Bohemian Rhapsody – Genialidade pasteurizada
Posters para "Bohemian Rhapsody"

Bohemian Rhapsody nos mostra a genialidade de Freddie Mercury e da banda Queen, mas infelizmente de forma superficial e pasteurizada. Aquilo que poderia parecer pouco higiênico para parte da platéia é devidamente desinfetado. Não que o filme esconda os excessos de drogas, sexo e estrelismo do lendário vocalista. O problema não foi esconder, mas exibir de forma superficial e amena. Esta escolha já seria criticável nas décadas de 70 e 80 do século passado. Hoje é sem sentido. O estereótipo do rock star já incluiu transgressão e arroubos egóticos.

Não que tudo seja lamentável em Bohemian Rhapsody. Pelo contrário, o filme é delicioso de assistir. E há elementos simplesmente geniais. Primeiro temos não apenas uma excelente trilha sonora, mas um uso muito sensível e adequado das cenas musicais. Quando vemos a banda Queen subir ao palco no filme, sentimos o arrepio e a energia que eles produziam nos palcos da vida real.

Muito disto deve-se a atuação de Rami Malek. A caracterização física impressiona. Não apenas na aparência e figurino, mas principalmente nos gestos, trejeitos e expressões faciais. Em nenhum momento parece um imitador de Freddie Mercury. Sentimos quase como se fosse o próprio cantor em cena. Até a voz do ator se torna similar a do cantor. Junte isto a escolha do filme de, nas cenas musicais, usar as gravações originais sempre que possível, e temos uma incorporação quase perfeita. QUASE. Falta a Malek um pouco de “volume”. Mas não é culpa dele. Mercury foi destas pessoas maiores que a própria vida, que dominavam um ambiente apenas por ser ele mesmo.

A atuação de Malek é valorizada por uma excelente linguagem de câmera, com ótima alternância entre o primeiro plano e closes, nos dando uma experiência emocional muito, mas muito próxima do personagem principal. Este foco em Freddie Mercury pode, no entanto, incomodar os fãs da banda. Os demais membros do Queen são personagens secundários e um tanto apagados. Não espere um filme do Queen. Bohemian Rhapsody é um filme do Freddie Mercury.

A fidelidade histórica nem sempre é exata, em especial na cronologia. O filme altera a ordem nos fatos para uma melhor narrativa, com resultados positivos. Além disto o humor do filme é inteligente e eficaz, produzindo boas risadas no momento correto. Tudo isto faz a experiência de assistir Bohemian Rhapsody ser bastante agradável. Mas… falta drama, falta conflito, falta pathos.

Ao tentar abordar muitos detalhes biográficos, a narrativa acaba por não se prender a nenhum deles com atenção. Devido a carga emocional das músicas e a ótima interpretação de Malek, nos sentimos ao lado de Freddie. Mas estranhamente não passamos por nenhuma experiência marcante ou grande momento. Tudo é pontualmente bom mas contextualmente mais do mesmo. Com isto percebemos as duas horas e quatorze minutos de filme. Bohemian Rhapsody sem o Queen no palco é um filme cansativo.

Há uma tentativa de se criar um pouco de drama fazendo de Paul Prenter um antagonista, mas de forma nada convincente. Nunca ficamos realmente envolvidos e com raiva de Prenter. E onde poderia se retirar reais conflitos, como as brigas da banda, as drogas, os excessos… Tudo é suavizado. No balanço final temos uma biografia interessante mas morna, e ótimas cenas musicais (exceto pelo CGI das platéias, nem sempre convincente). Bohemian Rhapsody é um filme gostoso mas um tanto insosso. O exato oposto do que foi Freddie Mercury: incômodo mas transformador.

Not rated yet!

Bohemian Rhapsody

A única coisa mais extraordinária do que a sua música é a sua história

20182 h 15 min
Overview

Freddie Mercury (Rami Malek) e seus companheiros, Brian May, Roger Taylor e John Deacon mudam o mundo da música para sempre ao formar a banda Queen durante a década de 1970. Porém, quando o estilo de vida extravagante de Mercury começa a sair do controle, a banda tem que enfrentar o desafio de conciliar a fama e o sucesso com suas vidas pessoais cada vez mais complicadas.

Metadata
Director Bryan Singer
Writer
Author
Runtime 2 h 15 min
Release Date 24 outubro 2018

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 25    Média: 3.3/5]