A Primeira Noite de Crime (The First Purge, 2018) – Crítica
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A Primeira Noite de Crime. A franquia Uma Noite de Crime começou com o despretensioso filme homônimo, que desenvolvia narrativa de terror, baseada em uma invasão domiciliar. Ao buscarem explorar o potencial temático da premissa – 12 horas nas quais todos os crimes são permitidos, uma vez por ano, como forma de conter da violência nos 364 dias restantes -, os demais filmes da franquia oscilaram em qualidade e abordagem, mas, no geral, mantinveram bom nível de apelo junto ao público. Graças a esse relativo sucesso, densevolveu-se, inclusive, um série de TV, disponível, no Brasil, no Amazon Prime Video.

Em termos de abordagem, A Primeira Noite de Crime segue o caminho trilhado desde 12 Horas para Sobreviver: Dia da Eleição, ao dar ênfase à crítica social e ao desenvolver os interesses do poder na realização desse evento tenebroso. Ao escolher esse caminho, o diretor, roteirista e produtor James de Mônaco enfatiza mais a ação do que o terror, mais o suspense do que o medo, ainda que a qualidade da combinação entre ação e suspense seja oscilante. Ainda assim, mantêm-se a força das peuenas cenas, de alguns segundos, que retratam a loucura humana: às vezes uma pequena passagem por um beco, às vezes a visão pela janela do carro, sempre podemos presenciar algum ato de insanidade que descreve muito bem do que a humanidade é capaz.

Como obra audivisual isolada, A Primeira Noite de Crime tem uma história relativamente simples e segue a mesma fórmula dos dois filmes anteriores: diferentes arquétipos de personagens tentando sobreviver, enquanto um deles se destaca como herói – no caso deste filme, um anti-herói-, ao tentar proteger as pessoas que ama. Se é verdade que a fórmula já se repetiu demais dentro da própria franquia, também é verdade que continua funcional, uma vez que leva o público a simpatizar com personagens a quem desprezariam na vida real. Eis um grande mérito do projeto.

Em termos técnicos, A Primeira Noite de Crime tem fotografia escura, explorando, de forma realista, as sombras e o que pode sugir delas. Nesse aspecto, o uso da baixa luz faz toda a diferença, com especial destaque para um recurso relativo os olhos dos personegens que causa um lindo contraste visual. James de Mônaco também faz uso de enquadramentos inteligentes, como no excelente plano sequência de luta na escada – difícil de executar naquela velocidade.

Em tempos de recrudescimento do pensamento autoritário no mundo todo, A Primeira Noite de Crime ganha relevância pela coragem de tratar, de forma tão direta, dos preconceitos social e racial, da xenofobia e da violência como forma de resolver o problema dos poderosos disfarçado de filme de gênero. Se não se trata de uma obra prima do cinema de terror ou de ação, A Primeira Noite de Crime é um bom entretenimento e ganha qualidade se o espectador se envolver com a camada mais profunda da narrativa.

Nota do Razão de Aspecto

 

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