Como se Tornar um Conquistador (How to Be a Latin Lover, 2017) – Crítica

O americano com pegada mexicana Como se Tornar um Conquistador não é melhor que as comédias nacionais mais genéricas que tanto criticamos. Inclusive há uma semelhança com um filme brasileiro recente: o Um Tio Quase Perfeito – algo que foi somente coincidência, já que não creio que um material inspirou o outro.

Máximo (Eugenio Derbez) optou por ter uma vida se aproveitando de mulheres e sem um trabalho mais formal. A trama traz como protagonista um personagem cheio de falhas de caráter que tenta se dar bem a qualquer custo. Ao mesmo tempo tenta desenvolver uma relação com o sobrinho e recuperar a confiança da irmã.

Aqui, diferente da produção nacional, o cunho é mais sexual (sendo que lá era mais um filme pra família). A ideia era pegar mesmo no esteriótipo do amante latino, como diz o título original. E temos toda a sorte de clichê: a canastrice, o casamento com uma mulher mais velha por interesse financeiro, além de piadas com flatulências e uma estranha cena onde uma criança apalpa o pênis do adulto (não quero ser politicamente correto, mas considero no mínimo desconfortável e nada engraçado).

Maximo é caricato, às vezes estúpido, outras vezes sagaz – coisa que não me conformo em produções do gênero. A transformação dele ao longo do filme segue o mais básico dos arcos. Aliás, esse é um problema que percorre quase todo o texto. É possível antever as piadas e movimentos, você provavelmente já viu algo semelhante em outro lugar (vide o exemplo do começo deste texto).

Se o arco dele é ruim o que dizer dos demais personagens? Sara (Salma Hayek) poderia ser a consciência e porto seguro dos personagens e do público, porém o desenvolvimento se contenta com um flerte bobo com o vizinho. O filho dela se apresenta como um refresco. Ele tem algum carisma, mas nada que fuja para o excepcional. A relação deles fica prejudicada pelas soluções de roteiro e pela direção.

Será que focar no trio familiar não seria uma pedida melhor? Será que o jeito para o confronto ser posto e resolvido de fato funciona, seja narrativamente, seja como comédia? Filmes assim se baseiam na boa vontade do público de “desligar o cérebro” ou de assistir uma coisinha leve – que aqui em específico esbarram em piadas tortas.

Há coadjuvantes que estão lá para gags cômicas de um humor físico e histriônico. Compare com a comédia presente em um Em Ritmo de Fuga , ela que sequer é o gênero principal ali, e perceba como um (o Como se Tornar um Conquistador) é banal, baseado em tombos e situações frágeis, enquanto no outro  (Em Ritmo de Fuga) temos uma condução muito mais elegante, mesmo nos exageros.

As primeiras cenas destoam do resto. Um prólogo curioso com um tom mórbido-cômico e piadas no timing certo prometiam outro filme. Essa verve vai se recuperar quase que na última cena com uma conversa entre duas crianças. O meio cai naquilo que descrevi no parágrafo anterior…

Como se Tornar um Conquistador é acima de tudo vazio. Por mais que você goste, vai esquecê-lo meia hora depois. Como cinema não há inovação, valor de produção, cenas marcantes ou personagens dignos de nota. No todo a criatividade bate zero, as situações são atropeladas por elas mesmas e, por mais que se tenha alguma certeza de onde quer ir, o filme patina até nesse ponto básico.

Not rated yet!

How to Be a Latin Lover

Nota do Razão de Aspecto

 

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