Bye Bye Jaqueline (2017) – Um Episódio Ruim de Malhação – Crítica

Parte da graça do cinema é a imersão. Você entra em uma sala escura, desliga o celular, e entra naquele universo que é apresentado na telona. Esquece do mundo lá fora, se é dia ou noite, se teu time perdeu ou dos boletos a pagar.

Quando um filme apresenta um texto artificial, ou seja, com diálogos que não aconteceriam no mundo real, e com atores que nos lembram o tempo inteiro que estão atuando. Esse convite para comprar a história fica pouco atraente. Infelizmente é o caso de Bye Bye Jaqueline.

O resultado é tão fraco que acabou fazendo com que o longa ficasse na nossa lista dos 10 piores filmes nacionais de 2017.

A história segue Jaqueline, uma adolescente que se apaixona por um colega de escola. Ela troca confissões com uma amiga e vive também como alvo de uma paixão de outro colega. Por mais que a típica trama escolar não pareça promissora, garanto que é o menor dos problemas.

Vamos a exemplos. Claro que adolescentes falam palavrões. É até feio um texto asséptico saindo da boca de jovens- como em seriados teens na TV. Contudo, aqui o palavrão virou vírgula. Parece que na ânsia de dar um realismo o texto acaba tendo um efeito oposto. O mesmo vale para gírias, piadas e até o uso do celular.

Os responsáveis pelo filme não entendem a cabeça de um jovem. Vide um outro filme em cartaz que tem um público um pouco mais novo em mente: Fala Sério, Mãe!. O longa (que possui também muitos problemas) tem um mérito claro: sabe dialogar perfeitamente com a faixa etária.

Os problemas não ficam só nesse não entendimento. A direção de estreia de Anderson Simão é extremamente preguiçosa. A quadra de vôlei, esporte praticado pela protagonista, nunca é mostrada na íntegra ou mesmo vemos uma troca franca de bolas. Será que ele deixou a câmera na personagem para realçar o mundo dela ou para maquiar que não tinha figurantes suficiente que sabiam jogar?

Aposto na segunda, pois não tarda para irmos para uma festa cuja direção dos convidados parece se limitar a: “mexa o corpo e a boca fingindo que estão conversando”. Não sei se os atores estavam no modo repeat ou se não foi passado outro movimento, mas vemos por três vezes a repetição da “dança” – e não, isso não é uma metáfora genial para algo do mundo jovem.

A falta de talento fica mais evidente no uso de um plano e contra plano. Ferramenta legítima no cinema. Mas aqui só picota e parece que esta sendo usada, para disfarçar uma incapacidade de atuação – lembrando que o fato de serem atores sem experiência não é desculpa, veja It: A Coisa.

Disfarçar é outra palavra-chave aqui. As diversas músicas que entram só servem como uma tentativa de preencher um vazio narrativo. Muitas delas estão ali para compor um cenário de cenas de transição ou para não prestarmos atenção em como não está acontecendo nada em tela.

O que não é disfarçável são os tipos retratados. Do professor com atitudes sem sentido (como comer, sim literalmente comer, um trabalho de uma aluna), ao galã que tem como função ser galã.

Disfarçável também não é como o diretor parece enxergar aquelas meninas. Há uma cena completamente gratuita da garota saindo do chuveiro de calcinha e sutiã e se jogando com as nádegas para cima na cama. Se é a autoria dos incômodos adjetivos “vaca e vadia” podem ser atribuídos às personagem ditas por elas mesmos, o mesmo não podem ser ditos de cenas como aquela.

É chato falar do que um filme não é, mas Bye Bye Jaqueline poderia ter um frescor juvenil e apostar em uma obra que traria os anseios dos jovens e até uma pontinha de nostalgia para os adultos. Infelizmente o título soa mais como um desejo de nunca mais estar com aqueles personagens.

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Bye bye Jaqueline

1 h 34 min
Overview

Jaqueline, uma jovem humilde de 16 anos, é bolsista em um colégio particular e passa seus dias dividida entre os estudos e os pensamentos em Fernando, o garoto mais bonito da escola e por quem ela está perdidamente apaixonada. O que ela não imagina é que sua melhor amiga, Amanda, já namorou o rapaz e que ele próprio tem um segredo capaz de impedir qualquer chance de namoro entre os dois. Além disso Marchesi, amigo de Fernando, também gosta dela e pretende fazer de tudo para conquistá-la.

Metadata
Director Anderson Simão
Writer
Author
Runtime 1 h 34 min
Country
Release Date

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