A Repartição do Tempo (2018) – Crítica
A Repartição do Tempo

A Repartição do Tempo esteve no Festival de Brasília de 2016 e agora estreia em circuito comercial.

O longa tem diversas boas ideias, boas intenções e alguns fanservices, mas às vezes soa como um amontoado. Sendo pouco efetivo nas diversas frentes que ele quer atingir ou simplesmente não conseguindo concatenar tudo.

A história se passa em uma Repartição pública dos anos 80, o REPI – que trata de registro de patentes. Parte do mote gira em torno de fazer piada com a ineficiência do local (e do sistema público como um todo).

A Repartição do Tempo

Mas o mote principal mesmo é a outra palavra do título, o tempo – mais especificamente a viagem no tempo. Já que um belo dia é “deixada” na Repartição uma máquina do tempo que tem o poder também de clonar as pessoas. A partir daí o chefe do local usa desse equipamento para clonar os funcionário e mantê-los em cárcere.

O absurdo aqui tenta funcionar nesses dois níveis: o da ficção científica e o da denúncia da morosidade dos serviços. E o tentar infelizmente e até onde vai o filme. A lógica das idas e vindas tem mais furos que o normal e a crítica fica tão caricata que perde força.

Por falar em sem força, as referências são deliciosas. Temos desde Chapolin, passando por Trapalhões, inclusive o Dedé Santana (Os Saltimbancos Trapalhões) está no filme, Feitiço do Tempo e até a música  Il Guarany mais conhecida como a abertura do programa A Voz do Brasil. Mas esses momentos, com exceção deste último, ficam soltos e viram a citação pela citação.

A Repartição do Tempo

O mesmo não dá para falar do design de produção. Com uma riqueza em detalhes que impressiona. A sujeira e acúmulo de papéis dão o tom de desleixo que se fazia necessário. Outro elemento que funciona são os quadrinhos no final, mas também pouco explorados.

Os personagens têm zero aprofundamento. Cada um cumpre uma função muito delimitada na trama. Presta para o gênero, mas deixa tudo muito pobre. A consequência disso é que ou você não se importa com eles e/ou antevê cada passo.

A Repartição do Tempo

As piadas são irregulares. Algumas funcionam melhores que outras, porém em geral é um humor óbvio – adjetivo devastador para definir a comédia. Dá pra rir de uma ou outra coisa, mas poucas piadas vão reverberar para além de uma gag vazia.

Algumas ideias são abandonadas, os recursos que o filme planta não são todos colhidos e há desequilíbrio nos escopos pretendidos. Em suma, aparando aqui ou ali, A Repartição do Tempo poderia ser melhor do que é.

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A Repartição do Tempo

Overview

Brasília, início da década de 1980. O REPI (Registro de Patentes e Invenções) acaba de ser capa de uma importante revista nacional, que o coloca como exemplo da burocracia existente no governo. Lisboa (Eucir de Souza), o chefe, não gosta nem um pouco da reportagem e decide cobrar atitude de seus funcionários, que fazem de tudo menos trabalhar. Paralelamente, o Dr. Brasil (Tonico Pereira) deseja patentear uma máquina do tempo e a deixa no REPI. Ao colocar o aparelho no estoque, Jonas (Edu Moraes) acidentalmente o aciona e, consequentemente, volta no tempo.

Metadata
Director Santiago Dellape
Writer
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Runtime
Country
Release Date 24 setembro 2016

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