Extraordinário (2017) – Crítica: lágrimas forçadas e pouco filme
Extraordinário

Extraordinário, ao contrário do que o título prega, é uma obra completamente comum, clichê e formulaica, com todas as linhas de riso e choro muito delineadas. Aqui acompanhamos a história de Auggie (Jacob Tremblay), um garoto que, após um nascimento cheio de complicações, tem que passar por diversas cirurgias.

O resultado é um rosto cheio de marcas que o afastam do mundo e principalmente de outras crianças.
Aos 10 anos, ele resolve estudar em um colégio e terá que aprender a lidar com os (não) olhares e encontrar o próprio lugar. É a típica mensagem edificante. Sem mais.

Extraordinário

Aqui, quem gostou do filme foi às lágrimas ou ficou com os olhos marejados. Não quero invalidar a tua emoção. Mas pense que ferramentas narrativas e técnicas que o filme usou para arrancar esse sentimento de você. Foi algo sincero e bem construído como em A Chegada? Ou manipulativo e raso como em Beleza Oculta, Um Homem de Família, A Cabana e Depois Daquela Montanha?

(muito provavelmente se você gostou de algum desses últimos citados, você vai gostar dos outros e de Extraordinário).

Antes de cada arco aparece o nome de um personagem na tela. Tal instrumento tenta emular a estrutura capitular de livros – Extraordinário é baseado em um best-seller. A ferramenta não acrescenta em nada na narrativa cinematográfica, deixando-o ainda mais didática (e aos desavisados: isso não é um elogio).

Ela é mal utilizada, pois em diversos capítulos o protagonista daquele “episódio” não tem um foco devido, sempre retornando ao protagonista do filme como um todo ou até a outras histórias de outros personagens. E figuras importantes sequer tem este arco destacado. Provavelmente no livro, que serviu de história base, havia um desenvolvimento melhor e que justificasse tal opção.

Parece que quase todos os personagens estão ali para cumprir uma função muito específica, eles não têm uma vida própria. Acabam, com muita boa vontade, sendo bidimensionais, e normalmente apenas unidimensionais.

Mesmo arcos como o do amigo de Auggie, que tem altos e baixos, sendo possível ter uma simpatia por ele, os caminhos seguidos são bem antecipáveis. Outros personagens, quando o roteiro não precisa mais deles, simplesmente os descartam sem terminar as histórias.

A família de Auggie não parece uma família normal. O pai (Owen Wilson) está lá só para ser o engraçadão. A mãe (Julia Roberts) tem um sorriso lacrimejante com um olhar de compreensão, preocupação e orgulho (basicamente ela será quem as mães vão se identificar e irão chorar junto). A irmã (Izabela Vidovic) começa sendo bem aleatória e genérica, já o desenvolvimento dela está ali só para encher linguiça. Ainda assim tinha algum potencial, pouco explorado.

Extraordinário

Há inúmeras narrações em off que tornam o filme mastigado. Mas são narrações que não se justificam (qual a posição do narrador? De onde ele narra?), novamente herança de livros. Lá, tal artifício é próprio da linguagem literária, a gente não está vendo aquele universo, então a narração é um componente importante. Aqui fica sendo apenas preguiça do roteiro ao não conseguir colocar aqueles pensamentos no fluxo normal da história, ou mostrar efetivamente – é a velha máxima do cinema: “Mostre, não fale”.

Extraordinário, em especial nessas narrações, tenta ganhar o público com momentos lúdicos, quase oníricos, mas tendo como raiz frases feitas dignas de livros de auto ajuda. Ou pior: de alguém que conhece a fórmula e sabe como enganar o espectador com uma pitada divertidinha ou referências de conhecimento comum (vale um OBS no final deste texto…). Enfim, pseudoemocionantes.

Quando alguém fala a palavra “Extraordinário” é apenas para cumprir a cota da presença do título no corpo dos diálogos (e o público vibrar por ser uma palavra “conhecida”). É, portanto, como quase tudo no filme: artificial.

Extraordinário

Nos primeiros 15 minutos do filme eu vi algum carisma engajante. Naquele momento a proposta ainda estava satisfatória, as piada encaixavam mais, o filme tinha ritmo. Conforme o tempo foi passando e a estrutura foi se repetindo, a coisa perdeu consistência. Dali pra frente o longa se rompeu, mesmo que aqui e acolá ainda víamos um reflexo daquele bom início.

Se você amou o filme e chegou até aqui, peço que não me xingue – pelo menos não agora – mas que pense no caminho que o roteiro, direção e atores usaram para você ter se emocionado. Será que não foi o mesmo trajeto de inúmeros outros filmes? Pense também: na vida real aqueles personagens agiriam daquela forma, falariam daquele jeito? E ainda, discorda de tudo que eu disse? Ótimo, vou adorar estar errado, argumente baseado nos argumentos que eu trouxe no aqui no texto. E não, eu não estou morto por dentro me emociono com vários filmes….

OBS: em discussões temos a falácia conhecida como “Lei de Godwin”. O postulado basicamente se resume a quem citar Hitler é porque esgotou os demais argumentos. Nos filmes e séries deve criar a Lei Chewbacca. Eu amor Star Wars, mas é um saco o tanto de obras que citam o universo apenas para fazer uma gracinha.

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Wonder

Overview

Auggie Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, ele pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta.

Metadata
Director Stephen Chbosky
Writer
Author
Runtime
Release Date 13 novembro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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