A Nossa Espera (Nos batailles, 2018) – Crítica
A Nossa Espera

A Nossa Espera traz uma trama bem direta e crua. Acompanhamos Olivier (Romain Duris) dividindo a vida entre os percalços do trabalho em uma fábrica e as desventuras familiares. Em ambas as frentes ele tem que lidar com questões duras, mas sem perder a ternura. As repercussões das atitudes de outros exigem atitudes dele próprio que nem sempre o nosso protagonista está pronto. Mas ele PRECISA estar. E esse (não) movimento guia a trama.

Um dos méritos aqui é que os personagens, em especial o pai e os dois filhos, evoluem. Por mais que o filme para tal insista em uma certa repetição (natural da rotina?) para demonstrar isso. Fora eles, os personagens secundários são muito rasos e estão lá para uma ou duas frases. A exceção fica por conta da irmã de Olivier, a Betty (Laetitia Dosch). Ambos proporcionam as cenas mais tocantes de A Nossa Espera.

A Nossa Espera

O texto de alguns personagens soa batido e superficial. A empresa malvadona cometendo “injustiças” é o símbolo do ponto fraco aqui. Praticamente toda cena dele no trabalho segue a mesma lógica. Em casa, nas tarefas domésticas, a redundância também dá as caras. Precisava de três cenas com cereal? Ou de tantas marteladas para mostrar a inabilidade dele como pai?

O frágil e silencioso ponto de equilíbrio fica por conta do filho mais velho (por mais velho leia-se uma criança ainda), interpretado com precisão pelo jovem Basile Grunberger. O peso que o menino consegue passar em pequenos gestos (ou falta deles) potencializa a boa atuação de Duris, em outra boa dobradinha.

Há uma certa tinta carregada em alguns elementos para reforçar a tristeza. Os tons azuis-acinzentados nas roupas e paredes, além do clima gélido e até algum breu, remetem logo ao sentimento e tornam o vazio ainda maior. De modo algum a presença desses itens está incorreta. Mas tem horas que soa um pouco expositiva.

Outro exemplo que sintetiza o ar cambaleante aqui é o diálogo final. Mesmo lúdico e com sentido narrativo, o texto fica maçante e passa-se um atestado para o público de “imagino que vocês não tenham entendido uma das mensagens, vamos deixar tudo explicadinho”. Por sorte (competência), a imagem final recupera o fôlego e encerra A Nossa Espera em um bom misto de melancolia e esperança.

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Our Struggles

20181 h 38 min
Overview

Olivier (Romain Duris) é o politizado funcionário de uma fábrica, onde volta e meia bate de frente com seus superiores para defender os colegas de trabalho. Um dia, ele é surpreendido com o súbito desaparecimento de sua esposa, Laura (Lucie Debay). Sem saber o que aconteceu nem para onde ela foi, Olivier precisa conciliar o trabalho com a criação de seus dois filhos, Elliot (Basile Grunberger) e Rose (Lena Girard Voss).

Metadata
Director Guillaume Senez
Writer Guillaume Senez
Author
Runtime 1 h 38 min
Country  Belgium France
Release Date 3 outubro 2018

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