Comeback (2017) – Um western brasileiro – Crítica
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Comeback é um filme delicioso. Mas não se enganem com esse adjetivo… Comeback é incômodo, árido, complexo. Definitivamente não será aquele longa que fará um sucesso gigantesco de bilheteria – uma pena. Temos aqui uma pérola. A história de um ex-matador, já idoso, que rememora os feitos de outrora em uma cidade interiorana, tem mais camadas que a lenta narrativa pode demonstrar a um olhar mais distraído.

A contragosto, Amador (o saudoso Nelson Xavier) ganha a vida como intermediário na venda de máquinas caça-níquel em bares do interior. “Sou um péssimo vendedor” diz ele mais de uma vez, nem um pouco preocupado em melhorar no novo e fatigante ofício. Em paralelo, ele recebe o neto de um velho amigo para treiná-lo na arte que praticara: a da bala. O jovem acaba virando um ajudante/faz tudo e mais que isso: um ombro para ouvir e admirar as histórias devidamente compiladas em recortes de jornal coladas em um álbum velho do velho Amador.

A forte nostalgia é perceptível no design de produção, não só o já citado álbum. A locação ajuda, mas os elementos em cena, nos bares em especial, reforçam esse tom. A discussão sobre o que é melhor uma jukebox ou a máquina caça-níquel é emblemática. Essa é outra marca do longa: os diálogos. Estes são um tanto marcados. Contudo, essa marca é proposital –  conservando a naturalidade da origem e idade dos personagens. O texto ganha força a cada momento nos hipnotizando com uma corriqueira e inusitada (sim, com esse paradoxo mesmo) história. Um exemplo é a discussão sobre a partir de quantas pessoas mortas um assassinato vira uma chacina. O misto de naturalidade, horror e curiosidade (até do público) tomam conta.

Por vezes, contudo, alguma barriga é notada. Menos destaque para alguns personagens secundários poderia preservar a verve e tornaria a coisa mais fechadinha. Pequeno deslize na ótima direção de estreia de Erico Rassi que definitivamente não tira o brilho do todo. Ele sabe contar uma história, sabe ambientar e tirar o melhor dos atores. Destaque para Nelson Xavier (último trabalho do ator que faleceu recentemente). Ele imprime voz, postura e precisão que dão corpo a um Amador sofrido e com um peso grande. Rassi sabe “encontrar” Nelson ao mesmo tempo que sabe o momento exato de dar espaço para o ator/personagem.

Temas como solidão, desilusão, abandono e, claro, violência dão as caras aqui. Mas o jeito como eles são tratados é que engaja o público que topar essa aposta vai se encantar pela difícil e excelente fotografia, trilha e atuações. Um dos melhores, talvez o melhor filme nacional lançado em circuito este ano.

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Comeback

20171 h 23 min
Overview

Amador é um ex-pistoleiro aposentado e relegado ao ostracismo. Solitário e amargurado, coleciona em um álbum os recortes de jornal de seus crimes antigos. Após várias humilhações, ele vai reagir com violência à hostilidade do mundo que o cerca, enquanto tenta voltar à ativa.

Metadata
Director Erico Rassi
Writer
Author
Runtime 1 h 23 min
Country
Release Date 21 maio 2017

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