Aquaman (2018) – Será que ele foi por água abaixo? – Crítica
Aquaman

Aquaman dá prosseguimento ao universo DC no cinema com boas e más notícias. Primeiro temos um filme. A afirmação pode soar um tanto redundante, contudo quando tratamos de franquias não raro temos longas que dependem de outros para que o público absorva toda a trama. Definitivamente não é o caso aqui. Há uma história com começo, meio e fim. As referências aos acontecimentos anteriores presentes no filme da Liga da Justiça são apenas easter eggs e em nada prejudicam a experiência. Por outro lado, alguns podem alegar que sentiram falta da presença dos outros heróis para ajudar o nosso protagonista. Eu vejo essa independência com bons olhos.

E o que nos traz Aquaman? Basicamente estamos diante de uma guerra no mundo subaquático por uma disputa de poder reflexo/motivado, entre outras coisas, pela poluição que os habitantes da superfície causam. Vale já ressaltar que o tema do ambientalismo, apesar de presente não é um panfleto e está lá de forma orgânica e sem um tom “eco chato”. Outro fator importante envolve genealogia e sucessão de trono – com a discussão de raça pura/mestiços, algo que vemos bastante no universo Harry Potter/Animais Fantásticos, também da Warner.

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No fundo (do mar) é tudo uma desculpa para o combo: belo visual do reino de Atlantis + jeitão descolado do Jason Mamoa. Nestes quesitos o filme funciona parcialmente. Os efeitos deixam claro o objetivo de fugir da realidade. Então como universo fantástico encanta desbravar os sete mares: a cada raça, “cidade” ou instrumento mágico que aparece na tela vemos o cuidado que a equipe teve. Mas parte desses apetrechos deixa algumas movimentações um tanto artificiais.

Já o nosso interprete é sem dúvida carismático. Porém, esse ar cool por vezes acaba se tornando maior que o personagem. Não raro eu esquecia que era o Aquaman e enxergava o ator e isso é uma tragédia em termos de imersão. O resto do elenco alterna pouco material para trabalhar, com um “não se levar a sério”. O resultado irregular deixa o gosto um pouco amargo.

Contudo, o grande problema da obra cai na conta da exposição. Tudo é dito, explicado e re-explicado nos mínimos detalhes. David Leslie Johnson-McGoldrick e Will Beall, roteiristas, acham que a classificação indicativa é de “proibido para maiores de 10 anos”. Falta eles pegarem na mão do público e darem uma piscadinha para os espectadores.

Exemplos, infelizmente, não faltam. Letreiros em várias mudanças de ambiente. Personagens contando coisas para outros personagens que já sabiam dos fatos – com o intuito de inteirar o público apenas… Lembra a cena dos dois cientistas em Interestelar. E chegamos ao cúmulo da boa parte da trilha ir na mesma linha. A música antecipa o sentimento e meio que diz que emoção você deve ter. Aparece um vilão e já sabemos pelos acordes que é o vilão. Alguém fala algo importante e os teclados pesam, e por aí vai. Basicamente parecia aquele vizinho de cadeira chato que já viu o filme e fica comentando.

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Aliado a esse fator, o roteiro não é um primor de surpreendente. A história segue o molde da jornada do herói (por exemplo, o chamado para a aventura, a recusa, o mentor, as adversidades e a recompensa). Com isso, facilmente prevemos todos os movimentos e torna as 2h30 uma grande reprise espiritual de muitas outras obras. O longa ser uma corrida por um MacGuffin também não ajuda… é um filme (mar) sem  sal…

Um dos vilões do filme, o Arraia Negra, é bem secundário, o que pode frustar os fãs. Mas a decisão é até inteligente. O foco aqui, neste primeiro momento, é outro. Em possíveis continuações ele terá mais destaque. Tentar desenvolvê-lo mais tornaria o filme ainda mais longo.

Se bem que é separado bons minutos para os famosos alívios cômicos (que poderiam ser usados para o desenvolvimento dos personagens…). Sim, a tão criticada verve humorística da Marvel foi totalmente incorporada pela DC  “ain, se fazem filmes sombrios os críticos reclamam, se fazem piada também…” . Tudo vale, a questão é como. Aqui é a piada pela piada (vide o momento da selfie, onde sacamos a piada bem antes dela acontecer) ou em momentos tortos (como no meio de uma luta). Diferente de um Deadpool ou Guardiões da Galáxia que tem isso no DNA.

O uso dos poderes do Aquaman  – notadamente o de se comunicar com os animais marinhos – rende três bons momentos. O primeiro em uma cena de apresentação/descoberta, que mesmo previsível promove um quadro gratificante. O segundo em uma piada, aí sim, funcional (a retomada dela é desnecessária). E o terceiro no timing do uso em um momento chave no terceiro ato. Além disso, há um momento para os fãs terem orgasmos – o famoso fan service bem-vindo, sem atrapalhar o andamento.

Se o objetivo de James Wan era dar um tom grandioso em meio a uma simplicidade narrativa o resultado é até positivo. Contudo ao duvidar da inteligência do público o todo perde viço e alguns pontos vão por água abaixo…

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Aquaman

O mar chama-te

20182 h 20 min
Overview

Arthur Curry (Jason Momoa), mais conhecido como Aquaman, ainda é um homem solitário, mas quando ele começa uma jornada com Mera (Amber Heard), em busca de um algo muito importante para o futuro de Atlantis, ele aprende que não pode fazer tudo sozinho.

Metadata
Director James Wan
Writer Will Beall, David Leslie Johnson-McGoldrick
Author
Runtime 2 h 20 min
Release Date 7 dezembro 2018

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