Alien: Covenant resgata o oitavo passageiro e ressuscita a franquia

Ridley Scott é o responsável por dois dos melhores filmes de ficção científica já feitos. Blade Runner (1982) talvez seja o melhor filme de ficção de todos os tempos, mas Alien: O oitavo passageiro (1979) não fica muito atrás em qualidade. A história da tripulação da nave Nostromo, que carregava um terrível passageiro clandestino, marcou o cinema definitivamente. Tanto é que deu origem a mais quatro filmes, uma série de livros, quadrinhos, video-games, RPGs, etc, bem como cross-overs com outras franquias, em especial a franquia Predador.

E muitos ainda respeitam o primeiro filme como a melhor obra entre os Aliens (apesar que o segundo filme, Aliens: O resgate, também é igualmente elogiado). Então é no mínimo estranho que, ao anunciarem que Ridley Scott iria filmar mais um prequel da franquia, muitos tenham recebido a notícia com desagrado. Estranho se não fosse o famigerado Prometheus, primeira tentativa de retorno de Ridley Scott a franquia, extremamente criticada tanto pelos fãs quanto pela crítica especializada.

Felizmente Ridley Scott não repete os erros de Prometheus, e consegue nos entregar um filme tenso, angustiante, visceral, forte. Mas não faz isto com a simplicidade e ingenuidade que vemos em Vida. Alien: Covenant não se contenta em ser apenas um filme de monstro alienígena executando humanos em uma nave.

Muitos dos méritos do primeiro Alien se encontra neste prequel. O estilo gráfico de H. R. Giger, ilustrador responsável pelo desenho dos xenomorphos desde o primeiro filme, agora é onipresente. Não apenas nas criaturas e naves, mas em cada frame estamos dentro de uma ilustração de Giger. Além disto a claustrofobia, a sensação de estar preso junto com seu predador é frenética. Junte isto ao horror corporal da contaminação com fins explosivos, e temos todo o pânico que sentimos na Nostromo, lá em 1979, de volta. Mas não com a economia e sutileza do primeiro filme, e sim com um ritmo e exuberância gráfica similar ao segundo filme. Ridley Scott muitas vezes lembra e cita visualmente Aliens: O resgate de James Cameron.

Os andróides estão de volta, em dose dupla. Michael Fassbender (de A luz entre oceanos e Assassins Creed) retorna com o personagem David de Prometheus, mas também faz um segundo andróide, Walter. E as similaridades e diferenças entre David e Walter são o ponto mais forte da trama. Scott retoma o tema de criatura encontrando o criador de Prometheus, mas sem a mesma pompa e exagero. Desta vez ele acerta no tom e usa de David e Walter, muito mais que dos humanos, para abordar a questão. Entregar estes papéis chave a Fassbender foi um grande acerto. O ator consegue trabalhar dois personagens contidos emocionalmente mas ao mesmo tempo intensos dramaticamente.

Outro ponto forte do novo filme, que destoa de Prometheus, é qualidade dramática dos erros cometidos pelos personagens. Se em Prometheus tinhamos cientistas de ponta agindo como crianças, com pessoas não sabendo desviar de uma pedra ou adotando uma cobra alienígena como bicho de estimação, aqui temos personagens emotivos, sob extremo estresse, que seguem decisões duvidosas que levam a resultados desastrosos. Mas estes erros, mesmo quando estúpidos, parecem erros de pessoas reais, e não erros do roteirista que não sabia como resolver a questão. Este talvez seja o ponto alto do filme comparado a várias ficções científicas recentes (até mesmo o Life).

Temos ainda uma heroína improvável, uma personagem feminina forte e carismática. Se é fato que Katherine Waterston (de Animais Fantásticos e onde habitam) não é Sigourney Weaver, sua personagem Daniels carrega muita semelhança com a Ripley do primeiro filme. Uma astronauta comum, mas com todas as características de ser a pessoa certa, no lugar errado, com as habilidades corretas. Se Walter é similar demais com David para ser um herói completo, a Daniels de Waterston tem a humanidade necessária para assumir o fardo.

Apesar de todos os méritos, Alien: Covenant ainda carrega em seu DNA a herança maldita de Prometheus. Ridley Scott tinha a ingrata tarefa de continuar a história do primeiro prequel e uni-la com o restante da franquia. Felizmente há pouco de Prometheus em Covenant, mas o pouco que existe incomoda. Praticamente todas as cenas que remetem a raça de arquitetos originais são, na melhor das hipóteses, supérfluas. Se fosse possível esquecer este plot e seguir a história apenas com humanos, xenomorphos e andróides, o filme estaria no mesmo patamar que os dois primeiros da franquia.

Mas de qualquer forma Alien: Covenant resgata a qualidade do horror da franquia, e mostra para as platéias de hoje porque Alien é mais que um filme de monstro em nave espacial.

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Alien: Covenant

Overview

Ridley Scott retorna a franquia de Alien, com um filme que se passa entre os acontecimentos de Prometheus (2012) e Alien: O oitavo passageiro (1979). Desta vez acompanhamos Covenant, uma nave colonizadora, que tem sua tripulação desperta da animação suspensa no meio da viagem devido a um acidente. Em meio aos reparos, a tripulação intercepta uma transmissão de origem desconhecida, o que os levam a um planeta potencial para ser colonizado, bem como para os parasitas alienígenas rompedores de peito favoritos do cinema.

Metadata
Director Ridley Scott
Writer John Logan
Author
Runtime
Release Date 10 maio 2017

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