Benzinho (2018) – Crítica
Posters para "Loveling"

Na abertura do Festival de Sundance, em janeiro de 2018, o longa brasileiro Benzinho lotou o Egyptian Theatre e comoveu o público estadunidense. A história de Irene, uma mãe de família que recebe a notícia de que o filho mais velho vai sair de casa, sintetiza o amor cru de uma mãe de classe média baixa, ao mesmo tempo bruto e carinhoso, raivoso e afetuoso. E aqui respondemos a pergunta do título dessa crítica: nossa protagonista representa o arquétipo da mãe brasileira, aquela pessoa um pouco invasiva e um pouco alterada, que Whindersson Nunes tão bem representa em seus vídeos de humor e que causam empatia em milhões de brasileiros. A mãe que luta para trabalhar e sustentar a família, a mãe que dá mamadeira todo dia, além de trabalhar como empacotadeira nas Casas Bahia, a mãe que protege os filhos, mas se ressente de que sigam a vida e não precisem mais dela. Karine Telles tem atuação mais do que inspirada, do mesmo nível da de Regina Casé em  Que horas ela volta?– premiada no Festival de Sundance, em 2015, filme no qual personificou a odiosa vilã Dona Bárbara.

Para além de Irene, o núcleo daquela família disfuncional conta um marido sonhador e mal-sucedido., porém carinhoso, interpretado por Otávio Müller, a irmã que sofre violência doméstica em um casamento abusivo, interpretada por Adriana Esteves, Fernando, o filho mais velho e estopim da mudança na rotina da família, personificado por Konstantinos Sarris, além dos gêmeos e do filho adolescente estudante de tuba (que, por sua vez, rende algumas das cenais mais inusitadas de Benzinho. Essa combinação de arquétipos resulta em uma família brasileira típica, com seus dilemas diários, a luta pela sobrevivência, os pequenos e os grandes conflitos e as pequenas conquistas. Algumas sequências são comoventes, de fazer suspirar, outras são de partir o coração, sempre com a representação escancarada do que é o Brasil e o que são os preconceitos da socidade brasileira.

O ponto mais forte de Benzinho reside na sutileza da abordagem, na qual a crítica social pulsa subliminarmente, enquanto a sensibilidade pulsa ao longo de toda a narrativa e a comicidade da tragédias atravessa a vida daqueles personagens, seja em uma porta quebrada, seja no menosprezo das pessoas pela formatura de Irene no ensino médio. Ao assistir Benzinho, sente-se o Brasil correr nas veias como poucos filmes brasileiros da retomada da nossa produção audiovisual conseguiram fazer, o que o coloca no nível de Central do Brasil, Cidade de Deus, Tropa de Elite e Que Horas Ela Volta?, filmes muito diferentes entre si, mas que, na sua diversidade, expressama verdade da sociedade em que vivemos.

Com roteiro consistente de Karine Telles e do também diretor Gustavo Pizzi  Benzinho tem direção consistente, que equilibra todos os elementos da narrativa, do drama ao humor,  e constrói um filme sensível e comovente. Nos últimos anos, poucos filmes brasileiros conseguiram unir competência técnica e narrativa como Benzinho, e nenhum filme brasileiro me bateu tão forte na alma desde Que Horas Ela Volta?Trata-se do melhor filme brasilero de 2018 até agora, e duvido que seja superado até dezembro. Também seria o meu candidato à disputa da vaga no Oscar de Melhor filme Estrangeiro.

Na saída da premiere mundial, tive a honra de entrevitar Karine Telles e Gustavo Pizzi, no final do vídeo em que comento o filme. Confira:

 

 

Not rated yet!

Loveling

20181 h 35 min
Overview

Irene é uma mãe de família que precisa lidar com a partida prematura de seu filho mais velho, Fernando, que vai tentar a vida como jogador de handebol na Alemanha.

Metadata
Director Gustavo Pizzi
Writer Gustavo Pizzi, Karine Teles
Author
Runtime 1 h 35 min
Country  Germany Brazil Uruguay
Release Date 3 agosto 2018

Nota do Razão de Aspecto

 

O que você achou?

 
[Total: 1    Média: 5/5]