Bumblebee (2018) – O melhor filme dos Transformers – Crítica
Bumblebee

Bumblebee nos entrega o filme mais surpreendente do ano, o irônico é que tal feito é justamente por ser o mais sessão da tarde e formulaico. O universo Transformers, que o presente filme faz parte, é um dos melhores exemplos da divisão crítica-público. Uma das franquias mais lucrativas tem como resultado cinematográfico um dos maiores desastres – considerando as grandes produções. E boa parte das críticas recaiam sobre o nome por trás do projeto: Michael Bay.

Felizmente o jeito explosivo e poluído de filmar do diretor não está presente. Agora o responsável é Travis Knight (que comandou o excelente Kubo e as Cordas Mágicas). Bay ainda faz parte, mas nitidamente sem interferir tanto e sem assinar o projeto. Na prática, temos uma história muito mais leve, concisa e nostálgica, remetendo à série clássica.

O prólogo mostra a guerra entre os robôs de maneira objetiva e sem grandes explicações – o que é positivo. Mas talvez por estar contaminado com tanto filme ruim da franquia, confesso que torci o nariz inicialmente. Mas logo vi que a desculpa para o personagem título vir para a Terra era aceitável e consegui entrar na narrativa.

Paralelamente temos a história de Charlie (a pra lá de promissora Hailee Steinfeld, que aos 14 anos já tinha sido indicada ao Oscar pelo Bravura Indômita). A jovem se sente deslocada tanto no núcleo familiar, quanto escolar. Cenário perfeito para estar aberta para uma nova amizade, que tal com um carro-robô amarelo também isolado?

Bumblebee

Então pasmem, Bumblebee pega a estrutura de estranhamento e amizade de nada menos que um dos filmes mais queridos da história: E.T., de Steven Spielberg. Sim, o resultado não é tão espetacular, porém o tom já mostra uma mudança significativa. E temos um legítimo filme família.

Carisma é a palavra-chave aqui. Steinfeld faz com que a gente torça pela personagem e se importe com ela. Ela é uma adolescente e como tal é chata, mas de uma chatura natural e não forçada como boa parte das obras retratam essa idade. E acima de tudo ela está perdida e se encontra justamente no encontro com o “ET”. Ou seja, temos uma protagonista que evolui e reage aos fatos que são postos.

O arco de Bumblebee também agrada. A mentalidade infantil rende boas piadas –  em um terreno que também era fácil descambar para uma idiotilização. O jeito inseguro e heroico facilita na identificação com a personagem humana e com o público. As transformações dele e o uso da música também trazem um frescor.

Os personagens secundários são funcionais. Há muito clichês e arquétipos. Mas é o que sempre falamos: o problema não está em utilizar estas fórmulas, mas o como. Ao assumir esse lado e tendo a consciência dos movimentos, o filme não se leva a sério e isso o torna mais genuíno e agradável.

A ação é mais diluída e comedida. E o mais importante: os cortes são moderados e fazem sentido. Conseguimos enxergar o que se passa na tela. A trilha é variada e com sentido diegético. O design de produção é simples, porém bem correto e ajuda a vender a aura oitentista.

Tomara que Bumblebee faça sucesso e ajude a colocar a franquia nos trilhos.

Not rated yet!

Bumblebee

Toda aventura tem um começo

20181 h 54 min
Overview

Ano de 1987, refugiado num ferro-velho de uma pequena cidade da costa da Califórnia, Bumblebee, um fusca amarelo aos pedaços, machucado e sem condição de uso, é encontrado e consertado pela jovem Charlie (Hailee Steinfeld), nas vésperas de completar 18 anos. Só quando Bee ganha vida ela enfim nota que seu novo amigo é bem mais do que um simples automóvel.

Metadata
Director Travis Knight
Writer
Author
Runtime 1 h 54 min
Release Date 15 dezembro 2018

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