Djon África (2018) – Crítica
Djon África

Djon África é um road movie onde acompanhamos Miguel (Miguel Moreira), conhecido, entre outros nomes, por justamente Djon África. O jovem de 25 anos sai de Portugal rumo a Cabo Verde em busca do pai que nunca conhecera. Mas se deparada com uma busca por si mesmo – com o perdão do clichê.

Ele tem uma personalidade mais expansiva – até demais às vezes, ao por exemplo roubar lojas – e isso permite ele ir se virando no novo país. Ele conhece, junto com a gente, diversas pessoas, culturas e compartilha sentimentos e momentos com elas (e conosco). Um dos temas principais de Djon África é o pertencimento. Logo no avião, o nosso protagonista já se vê em meio a uma conversa que questiona quem ele é. Assunto que virá mais vezes ao longo do filme.

A cores quentes dão o tom aqui, mesmo à noite a paleta mais aberta prevalece. Junto com a trilha mais acelerada, ambos elementos coadunam com a personalidade despojada do nosso herói. A câmera dos diretores Filipa Reis e João Miller Guerra sabe variar, alternando planos bem abertos, closes e muita câmera na mão seguindo o personagem pela nuca – inclusive há um momento sagaz onde isso é subvertido.

Djon África

Há uma mistura de documentário e ficção. Diversos diálogos rendem uma naturalidade que despertam um sentimento ambíguo, um gostoso ar de genuinidade e improviso e ao mesmo tempo uma certa barriga e como a captação do som não estava 100% perde-se um pouco da experiência.

Curiosamente ao lado desta forma crua, bem cotidiana, o longa nos embarca por alguns momentos oníricos. Justificados ou não por um certo ar etílico dos personagens, essas cenas trazem um respiro à narrativa que apesar dos temas leves pode cansar um pouco.

Se ao longo de todo Djon África os personagens secundário eram efêmeros, nos últimos minutos há um estabelecimento de uma figura de uma senhora. Sem dúvidas que o filme acerta na criação deste vínculo, contudo acaba escorregando na duração e estica demais tal encontro.

O final, quase um epílogo, entrega uma cena com muitos significados e que cada espectador irá se relacionar de forma diferente, há potencial cômico, frustante, dramático e tantos outros. Encaro como uma saída honesta com o que foi construído até então.

Confesso que como entretenimento e até como cinema às vezes o longa deixa a desejar. Mas Djon África é uma experiência imersiva na mente daquele homem e de várias culturas locais.

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Djon África

20181 h 35 min
Overview

A história de Miguel “Tibars” Moreira, mais conhecido como Djon África, filho de cabo-verdianos, que nasceu e cresceu em Portugal. Sem jamais ter conhecido seu pai, acaba descobrindo que ele mora em Tarrafal, e decide aventurar-se além-mar, mesmo sem muitas pistas, à sua procura.

Metadata
Director João Miller Guerra, Filipa Reis
Writer
Author
Runtime 1 h 35 min
Country  Brazil Cape Verde Portugal
Release Date 26 janeiro 2018

Nota do Razão de Aspecto

 

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