Buscando… (Searching, 2018) – O melhor suspense do ano – Crítica
Buscando...

Buscando… nos premia com um excelente filme que já começa em um ótimo título que tem dois significados. A premissa aqui é bem simples: um pai tenta localizar a filha desaparecida (o “buscando número 1”). O diferencial é esta trama nos ser passada somente por meio de uma tela de computador e usando os elementos próprios daquela linguagem, como motores de busca e redes sociais (a outra parte do trocadilho), em prol da narrativa.

Inevitável lembrar do terror Amizade Desfeita, que segue a mesma lógica de tudo ser mostrado a partir de aplicativos e sites. Aqui, contudo, de forma ainda mais orgânica e ágil. Esta opção escolhida cria uma empatia com o público atual. É possível, todavia, que quem não está familiarizado com as diversas maravilhas (e desgraças) do mundo on line tenha um estranhamento inicial. O começo do filme (uma tela do windows) me lembrou uma sensação divertida parecida com a que tive ao ver o filme #EradosGigantes já que o documentário nacional usa como tela inicial o Youtube.

Só ser antenado (e antenado não é uma palavra antenada mais) com as modernidades poderia torna o filme curioso, o que o faz brilhante, contudo, é a junção com uma ótima história. Nesse quesito, outro aspecto da forma também faz bonito: a divisão dos atos.

Buscando...

A introdução de Buscando… beira um melodrama com todos os clichês, mas sabiamente o filme escapa de escorregar pelos perigos dessa abordagem e fica no tom certo para emocionar e para começarmos a entender as emoções dos personagens, algo que só vai se concluir devidamente no final – como deve ser em produções do gênero.

Não tarda para estarmos engajados junto com aquele pai que faz de tudo para ter informações da filha. O que pode ter acontecido? Quem pode ajudar? E o mais importante: ela ainda estará viva? Mais uma vez o mundo digital ajuda (e atrapalha) nessa empreitada. Desde organizar uma planilha com as informações que ele já tem, até entrar em contato com possíveis pistas.

O final é um prato cheio para quem adora reviravoltas. Produções que usam essa ferramenta tem que tomar cuidado para tais mudanças de direção não serem jogadas na tela de qualquer forma e surgirem do nada. Se o espectador não puder fazer parte daquela construção há chances do filme ruir. Buscando… consegue ser excelente também nesse sentido. Todas surpresas estavam bem embasadas e o público mais esperto pode até advinhar (confesso que uma das pistas falsas foi a que eu cai, o longa, portanto, conseguiu me enganar – no melhor sentido da coisa).

Quem merece muitos elogios é John Cho. O Ator que já tem várias produções no currículo, como os filmes recentes de Star Trek e diversas séries, imprime o tom necessário aqui. E melhor seria colocar no plural, já que Cho transita por vários sentimentos e características (firmeza, impotência, inteligência, fúria). O elenco inteiro está bem, mas como o filme é com ele quase 100% do tempo então fica esta nota destacada.

Por falar em nota, vale o comentário dos responsáveis pelo filme aqui que tiveram o cuidado de traduzir quase que inteiramente os letreiros que vemos no computador. Então as telas, sejam elas de diálogos ou mesmo os termos técnicos, estão em português o que facilita a compreensão de muitos.

Buscando… exala um frescor na forma e no conteúdo (vide a hipocrisia que vemos nas redes sociais, tema abordado no filme) e vem como não só um dos melhores suspense do ano, como um dos melhores filmes de 2018

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Buscando...

20181 h 41 min
Overview

Após uma jovem de 16 anos desaparecer, seu pai David Kim pede ajuda às autoridades locais. Sem sucesso, após 37 horas, David decide invadir o computador de sua filha para procurar pistas que possam levar ao seu paradeiro.

Metadata
Director Aneesh Chaganty
Writer Aneesh Chaganty, Sev Ohanian
Author
Runtime 1 h 41 min
Country
Release Date 24 agosto 2018

Nota do Razão de Aspecto

 

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