Com Amor, Simon (Love, Simon, 2018) – Crítica
Com Amor, Simon

Com Amor, Simon tem sim alguns méritos e já já vamos falar deles, mas para uma comparação inicial, imagine um Me Chame Pelo Seu Nome ou um Lady Bird sem talento. O longa retrata a adolescência, em específico de um garoto gay no processo de revelar para o mundo a própria sexualidade, mas comete algumas escorregadas.

Não há profundidade na transformação do personagem principal ou um apuro técnico que mereça grandes elogios. É tudo muito banal. A história vai valer mais como uma identificação para quem está passando ou passou por algo parecido do que grandes desenvolvimentos e elogios cinematográficos.

O longa apoia-se em referências na tentativa de humanizar os personagens, dizer que eles estão no “nosso” mundo. Então alguns diálogos criam aquele vínculo divertidinho quando identificamos uma citação, mas fica por isso mesmo.

Como nota verdadeiramente positiva, em momento algum os adolescentes são tratados como idiotas (eles têm algumas atitudes idiotas, mas perceba a diferença), então o retrato daquela fase é bem feito. Já os adultos são todos caricatos ou ainda mais monotônicos que os jovens.

Com Amor, Simon

O grande mistério do filme (que é: quem é o correspondente misterioso de Simon) mais te coloca como refém da trama do que instiga de modo genuíno. Se o foco fosse mais no desenvolvimento do personagem e nas relações com os demais a coisa poderia fluir melhor, mas aí seria outro filme. E no final, Com Amor, Simon perdeu a chance de dar um desfecho corajoso e terminar em um desabafo, ao invés disso se rendeu a uma fórmula fácil para arrancar lágrimas e gritinhos do público – a desculpa de “o final do livro era assim” não é válida, pois estamos falando aqui exclusivamente do filme. Se o final tem essa fraqueza, que o filme não repetisse.

Em momentos isolados temos boas cenas, como a onde há uma inversão na heteronormatividade e os héteros têm que se assumir para os pais, causando reações bem hilárias. A piada é fácil, porém funciona.  Aliás, outro momento de valor está no entendimento e em como os gays são apresentados aqui. Neste quesito, apenas neste, nota 10 para o filme (mas a análise não pode se restringir ao tema, por isso a nota total será bem mais baixa).

Como curiosidade, temos aqui os mesmos produtores de A Culpa é das Estrelas e quando vi esta imagem no filme logo fiz a associação (sem saber que tinham os mesmo nomes por trás). Se foi coincidência ou não…

Com Amor, Simon

Certas fases do longa são muito previsíveis – talvez o por isso o trailer não se furtou em contar 90% do que acontece… Por mais corretinhos que certos arcos pareçam ser, fica tudo quadrado e formulaico. O carisma e o bom olhar para os jovens acaba se perdendo.

Com Amor, Simon vai agradar os que buscam apenas algo para se identificar, mas é bastante frágil como cinema.

Not rated yet!

Love, Simon

Overview

Aos 17 anos, Simon Spier (Nick Robinson) aparentemente leva uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: não revelou ser gay para sua família e amigos. E tudo fica mais complicado quando ele se apaixona por um dos colegas de classe, anônimo, na internet.

Metadata
Director Greg Berlanti
Writer
Runtime
Release Date 16 março 2018

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