Feito na América (American Made, 2017) – Crítica
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Feito na América traz um agente duplo no papel principal, mas parece se contaminar e apresenta uma obra cheia de contradições.

Barry Seal (Tom Cruise) é um exímio piloto que está cansado do emprego tradicional. Surge a oportunidade de trabalhar na CIA e ao mesmo tempo traficar armas e drogas para um cartel (que conta com figuras como Pablo Escobar). Com isso, ele passa a alternar um enriquecimento fabuloso, enquanto tenta escapar das garras da lei.

A incrível habilidade de Seal com os aviões só não comparável ao insano ritmo do filme. Muitas vezes frenético, em uma colagem que se você piscar perde muitas informações, e em outros momentos a coisa se arrasta inexplicavelmente. Essa montagem cambaleante prejudica muito a experiência e denota uma falta de coesão.

Acompanhamos uma trama um tanto intrincada. Cheia de reviravoltas geopolíticas e de interesses. A preguiçosa solução para abrandar essa teia foi colocar Cruise em vídeos explicativos, talvez emulando algo da realidade, porém soou como um atestado para a falta de criatividade. Pode ser que a ferramenta tenha sido usada para aproveitar o carisma do velho tio Tom….

E toda a estrutura de roteiro de Feito na América privilegia um elo de causa e consequência imediata. Não respiramos… Em uma cena Barry pede aumento para o chefe. Recebe uma recusa. Na seguinte surge uma oportunidade incrível de ganhar dinheiro com o tráfico. Essa ironia perde força feita dessa forma. A cena descrita não é o único exemplo.

Para piorar, Barry Seal é um protagonista que mais vê o que acontece do que age. Um misto de golpe de sorte com a ocasião certa, vão delimitando o caminho dele. Novamente: se não fosse o sorriso sincero-canastrão de Cruise, haveria pouca simpatia pelo personagem. Todo o contexto familiar, este sim que poderia dar uma camada a mais, é reduzido. E não só ali, nenhum outro personagem tem uma complexidade digna de nota.

O bom ator Domhnall Gleeson traz uma figura inquieta e ensaboada, com trejeitos estranhos. Repare na movimentação quando ele motiva a equipe a recolher objetos ou simplesmente abrindo a portão de um galpão. O elenco que interpreta os traficantes é muito raso (o texto também não ajuda). E Lucy Seal, interpretada por Sarah Wright é um mero adorno. A velha fórmula da loira sexy.

A camada humana ficou falha. Somos convidados a tentar entender mais o contexto do que as pessoas por trás. Barry que a câmera busca com frequência se apresenta de forma menos interessante do que ele poderia ser e muito mais do ele mesmo (personagem) se pinta.

O diretor Doug Liman tem uma carreira irregular. Filmes como: A Identidade Bourne, Sr. e Sra. Smith e No Limite do Amanhã compõe a filmografia dele. Em geral apostando em uma verve enérgica para contar a história. Curioso que o recente Na Mira do Atirador vai na contramão e apresenta um estudo delicado e crítico.

A fotografia de César Charlone (Cidade de Deus, Ensaio Sobre a Cegueira) é mais efetiva situar o público do que os demais recursos (como a marca temporal na câmera, nas famigeradas gravações). A variedade de planos, texturas e cores era um desafio e foi entregue um material muito bem executado. Há uma sinestesia imediata e imersiva só a partir de um recurso de “envelhecimento” – que dialoga com o local e a data.

Feito na América é uma orgia visual e narrativa. Grita muito, silencia na mesma medida. Funciona moderadamente.

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Barry Seal: Traficante Americano

2017Duration unknown
Overview

Barry Seal: Traficante Americano é um filme baseado em fatos reais. O thriller narra as aventuras de Barry Seal, um piloto despedido da TWA (Trans World Airlines) que na década de 80, converteu-se num importante transportador de drogas para o cartel de Medellín. Mais tarde, foi recrutado pela pela DEA e pela CIA, para o caso Irão-Contras, conhecido como “Irãogate”.

Metadata
Director Doug Liman
Writer Gary Spinelli
Author
Runtime Duration unknown
Release Date 17 agosto 2017

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