Colossal (2016) – Crítica – uma pérola criativa

Está cansado de sequências, reboots e remakes? De fato uma certa preguiça de inovar toma conta dos filmes exibidos nos principais cinemas. É Velozes e Furiosos OITO, é live action de A Bela e a Fera ou então o recomeço da franquia de Power Rangers. Esses longas, com mais ou menos méritos, fazem grande sucesso com o público. Mas e aquela fatia dos cinéfilos que anseiam por algo novo? Pensando nesse nicho que Colossal dá as caras naquele que por hora é o filme mais criativo do ano.

Tentarei aqui não dar qualquer spoiler , infelizmente com isso serei um tanto vago no que tange ao real teor de Colossal (o trailer conta MUITO mais do que devia, por isso não o recomendo). Mas adianto: se nas primeiras cenas você sentir uma sensação de estranheza, de que o que você está vendo naquele instante não corresponde ao que viu há cinco minutos, então você está no caminho certo. E pode ficar tranquilo que não tardará para tudo fazer sentido.

Em suma o plot do filme é: qual a relação entre um ataque de um monstro gigante na década de oitenta em Seul, na Coréia do Sul e uma mulher no interior dos EUA, 20 anos depois, que tem que recomeçar a vida por sofrer com problemas de bebida? Essas são as duas primeira cenas do filme, sim do mesmo filme. No mínimo curiosidade desperta, não é mesmo?

Apesar de metafórico, o filme não é hermético. O tom jocoso com que muitas passagens são postas em tela faz com que a narrativa fique leve. Mesmo com as muitas cenas engraçadas, vale o destaque para a mistura de gêneros: drama, fantasia, além é claro, comédia, todos muito bem dosados e indissociáveis – e isto é muito importante: na mesma cena “pra chorar” você vai rir, sentir tensão e ficar hipnotizado. Raros são os filmes hoje em dia que dão conta dessa realização. Caos, raiva, redenção e memória são alguns dos temas presentes. E retomo: o jeito como eles são abordados é ganham relevo.

O diretor Nacho Vigalondo tem muitos curtas na carreira. Aqui ele mostra que tem o domínio também de um longa (confesso que não conheço os demais trabalhos dele, mas agora correrei atrás). O espanhol também foi responsável por escrever Colossal, o que dá um peso ainda maior ao bom resultado. Um certo problema de ritmo na virada do segundo para o terceiro arco tira a excelência da nota, ainda assim, é apenas uma vírgula que de modo algum rebaixa a obra.

A sacada de Vigalondo é trabalhar a dicotomia entre o grandioso – um monstro destruindo um cidade (potencialmente o mundo) – e o micro, problemas convencionais do dia a dia. Em uma abordagem que transita entre o total realismo, o realismo fantástico e a fantasia total, o foco que ele escolhe em cada momento mostra a total consciência do que está fazendo.

Felizmente vemos cada vez mais mulheres fortes no cinema. A lista vem crescendo semana a semana. Aqui,  Anne Hathaway dá vida a mais uma mulher que entra nessa categoria. Ressaltando que nem sempre mulher forte significa infalível ou nobre de caráter. Mesmo a personagem tendo alguma atitudes reprováveis, ela tem carisma e o público facilmente a compra. Ponto para o roteiro e claro para Hathaway, que encanta com cada sorriso, cada movimento (em especial uma dança) e cada reação de desânimo com a vida.

Todo arco da protagonista a torna complexa, instigante e com alternâncias entre passividade e pulso. É curiosa como se dá a reação dos personagem ao redor dela e a do público, ante as atitudes dela e do que ocorre com ela. A luta interior é o destaque aqui. Apesar de tratar de monstros gigantes, Colossal definitivamente não é sobre isso – exatamente… ele se afasta por completo de um Círculo de Fogo ou Transformers, como você já deve ter notado. No máximo, pode-se considerar uma sátira intelectual dramática daqueles. O que dificultará a descoberta do público certo, mas quem for atingido terá uma experiência maravilhosa.

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Colossal

2017Duration unknown
Overview

Gloria (Anne Hathaway) deixa Nova York e volta para sua cidade natal após perder o emprego e o noivo por conta da bebida. Ao tentar se restabelecer no local ela acompanha notícias sobre o ataque de um lagarto gigante em outro continente.

Metadata
Director Nacho Vigalondo
Writer Nacho Vigalondo
Author
Runtime Duration unknown
Country  Canada Spain
Release Date 23 fevereiro 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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