Até Nunca Mais (À Jamais, 2016) – Crítica
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Até Nunca Mais tem uma proposta complicada de digerir, sendo mais pretensioso do que efetivo.

Jacques Rey (Mathieu Amalric) e Laura (Julia Roy) são artistas (ele cineasta e ela atriz) e passam a ter um relacionamento morando na mesma casa. Laura escuta ruídos estranhos na casa. Essa questão é um dos pontos que gera paranoia na personagem. Ao invés de flertar com o terror, o foco do filme é uma metáfora e um sentir artístico (?).

O que reforça esse ponto é a monotonia que é até condizente, vide a cena que Rey encontra Laura, a câmera fica um bom tempo na performance estática da atriz. Na casa ciclos se repetem – a um ponto de tirar a paciência de muitos ou de capturar a atenção dos que apreciam tal ferramenta. A narrativa evolui com uma repetição redundante.

Um vazio é instaurado em tela. Esse vazio também tem significado. Porém para ser vazio requer talento. Para ser vazio que tem a pretensão de ser valoroso, mais ainda. E Até Nunca Mais não consegue desabrochar e revelar esta camada. Apesar da virada final, com algum impacto por sinal, falta um viço no longa.

Se o roteiro é escuso, na parte técnica há méritos na fotografia. Vemos uma boa exploração da casa e de ângulos que reforçam a tônica da obra. A montagem tem um difícil trabalho nas mãos de não soar uma colagem em alguns momentos, porém, nem sempre é eficaz. A trilha dá um tom que não compreendi, meio senso de urgência e suspense nervoso, às vezes ficando óbvia ou gritando (mas curioso como o som do celular no filme causa um desconforto, aos mais desatentos pode parecer que alguém dentro da sala esqueceu de colocar o aparelho no silencioso).

Um discurso na virada do segundo ato revela coisas sobre um personagem que o tornam mais interessante do que vinha sendo mostrado. Ainda assim é uma muleta do roteiro que não consegue se equilibrar entre o hermético e o explícito. Por exemplo, há uma constante inversão de papéis entre o casal. O elemento é super utilizado e satura. A coisa não é errada, mas difícil não pensar: “já entendi, pode parar ou me trazer coisas novas…”.

Capturar metáforas, sentidos e embarcar na intensidade de Laura é um desafio. A proposta é clara Benoît Jacquot (diretor) e Julia Roy (atriz e co-roteirista) têm um espaço de pouco menos de 1h30 (que parecem 3 horas) para apreendermos a verve artística de Julia, mais do que contar uma história genuinamente instigante.

Para muitos, e para mim, ao menos o título Até Nunca Mais é honesto quanto à sensação que o filme causa.

Até Nunca Mais

Overview

Jacques Rey (Mathieu Amalric) e Laura (Julia Roy) são artistas (ele cineasta e ela atriz) e passam a ter um relacionamento morando na mesma casa. Laura escuta ruídos estranhos na casa. Essa questão é um dos pontos que gera paranoia na personagem. Ao invés de flertar com o terror, o foco do filme é uma metáfora e um sentir artístico

Metadata
Diretor Benoît Jacquot
Roteiro
Duração
País  Portugal France

Nota do Razão de Aspecto

 

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