Deserto (Desierto, 2015) – Crítica
  • 12
  • 11
Deserto

Deserto é uma produção franco-mexicana, não confundir com o brasileiro dirigido pelo Guilherme Weber, também em cartaz no Brasil este ano. O Deserto deste texto, em certa medida, lembra o, também deste ano, Na Mira do Atirador. Em ambos temos uma dinâmica e engajante perseguição.

Dirigido por Jonás Cuarón, filho do Alfonso Cuarón (O Regresso), Deserto tem uma proposta bem simples e se desenvolve bem dentro daquele universo. Basicamente temos um grupo de mexicanos tentando atravessar o deserto para os EUA, enquanto terão que lidar com forças contrárias, naturais e humanas.

Deserto

Com uma fotografia que torna o cenário um quase personagem, sabendo explorar o ambiente e as pessoas, com planos abertos, closes e um sol que vence qualquer ar condicionado da sala de cinema.

Uma digna perseguição toma conta da quase totalidade do longa. Deserto é um jogo de gato e rato. Confiando nesse mote e na capacidade de execução, sabiamente o roteiro não explora o passado dos personagens. Há basicamente uma cena de contexto para o trio principal. Mas você entende as motivações e objetivos de cada um.

A trilha dá um tom marcante. Repare como o som incita o suspense e reforça a ação. Por vezes sentimos o perigo graças a ela. Outro mérito é que ela não se sobrepõe às falas ou a uma emoção, a trilha serve ao sentimento.

Peca-se na previsibilidade e conveniências. Tiros que acertam e erram conforme interessa à trama e os caminhos a serem seguidos pelo roteiro são facilmente antecipáveis. A mensagem, nada sutil, é posta na tela sem um porém. É aquilo e pronto. Um retrato cru de uma realidade.

Deserto

O elenco de apoio está lá para correr e se livrar, ou não, das balas. Já Alondra Hidalgo, que faz Adela, fica no meio termo na importância e tempo em tela. Ela consegue passar uma simplicidade, mas falta experiência para a jovem atriz.

Quem carrega o filme é a dupla de atores mais tarimbados: Gael García Bernal (Moisés, em uma clara analogia bíblica) e Jeffrey Dean Morgan (Sam). Bernal tem um personagem altruísta e determinado. Apesar de não ser exigido, o ator dá conta de passar verdade. Repare no movimento dos bonés, corridas e olhares. Ou então em uma passagem que ele sofre, a dor poderia ser um gatilho para um grito fácil e uma atuação exagerada, mas Bernal mantém a coerência do personagem.

Morgan traz um cowboy solitário, onde boa parte do filme ele interage apenas com um nada simpático cachorro. Dá para sentir prazer e ódio no olhar e uma total certeza de que o que ele está fazendo é algo certo.



Confira as críticas dos filmes citados:

O nacional D eserto (Guilherme Weber)

O americano Na Mira do Atirador

E o também estadunidense O Regresso

Not rated yet!

Desierto

Overview

Moises (Gael García Bernal) está viajando com um grupo de pessoas que tenta atravessar pela fronteira do México com os Estados Unidos, buscando uma nova vida no norte. No caminho eles se deparam com um solitário homem, Sam (Jeffrey Dean Morgan), que assumiu as funções da patrulha na fronteira em suas mãos racistas. Todos terão de achar um jeito de sobreviver nessa paisagem incrivelmente brutal antes do deserto consumi-los.

Metadata
Director Jonás Cuarón
Writer
Author
Runtime
Country  France Mexico
Release Date 12 abril 2015

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 1    Média: 3/5]