A Torre Negra (The Dark Tower, 2017) – Crítica

A Torre Negra é uma série de livros do escritor americano Stephen King. Produzida ao longo de décadas, a trama traz elementos de diversos gêneros e compõe um rico universo. Os mais de 30 milhões de exemplares vendidos são parte da comprovação do sucesso com o público. A versão para o cinema chega com essa bagagem.

No entanto vamos aqui analisar apenas a expressão cinematográfica. Possíveis comparações deixamos para os fãs relatarem nos comentários. Por exemplo, o que funciona ou não como adaptação. E vale o aviso: possíveis críticas neste texto ao longa são estritas ao filme, de modo algum estamos aqui desmerecendo os livros.

A trama gira em torno do garoto Jake (Tom Taylor),  de Roland, o Pistoleiro (Idris Elba) e de Walter, o Homem de Preto (Matthew McConaughey). Jake tem visões através de sonhos onde consegue enxergar um mundo paralelo à Terra. Neles, entendemos posteriormente, O Homem de Preto quer destruir uma torre negra para liberar demônios de fora do universo. O Pistoleiro tentará impedi-lo de concretizar esse plano malvadão e não tarda pra contar com a ajuda de Jake.

Sim, a coisa é tão genérica quanto parece. E por genérico acrescente todos os adjetivos pertinentes: sequências esquecíveis, personagens rasos, mundos (com potencial) pouco explorados. A estranha duração do longa, para os padrões de um blockbuster, agrava esses elementos. Vemos os personagens se deslocando do ponto A para o B, algumas referências ao redor, mas pouco além disso. Talvez um desenvolvimento mais cuidadoso poderia sanar parte desse problema.

É possível ver de relance boas ideias. Fico me perguntando se elas foram retirados no corte final ou se sequer filmaram. O uso do poder de Jake, o passado dos pistoleiros, a motivação do vilão e até a função da torre, tudo fica só na superfície. Não é difícil imaginar, até para quem não leu os livros, que há uma mitologia ali. Triste não ter esse produto em tela, que acabam só jogados.

Vamos aos exemplos: a conexão de algo na trama com as lendas arthurianas soa tristemente engraçado, eu ri de tamanha falta de necessidade de citar algo assim (novamente: mesmo que nos livros tenha alguma relação, no FILME ficou sem sentido). A “personagem” título é de extrema coadjuvância. Acho ótimo que o filme não perca tempo com explicações redundantes (como são as das frases de abertura), porém dar um mínimo de base iria cair bem. O argumento de que nos próximos filmes ou nos livros têm esse ar mais encorpado não é válido. Quem vai para o cinema ver A Torre Negra está consumindo um produto fechado que deveria se valer nele mesmo.

O único que poderia ter algum resultado, por pura recorrência, seria o mantra dos pistoleiros. Mas carece de sentimento por conta de toda apatia no resto do filme. A direção de Nikolaj Arcel não imprime emoção mesmo em momentos emocionantes. Pelo menos vemos coerência: a direção, roteiro e atuações estão no automático. Quando parece que o filme vai começar – já que até então só tínhamos pinceladas mal concatenadas – passou-se meia hora, um terço do filme. O que vem depois não é animador…

O segundo ato vira um quase road movie com perseguição, mas sem qualquer senso de urgência e o tempo para desenvolver a parceria entre os protagonistas é claudicante. O desfecho, com uma das lutas finais mais sem graça do ano (talvez vença apenas de Max Steel) deve causar reações do tipo: ……………………………………………………………………………………………………………
essa lacuna se ocorre pois há pouco para se empolgar, meia dúzia de golpes, seguido de conveniência com um pitada de deus ex-machina e uma resolução broxante.

Em resumo: A Torre Negra como obra única entrega muito menos do que poderia ser (e olha que nem estou levando em conta o material fonte). Lembra uma sessão da tarde sem carisma. Chamar esta aventura de infantil é ofender as crianças. Se vierem possíveis continuações tomara que seja com mais viço do que uma mera diversão(?) escapista…

Not rated yet!

A Torre Negra

2017Duration unknown
Overview

Há outros mundos para além deste. No filme A Torre Negrade Stephen King, a original história de um dos mais conceituados autores mundiais, chega ao grande ecrã. O Pistoleiro Cavaleiro, Roland Deschain, encontra-se preso numa batalha eterna com Walter O’Dim, também conhecido como o Homem de Negro, e decidido a impedi-lo de destruir a Torre Negra que mantem a unidade do Universo. Com o destino de mundo em jogo, o bem e o mal colidem numa derradeira batalha onde apenas Roland pode defender a Torre do Homem de Negro.

Metadata
Director Nikolaj Arcel
Writer
Author
Runtime Duration unknown
Release Date 3 agosto 2017

Nota do Razão de Aspecto

 

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