Amityville: O Despertar (2017) – Crítica
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Amityville se tornou famosa dado o caso de assassinato com alegações sobrenaturais na residência da família DeFeo. A premissa vem carimbando presença nas telonas desde 1979. Após mais de uma dezena de produções, chegamos a Amityville: O Despertar, em 2017. Temos agora algumas novidades na trama, porém deixando a bastante a desejar na realização.

Joan (Jennifer Jason Leigh) se muda com os três filhos para a icônica casa. Além da tradicional criança pequena, aqui Juliet (Mckenna Grace), temos a adolescente de 17 anos, Belle (Bella Thorne). E o tal fato novo: James (Cameron Monaghan), um jovem que está em estado vegetativo e desacreditado pelos médicos – apesar da mãe, fervorosamente, ainda possuir esperanças. Não tarda para o mal (como é definido) incorporar no garoto e atormentar especialmente Belle.

Acompanhamos a trama pelos olhos dela. A garota, gêmea de James, é o contraponto entre a inocência infantil da irmã e a fé da mãe. Ela tenta demonstrar alguma consciência dos fatos, seja na questão do irmão ou no âmbito sobrenatural. A câmera de Franck Khalfoun faz questão de sexualizar a moça com ângulos e vestes que passam um pouco do tom, na tentativa de atrair o público masculino – já que o protagonista não é homem, então vamos deixar a personagem principal com a bunda de fora….

Mas esse, acredite, é de longe o menor dos problemas aqui. O roteiro é cheio de furos, com motivações simplórias e raso. Vemos uma inconsistência no uso da força maligna. Um pretexto cretino para o despertar do mal. Além de não ter nenhum aprofundamento no drama dos personagens. A tentativa nesse sentido, sobre o passado da família e como James ficou naquela situação, é pouca.

“Isso é filme de terror não quero história, ele tem que dar medo”… Bem, discordo desta afirmação, todavia vamos então analisar as características do gênero em Amityville: O Despertar. Baseado em jumpscares – aqueles sustinhos, com a aplicação do som alto e imagens pipocando na tela – o terror aqui é fundamentalmente explícito. Você pode ser pego em alguns sustos – eu cai em um apenas – mas ao sair do cinema dificilmente irá repercutir aquele t(r)emor. Ou seja, a forma mais preguiçosa de explorar o gênero. Sabe quando você ri de alguém tropeçando? Um sorriso pode aparecer, porém não é um humor de qualidade. O jumpscare, principalmente em excesso, é o equivalente no terror.

Outra artimanha usada em Amityville: O Despertar é o gore, mas muito moderado. O choque pelo choque também não é das ferramentas mais bem elaboradas, reprimido e covarde como vemos aqui a coisa fica ainda menos assustadora. O longa se pauta na metamorfose e em pequenas manchas de sangue. Também pouco pra causar arrepios….

Os atores estão nadinha além de corretos. Jennifer Jason Leigh é muito maior do que apresentou, entregando um automático-funcional drama. Bella Thorne, apesar do texto não ajudar, também segue na mesma linha. A mirim Mckenna Grace não encanta tanto quanto Chloë Grace Moretz no filme de 2005 da “série”. Acertadamente Khalfoun busca pouco a garota.

Para compensar o acerto no trio principal, a balança se desequilibra em Jennifer Morrison, Kurtwood Smith e Cameron Monaghan. A presença de Candice (Morrison) é torta e um tanto questionável. Smith faz um médico com todos os cacoetes possíveis e fica over em um cena em específico (essa da foto acima). Monaghan tem um trabalho ingrato, contudo não é justificativa para não convencer nem como paisagem e tampouco como fera.

Menos justificado ainda está a dupla de amigos que Bella conhece no colégio. Os personagens tem tanta relevância que o roteiro simplesmente os abandonam no último ato. A presença deles na realidade têm uma função até bem clara: servir de explicação dos fatos, alívio cômico (?) e já mencionei explicação dos fatos? Não basta uma narração inicial (e final), o diretor parece julgar importante que repetidas vezes o público seja lembrando que estamos no 478º filme da franquia. Ter uma referência, colocar os personagens no nosso mundo ao citar o primeiro filme explicitamente, é até bem-vindo. Reiterar tal fato é duvidar da nossa inteligência e paciência….

Na ausência desse elemento (o de mastigar aquele universo), o que sobra são cenas óbvias. Não é preciso ser nenhum especialista para prever muitos movimentos e o desenrolar da trama. As reviravoltas que o filme apresenta são antevistas com facilidade ou te surpreendem pela ausência de reviravolta…. O recente Annabelle 2 é muito mais preciso e impactante do que este. Os motivos você pode ler aqui. 

Se você se contenta com uma obra requentada, genérica e esquecível, então não se sentirá tapeado, caso contrário sentirá vontade de nunca mais voltar àquela casa e não é pelo demônio que a habita….

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Amityville: O Despertar

2017Duration unknown
Overview

Uma mãe solteira se muda com seus três filhos para uma casa assombrada sem saber da história sangrenta da casa.

Metadata
Director Franck Khalfoun
Writer Daniel Farrands, Casey La Scala
Author
Runtime Duration unknown
Release Date 30 junho 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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