A Vilã (Ak-Nyeo, 2017) – Crítica
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A Vilã

A Vilã é mais um belo exemplo de filme sul-coreano chegando em cartaz no Brasil. Depois dos recentes Invasão Zumbi, O Lamento e do genial A Criada, temos outra obra que extrai do gênero que ele se propõe elementos marcantes. Com uma narrativa hipnotizante e cheia de vai-e-vens que tornam o tempo um quase personagem – ao lado da violência, o país de Oldboy não parou somente ali…

A cena inicial é um espetáculo à parte. Um longo plano sequência, com cortes disfarçados, e a câmera em primeira pessoa (no estilo Hardcore: Missão Extrema). Uma sanguinolência de deixar Tarantinos no chinelo e coreografia que La La Lands nenhum botaria defeito. Lembra de forma horizontal a cena do prédio em Atômica. Talvez o grande “defeito” de A Vilã é não ter outro momento tão sensacional, o que é um “defeito” bem aceitável… já que o filme te ganha ali, logo de cara.

A Vilã

A história, quebrada em flashbacks por vezes quase simultâneos, mistura elementos de vingança, drama familiar e espionagem. É daquelas que vale a pena conferir novamente para apreender tudo, tal qual o já citado A Criada. Falar o que acontece, além de altamente desagradável por estragar a experiência do filme, não acertaria no alvo aqui. Pois em A Vilã, O COMO é ainda mais importante. As boas peças são arranjadas de um jeito que crescem e tornam a interessante história ainda mais valorosa.

Por exemplo, a trilha sonora reverbera em momentos distintos. Repare nos assobios iniciais. O design de produção torna os elemento mais vívidos. As armas e objetos (que a priori não seriam armas) têm outros significados. A fotografia, já premiada no Buil Film Awards, faz jus à lembrança com enquadramentos raros. Não tarda para você se sentir naquele universo.

Universo recheado de falsas aparências, onde as coisas não são o que parecem. A metáfora com a questão teatral tem objetivo e sentido narrativo, além de servir como essa camada. A própria brusca mudança de tom a partir do segundo ato coincide com essa questão. Por falar nessa virada, aqui pode residir o rompimento do filme para muitos.

A Vilã

Um necessário respiro acontece. Mas tudo muda, não necessariamente para pior, mas cores mais claras e o aspecto caseiro tomam conta. A sensação de perigo ronda, é verdade, porém fica a questão A Vilã passa do ponto ou consegue manter as mudanças de forma orgânica? Sinceramente não tenho uma resposta. Outra lacuna que vou ficar devendo compreende algumas dúvidas sobre determinados arcos. Será que foi furo ou eu cai na teia do roteiro? (preciso rever essa coisa linda, farei esse sacrifício o quanto antes….).

Fato é que o final recompensa e muito. A cena derradeira é intensa, empolgante e muito bem filmada. Um momento lembra até um clichê de filme de terror, o que aqui, por estar desvirtuado, deixa de ser clichê. Ou seja, A Vilã pode até ter um miolo complicado para alguns, mas como ele se despede e principalmente como se apresenta o tornam memorável. Ah, se o Oscar olhasse para a Coréia do Sul….

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악녀

Overview

Uma menina treinada desde a infância para ser uma assassina sanguinária aceita um acordo de trabalho que a liberterá do árduo ofício depois de dez anos de serviço. Mas mesmo depois de cumprir o prazo e começar a trilhar uma rotina normal, dois homens aparecem e a colocam de frente com seu passado.

Metadata
Director Jung Byung-gil
Writer Jung Byung-gil
Author
Runtime
Country  South Korea
Release Date 8 junho 2017

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