários habitantes locais e recebe a visita da namorada, Cristina (Caroline Abras), que mora no Brasil. Prestes a retornar, seu grande objetivo se torna alcançar o topo do monte Mulanje, localizado no Malawi.

Metadata
Director Fellipe Barbosa
Writer
Author
Runtime
Country
Release Date 11 fevereiro 2017
Actors
Starring: —

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