Crimes Obscuros (2016) – Crítica
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Jim Carrey tem como marca principal a comédia. Vários filmes da carreira do ator conquistaram os fãs graças às caretas do Ace Ventura, Loide, Máscara e tantos outros. Mesmo sabendo que há na filmografia de Carrey também uma verve dramática, como no Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, sempre é curioso vê-lo neste outro lado. E é isso um dos chamarizes para Crimes Obscuros. Longa de 2016, mas que só chegou aqui este ano.

Infelizmente a curiosidade inicial logo se dissipa, pois vários elementos jogam contra. Baseado em um história real, o que pode ser uma casca de banana ou um elemento atrativo para o público, Crimes Obscuros aposta muito nas duas palavras do título. O foco é em Tadek (personagem do Jim Carrey) investigando um crime, mas a coisa não é tão simples e clara.

O problema é que o que poderia ser uma instigante trama acaba entregando uma sonolenta e arrastada história. Há uma opção de usar tons mais fechados para demostrar um sentimento de desolação e sofrimento, mas isso combinado com uma montagem que estende alguns planos, ajuda a frieza a contaminar tudo ao redor. E o texto que não era nenhum primor perde ainda mais vigor.

Por mais que haja algumas tentativas de reviravolta, os mistérios meio que são entregues e os personagens ali transitam de maneira quase monotônica. O vilão louco x o policial ilibado. De um lado um quase filósofo de botequim, o personagem do escritor sádico. De outro, aquele que possui um passado, adivinhem, obscuro e o torna insensível à família, mas capaz de explodir a qualquer momento. Já as personagens femininas estão bem tortas – reflexo da mente do protagonista ou só inabilidade do roteiro?

Sei que o mote de Crimes Obscuros parte de um peculiar bordel, porém tem vezes que a nudez e as cenas de sexo soam gratuitas e apelativas. Mesmo com um bom trabalho corporal de Charlotte Gainsbourg (a musa de Lars von Trier), que tira leite de pedra, parece ter algo fora do lugar. Mas Charlotte é responsável sozinha por subir a nota do filme – a exemplo de Clarie Foy em Millennium: A Garota na Teia de Aranha.

Já o protagonista é só uma figura aborrecida. Quase impossível torcer a favor, e para piorar, nem contra. O sentimento é só de nulidade. Jim Carrey foi infeliz na composição. A expressão eterna de sussurro e “olha como sou diferentão” colaria em um Supercine há vinte anos. Ele consegue se desenvolver um pouco quando contracena com Gainsbourg. Já nas cenas com Marton Csokas é tudo marcadinho e imagino que vocês vão só querer que aquilo acabe logo.

Havia uma história potencial e material humano para um resultado bem melhor que este. Crimes Obscuros tem um primeiro ato que pode despertar algum interesse e um segundo que luta a cada segundo para desfazê-lo. O arremate você já está conformado que não virá nada dali e, surpresa… não vem mesmo…

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Dark Crimes

20181 h 33 min
Overview

O policial Tadek (Jim Carrey) investiga um caso de assassinato não resolvido e encontra semelhanças do crime em um livro do artista polonês Krystov Kozlow (Marton Csokas). Ele começa a investigar a vida do escritor e da sua namorada, uma mulher misteriosa (Charlotte Gainsbourg) que trabalha num sex club. Sua obsessão aumenta e Tadek fica cada vez mais atormentado, adentrando num submundo de sexo, mentiras e corrupção.

Metadata
Writer
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Runtime 1 h 33 min
Release Date 18 maio 2018

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