A Vida em Si (Life Itself, 2018) – Crítica
A Vida em Si

A Vida em Si vai dividir o público. Muitos acharam a história linda e se sensibilizarão com os personagens e mensagem. Outros perceberão os truques por trás e não cairão nas armadilhas. Basicamente: se você gostou de filmes como Beleza Oculta e Tudo e Todas as Coisas, vai gostar deste. Ou seja: temos aqui personagens rasos, tragédias para gerar um choro fácil e momentos edificantes, sem contar diálogos/narração de auto-ajuda.

O longa é divida em várias histórias, a brincadeira de relacioná-las (o como não vou dizer…) é um dos elementos que podem segurar a atenção de alguns e despertar o interesse. Talvez aqui a coisa funcionasse melhor sem essa condição de ligar os trechos, tal qual em um A Balada de Buster Scruggs, dos Irmãos Coen… mas é uma sacanagem a comparação pela qualidade das produções e por indicar algo que o filme não quer ser….

A estrutura capitular aliada a uma narração em off mastiga e ameniza (ainda mais) o longa. Temos basicamente uma novela seriada em 2 horas. O prólogo tenta ser cool e já dar uma dica do filme: uma falsa narração (na voz de Samuel L. Jackson) surge a partir de devaneios. Posteriormente a necessidade de gritar para o público – público este que os realizadores subestimam a todo instante – é reiterada com a tese de Olivia Wilde sobre narradores falsos.

No primeiro ato temos um recurso que basicamente é para pegar o espectador pela mão e guiar pelo universo do filme – sim, mais um momento de exposição e de achar que quem assiste tem uma idade mental inferior. Uma psicóloga (Annette Bening) conversando com o protagonista Oscar Isaac. Quando A Vida em Si resolve sair um pouco disso e tratar o dia a dia do casal a coisa flui um pouco mais. A referência aos filmes do Tarantino divertem e mostram a boa química dos atores.

A Vida em Si

A segunda história até surge de maneira natural, mas quando ela estava andando com as próprias pernas o interesse vai se esvaindo graças a obstinação do longa de se autorreferenciar. Daí em diante  é só ladeira abaixo – algo que reverbera nos demais capítulos.

Devo confessar que alguns deste pontos me incomodaram ao longo do minutos, porém eu ia aceitando e tentando entrar naquele universo. Pensei em um dado momento: “A Vida em Si tem todas os ingredientes que o tornam clichês, mas o gosto está aceitável”.

Tudo muda, e para pior, conforme a história vai finalizando. O ar professoral das lições a serem passadas, o caráter dos personagens – bom moços ou arrependidos ou só meros arquétipos – e teor de auto ajuda tornam a experiência insuportável.

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A Vida em Si

20181 h 58 min
Overview

O relacionamento amoroso vivido por um casal, é contado através de diferentes décadas e continentes, desde as ruas de Nova York até Espanha e como diferentes pessoas acabam se conectando a ela através de um evento marcante.

Metadata
Director Dan Fogelman
Writer
Author
Runtime 1 h 58 min
Release Date 21 setembro 2018

Nota do Razão de Aspecto

 

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