Chocante (2017) – Nostalgia gostosa e dançante- Crítica
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Chocante… se você já usou essa gíria para definir algo, então você está habilitado para ver este filme. Brincadeiras à parte, Chocante vai na direção oposta deste meu comentário e consegue conversar com vários públicos. Quem viveu a época, o começo dos anos 90 em especial, vai ter um mar de nostalgia. Os mais novos terão a chance de conhecer ou reconhecer os gostos dos pais e irmãos mais velhos.

A trama abre mostrando o sucesso de uma banda fictícia (a que dá nome ao título) no estilo Dominó e Polegar, com todo o estilo da época. Logo corta-se para vinte anos depois, momento que eles já foram esquecidos pelo público, e quando um dos integrantes morre. O evento serve como pretexto para reunir a trupe.

Nesse meio tempo temos um show de referências: o top 10 da MTV (com o sotaque paulista e o pesinho levantando das VJs), a banheira do Gugu e o Pintinho Amarelinho, pochetes e  aquele visual típico com mullets… o curioso é que logo é colocado o contraste com o mundo atual: a briga Uber x Táxi, Snapchat e Sônia Abrão noticiando a morte de alguém – sendo que está não é tão nova assim….

Esse choque etário está refletido em todo o filme. Desde a relação de pai e filha, passando pelo futuro promissor daqueles integrantes e a vida atual monótona, chegando até o que fazia sucesso antes e hoje já mudou completamente. O saudosismo envergonhado toma conta de parte do público e dos personagens. Estes riem e se recordam dos bons tempos, como velhos amigos de escola lembrando uma época que não volta mais. Mas será que não volta mesmo?

A edição deixou parte do texto redundante e com um ritmo muito marcado. Fora isso, com um plot manjado e até bobo, além de um pouco forçado, o forte de Chocante não está exatamente ali. Parte do carisma do filme está em dois pontos fundamentais: o tipo de humor e a composição dos atores e a trilha, que tem como carro-chefe a canção Choque de Amor.

Comédias nacionais em 2017 tem entregado verdadeira bombas. Piadas batidas, que são calcadas no humor mais raso e em esteriótipos antiquados não traduzem o quão ruim são alguns desses filmes. Chocante, contudo, aposta em uma tragicomédia rara. O tempo cômico dos atores para movimentos exagerados, combinados com o texto muitas vezes sutil, opta por escapar de gargalhadas fáceis, mesmo com caracteres completamente ingênuos até. Há, por exemplo, um subtexto que confronta a homofobia. Em outros filmes a coisa poderia descambar para velhas gags, aqui a piada é com o preconceituoso – e feita de forma não panfletária.

O time: Bruno Mazzeo, Lúcio Mauro Filho, Marcus Majella e Bruno Garcia imprimem empolgação, tristeza, energia (ou falta dela, quando necessário). Cada qual exprime bem a frustração com o emprego atual. Majella, porém, vai além… as cenas dele diante do espelho ou mesmo na interação com os outros membros, destaca-se no grupo.

Débora Lamm, que faz a fã do grupo, precisava ser exagerada e cumpre bem. A entrega dela, apesar de óbvia, combina com a proposta. Já a câmera não ajuda Klara Castanho. A jovem que foi bem no É Fada!, com a Kefera, aqui ela basicamente tem sorrisos prolongados que por mais simpáticos que sejam, acabam ficando artificiais. Tony Ramos dá peso à figura do empresário e Pedro Neschling está desenvolto como quinto membro.

O design de produção é cuidadoso. Camisas de time, balinhas no Uber, fotos da época com fins narrativos e até os cenários dos programas estão bem produzidos. Fica nítido que a coisa não foi feita de qualquer jeito. Ponto para o filme. A música tema foi muito bem explorada e as outras como “to p da vida” do Dominó se encaixam muito bem.

Chocante não usa palavrões, flatulências e sexo para promover o humor. Tem um drama, raso, mas eficaz. Falta viço para ser um Bingo, mas sobra ternura. O final, corta no momento preciso e entrega uma cena durante os créditos que fecha com chave de ouro. Filme gostoso de assistir, ou melhor, Chocante

PS: tem um errinho cronológico. O filme se passa nos tempos atuais, provavelmente 2017 mesmo. E a banda não se reunia há 20 anos, ou seja 1997. E o visual e trejeitos parece ser anterior a isso. Pode ser eu sendo muito cri cri, mas fiquei com essa pulguinha atrás da orelha…

Not rated yet!

Chocante

Overview

Os anos 1990 marcaram o sucesso da boy band brasileira Chocante. Vinte anos mais tarde, o grupo acabou, e Clay (Marcus Majella), Tim (Lúcio Mauro Filho), Téo (Bruno Mazzeo), Toni (Bruno Garcia) e Tarcísio tomaram rumos diferentes na vida. Os antigos colegas se reúnem para um evento inesperado: a morte de Tarcísio. No funeral, eles decidem se apresentar mais uma vez, em nome dos velhos tempos. No lugar do falecido colega, entra o novato Rod (Pedro Neschling).

Metadata
Director Johnny Araújo, Gustavo Bonafé
Writer Bruno Mazzeo, Luciana Fregolente, Pedro Neschling, Rosana Ferrão
Author
Runtime
Country  Brazil
Release Date 5 outubro 2017

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